{"id":1364,"date":"2016-02-03T23:17:07","date_gmt":"2016-02-04T02:17:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1364"},"modified":"2016-02-03T23:18:15","modified_gmt":"2016-02-04T02:18:15","slug":"a-industria-do-carnaval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2016\/02\/03\/a-industria-do-carnaval\/","title":{"rendered":"A IND\u00daSTRIA DO CARNAVAL"},"content":{"rendered":"<table width=\"99%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"98%\">Alb\u00e1n Gonz\u00e1lez &#8211; jornalistaUma ind\u00fastria bem administrada, alimentada por empres\u00e1rios, cervejarias, institui\u00e7\u00f5es financeiras, pol\u00edticos, poder p\u00fablico, artistas, compositores e, naturalmente, carnavalescos, descobriu no come\u00e7o dos anos 90, com a cria\u00e7\u00e3o do circuito Dod\u00f4 (Barra-Ondina), que poderia ganhar muito dinheiro com o que eles chamam de \u201cmaior festa do planeta\u201d. E pensaram em oferecer, n\u00e3o somente no per\u00edodo dedicado a Momo, mas em todos os 365 dias do ano, um show mambembe, com m\u00fasica de p\u00e9ssima qualidade e apelativa, a uma minoria da popula\u00e7\u00e3o de Salvador e a grupos de turistas mochileiros.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 um s\u00f3 dia em Salvador, a cidade mais festeira do Brasil, que n\u00e3o haja uma apresenta\u00e7\u00e3o de shows, que levam os mais variados nomes, como ensaios, saraus, b\u00ean\u00e7\u00e3os, bailes, marchas com Jesus e desfiles de segmentos da sociedade que se acham discriminados. Com exce\u00e7\u00e3o dos artistas que j\u00e1 est\u00e3o na estrada h\u00e1 muito tempo, diariamente surge uma nova banda de ax\u00e9, pagode, falso sertanejo ou funk, lan\u00e7ando no cen\u00e1rio musical dezenas de carreiristas. Alguns deles, envolvidos com drogas, t\u00eam sido impedidos pelos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o do cumprimento do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente, de se apresentarem em festinhas infantis.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o falta \u00e9 patroc\u00ednio para manter de p\u00e9 a lona do \u201ccirco\u201d. Se o apoio vem do campo empresarial, o cidad\u00e3o que zela pela cultura desta terra s\u00f3 tem a lamentar. Mas, quando a ajuda vem de \u00f3rg\u00e3os e empresas p\u00fablicos, como estamos assistindo nos festejos momescos de um ano eleitoral, o sentimento \u00e9 de revolta. Por que blocos, vocalistas, trios el\u00e9tricos e camarotes t\u00eam que ser subvencionadas por institui\u00e7\u00f5es governamentais?<\/p>\n<p>H\u00e1 poucos dias, o m\u00e9dico Djalma Duarte divulgou nas redes sociais carta aberta ao governador baiano Ruy Costa, condenando o descaso com o Hospital Geral do Estado, onde h\u00e1 falta de profissionais e de equipamentos cir\u00fargicos, mostrando que os R$ 840 mil que ser\u00e3o pagos pelo governo aos cantores Bel Marques e Ivete Sangalo, nas apresenta\u00e7\u00f5es para os foli\u00f5es \u201cpipocas\u201d, dariam para contratar um plantonista por 20 anos. O dr. Costa desabafou depois de ter dado um plant\u00e3o de 12 horas no HGE, ao lado de um colega e de seis enfermeiros, cuidando de dezenas de pacientes entre a vida e a morte, enquanto pol\u00edticos em v\u00e9spera de elei\u00e7\u00f5es e foli\u00f5es desfilavam na Lavagem do Bonfim.<\/p>\n<p>Esta semana os jornais noticiaram que a prefeitura de Salvador gastar\u00e1 R$ 15 milh\u00f5es com o Carnaval, independente do patroc\u00ednio de uma cervejaria e de um banco; que a Caixa Econ\u00f4mica Federal distribuir\u00e1 R$ 900 mil entre os blocos Il\u00ea Aiy\u00ea, Filhos de Gandhi e Timbalada. No meu tempo de foli\u00e3o \u2013 n\u00e3o se trata de saudosismo \u2013 as entidades carnavalescas se mantinham com as mensalidades dos seus s\u00f3cios \u2013 \u201cOs Internacionais\u201d chegou a ter uma sede pr\u00f3pria na Mouraria, aberta durante todo o ano, &#8211; e disputava com \u201cOs Corujas\u201d uma esp\u00e9cie de Ba-VI no circuito Campo Grande \u2013 Pra\u00e7a da S\u00e9.<\/p>\n<p>Como escrevi acima, o surgimento dos negociantes de abad\u00e1s e dos propriet\u00e1rios de camarotes , os aut\u00eanticos foli\u00f5es rasgaram suas fantasias. A prop\u00f3sito, por anda Rubens Carvalho, o Rubinho dos Carnavais, fundador, com outros jovens do bairro de Santo Ant\u00f4nio Al\u00e9m do Carmo, dos blocos \u201cFantasmas\u201d, \u201cOs Internacionais\u201d e \u201cOs Corujas\u201d,pioneiros do verdadeiro carnaval de rua baiano.Estou tomando conhecimento da volta dos blocos de rua no Rio e S\u00e3o Paulo, sem cordas, sem viol\u00eancia nem vandalismo, onde se brinca \u201ccom dinheiro ou sem dinheiro\u201d, entoando marchinhas do passado. Creio que \u00e9 mais uma preocupa\u00e7\u00e3o para os donos da festa baiana, que este ano lamentam a queda nas vendas de abad\u00e1s e ingressos para os camarotes, dos alugu\u00e9is de apartamentos e das reservas em hot\u00e9is.<\/p>\n<p>No mais, sugiro a quem vai ficar diante da televis\u00e3o, assistir a passagem da Mangueira na Sapuca\u00ed, apresentando o tema \u201cMaria Beth\u00e2nia, a menina dos olhos de Oy\u00e1\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alb\u00e1n Gonz\u00e1lez &#8211; jornalistaUma ind\u00fastria bem administrada, alimentada por empres\u00e1rios, cervejarias, institui\u00e7\u00f5es financeiras, pol\u00edticos, poder p\u00fablico, artistas, compositores e, naturalmente, carnavalescos, descobriu no come\u00e7o dos anos 90, com a cria\u00e7\u00e3o do circuito Dod\u00f4 (Barra-Ondina), que poderia ganhar muito dