{"id":1392,"date":"2016-02-24T00:03:26","date_gmt":"2016-02-24T03:03:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1392"},"modified":"2016-02-24T00:04:48","modified_gmt":"2016-02-24T03:04:48","slug":"estao-querendo-acabar-com-o-audiovisual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2016\/02\/24\/estao-querendo-acabar-com-o-audiovisual\/","title":{"rendered":"EST\u00c3O QUERENDO ACABAR COM O AUDIOVISUAL"},"content":{"rendered":"<p>Blog Refletor \u00a0 \u00a0TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Itamar \u00a0Aguiar indica<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Orlando Senna<\/p>\n<p>A partir de 2003, com a consolida\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia reguladora e fiscalizadora Ancine, a institui\u00e7\u00e3o da Condecine, tributos cobrados na pr\u00f3pria atividade e investidos nela, e a cria\u00e7\u00e3o de um Fundo Setorial, um projeto estatal inteligente e in\u00e9dito ancorou o forte crescimento do audiovisual brasileiro, levando o Brasil a ser o d\u00e9cimo mercado audiovisual do mundo. Essa pol\u00edtica p\u00fablica, escalonada, gradual, tem como meta estabelecer o Pa\u00eds como quinto mercado mundial at\u00e9 a pr\u00f3xima d\u00e9cada. A \u00faltima a\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria de peso, a lei da tv por assinatura, com quatro anos de vig\u00eancia j\u00e1 provocou o aumento da produ\u00e7\u00e3o em mais de 100%. Outro bom exemplo \u00e9 o cinema: s\u00e3o poucos, bem poucos, os pa\u00edses que conseguem ter 18% da bilheteria nacional para seus pr\u00f3prios filmes como acontece no Brasil.<\/p>\n<p>A Condecine-Contribui\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento da Ind\u00fastria Cinematogr\u00e1fica Nacional incide sobre todos os segmentos industriais, comerciais e tecnol\u00f3gicos da atividade, gerando a maior parte dos recursos necess\u00e1rios. Ou seja, os recursos v\u00eam da pr\u00f3pria atividade.\u00a0Ao contr\u00e1rio da tend\u00eancia geral de queda de outras grandes atividades econ\u00f4micas, o audiovisual cresce, seu peso na economia j\u00e1 \u00e9 maior do que o da ind\u00fastria farmac\u00eautica. Sua condi\u00e7\u00e3o autoalimentadora blinda o audiovisual contra a crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica que o Brasil est\u00e1 enfrentando.<\/p>\n<p>Ou blindava. Este m\u00eas as empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es, conhecidas como teles, impetraram um mandado de seguran\u00e7a contra a Condecine. O argumento \u00e9 que n\u00e3o fazem parte da cadeia produtiva do audiovisual, apesar da telefonia prestar servi\u00e7os de distribui\u00e7\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o de conte\u00fados audiovisuais. Na verdade se trata de mais um ataque do capital internacionalizado \u00e0 soberania brasileira e \u00e0 sua autonomia legislativa. Quando falamos em atividade audiovisual n\u00e3o nos referimos apenas (e esse apenas \u00e9 uma figura de linguagem conhecida como ironia) \u00e0 enorme import\u00e2ncia cultural do cinema, tv, v\u00eddeo, videogame e toda a gama das artes audiovisuais e de sua inigual\u00e1vel penetra\u00e7\u00e3o psicossocial. Estamos falando tamb\u00e9m do mais importante setor econ\u00f4mico do s\u00e9culo XXI, de uma poderosa atividade industrial-comercial que gera, direta e indiretamente, trabalho, renda e seguran\u00e7a familiar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. O que significa que o ataque das teles impacta em cheio, ou no bolso, a sociedade civil brasileira.<\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nA Condecine das teles gera cerca de um bilh\u00e3o de reais anuais, 80% de toda a arrecada\u00e7\u00e3o para o Fundo Setorial. A participa\u00e7\u00e3o das teles nessa arrecada\u00e7\u00e3o reflete a enormidade dos lucros dessas empresas, boa parte deles remetidos para outros pa\u00edses, j\u00e1 que 90% dos acessos telef\u00f4nicos s\u00e3o controlados por quatro corpora\u00e7\u00f5es com matrizes no exterior ou associadas a matrizes estrangeiras: Telmex (Claro, Embratel, NET), Oi, Telef\u00f4nica\/Vivo e Vivendi. As tarifas cobradas por essas empresas no Brasil s\u00e3o as mais caras do mundo e os servi\u00e7os s\u00e3o de p\u00e9ssima qualidade (as teles est\u00e3o em primeiro lugar na lista nacional de reclama\u00e7\u00f5es de usu\u00e1rios). Sem nos esquecermos que as teles s\u00e3o concession\u00e1rias de um servi\u00e7o p\u00fablico e est\u00e3o sempre em\u00a0choque com o monitoramento da Anatel, a Ag\u00eancia Nacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es.ade, as teles n\u00e3o querem pagar o tributo? O argumento de que n\u00e3o fazem parte da cadeia produtiva \u00e9 uma balela, j\u00e1 que as cadeias produtivas s\u00e3o, por defini\u00e7\u00e3o, o conjunto de etapas que chegam a um bem ou um servi\u00e7o e \u00e0 sua inser\u00e7\u00e3o no mercado (\u201cest\u00e1gios t\u00e9cnicos de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o\u201d). Uma das meias respostas poss\u00edveis, porque n\u00e3o deve ser a resposta inteira, \u00e9 que essas empresas de telefonia tamb\u00e9m querem ser produtoras de conte\u00fado, passando a disputar esse segmento do mercado com as empresas de radiodifus\u00e3o, com a televis\u00e3o. Querem produzir e distribuir filmes, s\u00e9ries e novelas contaminados pela vis\u00e3o e pr\u00e1tica de seu capitalismo predador. Ou, simplesmente, pretendem cumprir a fundo a estrat\u00e9gia predat\u00f3ria de seu modelo de capitalismo, que exige v\u00edtimas \u2014 e, nesse sentido perverso, as artes audiovisuais s\u00e3o as mais poderosas das armas.<\/p>\n<p>A v\u00edtima pretendida pelas teles \u00e9 o estado brasileiro, \u00e9 desmoralizar a governan\u00e7a. Os danos colaterais, pretendidos ou n\u00e3o, atingem diretamente a sociedade brasileira. A sociedade \u00e9 a v\u00edtima principal. Caso as teles n\u00e3o paguem o tributo, o governo estima que a saud\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o do audiovisual ser\u00e1 interrompida, com uma dr\u00e1stica diminui\u00e7\u00e3o (talvez 70%) da produ\u00e7\u00e3o para cinema e tv e com a inviabiliza\u00e7\u00e3o do projeto que est\u00e1 sendo iniciado no sentido do Brasil ser um importante produtor de videogames, o maior segmento econ\u00f4mico da atividade em escala mundial.<\/p>\n<p>Se as teles conseguem consumar o crime, milhares de empregos sumir\u00e3o pelo ralo. E, voltando ao outro lado da quest\u00e3o, menos conte\u00fado brasileiro no cinema, tv, internet e qualquer m\u00eddia tamb\u00e9m \u00e9 uma adversidade para a consci\u00eancia de identidade, cidadania e pertencimento dos brasileiros. Os poderes executivo e judici\u00e1rio t\u00eam de reagir \u00e0 altura a esta intentona das teles mas, principalmente, a sociedade tem de se fazer ouvir.<\/p>\n<p><u>Forma\u00e7\u00e3o<\/u><\/p>\n<p>No meio dessa situa\u00e7\u00e3o de enfrentamento com o modelo arcaico e brutal do capitalismo multinacional das teles, assoma uma consulta p\u00fablica do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o sobre a Base Nacional Comum Curricular, onde o ensino do audiovisual \u00e9 completamente ignorado. Em um tempo em que v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es e governos prop\u00f5em o ensino do audiovisual em todos os n\u00edveis de forma\u00e7\u00e3o, do fundamental ao superior, pela capital import\u00e2ncia dessa linguagem na vida contempor\u00e2nea, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o demonstra uma ignor\u00e2ncia surpreendente, um atraso de dar pena.<\/p>\n<p>O Forcine-F\u00f3rum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual e outras associa\u00e7\u00f5es relacionadas com o tema est\u00e3o se organizando para reivindicar a inclus\u00e3o do audiovisual nos curr\u00edculos como \u00e1rea importante da forma\u00e7\u00e3o. Ataques frontais \u00e0 soberania brasileira por parte de grupos econ\u00f4micos estrangeiros \u00e9 uma amea\u00e7a que vem de fora, desconhecimento do tempo em que vivemos por parte do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a que vem de dentro. Ainda bem que h\u00e1 tempo para corrigir.<\/p>\n<p>Por Orlando Senna<\/p>\n<p><strong>COMENT\u00c1RIO:<\/strong><\/p>\n<p>Pela longa viv\u00eancia de vida inteira mundo afora e mundo adentra, dedicada ao Cinema, ao Teatro e ao Audiovisual, al\u00e9m da compet\u00eancia, responsabilidade e condu\u00e7\u00e3o \u00c9tica nas suas a\u00e7\u00f5es, \u00e9 muito importante que levemos em considera\u00e7\u00e3o as advert\u00eancias que Orlado anuncia neste sucinto, mas conciso artigo, tanto a advert\u00eancia contra a \u201cteles\u201d, externa, quanto \u00e0 advert\u00eancia interna frente ao descuidado do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o sobre \u201ca Base Nacional Comum Curricular\u201d. Nuca \u00e9 demais informa e difundir informa\u00e7\u00f5es verdadeiras, assim sendo, al\u00e9m das demais contribui\u00e7\u00f5es de Orlando mudo afora e mundo adentro, cabe dizer que, quando da elabora\u00e7\u00e3o do Projeto de cria\u00e7\u00e3o do Curso de Cinema e Audiovisual da UESB, a meu convite, Orlando colaborou gratuitamente, na condi\u00e7\u00e3o de consultor da Comiss\u00e3o institu\u00edda para este fim, contribu\u00eddo em muito com a qualidade do nosso Projeto, por isso lhe agradecemos, baianamente. Ogum\u00ea! Ax\u00e9! Vida longa ao guerreiro das comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Orlando Senna nasceu em Afr\u00e2nio Peixoto, munic\u00edpio de Len\u00e7\u00f3is Bahia. Jornalista, roteirista, escritor e cineasta, premiado nos festivais de Cannes, Figueira da Foz, Taormina, P\u00e9saro, Havana, Porto Rico, Brasilia, Rio Cine. Entre seus filmes mais conhecidos est\u00e3o Diamante Bruto e o cl\u00e1ssico do cinema brasileiro, Iracema. Foi diretor da Escola Internacional de Cinema e Televis\u00e3o de San Antonio de los Ba\u00f1os e do Instituto Drag\u00e3o do Mar, Secret\u00e1rio Nacional do Audiovisual (2003\/2007) e Diretor Geral da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 TV Brasil (2007\/2008). Atualmente e presidente da TAL \u2013 Televis\u00e3o Am\u00e9rica Latina e membro do Conselho Superior da Fundacion del Nuevo Cine Latinoamericano.<\/p>\n<p>Itamar Pereira de Aguiar nasceu em Iraquara &#8211; Bahia; concluiu o Gin\u00e1sio e Escola Normal em Len\u00e7\u00f3is, onde foi Diretor de Col\u00e9gio do 1\u00ba e 2\u00ba graus (1974\/1979); graduado em Filosofia, pela UFBA em 1979; Mestre em 1999 e Doutor em Ci\u00eancias Sociais \u2013 Antropologia \u2013 2007,<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Blog Refletor \u00a0 \u00a0TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica Latina \u00a0Itamar \u00a0Aguiar indica\u00a0 Orlando Senna A partir de 2003, com a consolida\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia reguladora e fiscalizadora Ancine, a institui\u00e7\u00e3o da Condecine, tributos cobrados na pr\u00f3pria atividade e investidos nela, e a cria\u00e7\u00e3o de um Fundo Setorial, um projeto estatal inteligente e in\u00e9dito ancorou o forte crescimento do audiovisual [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1392"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1392"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1392\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1394,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1392\/revisions\/1394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1392"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1392"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1392"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}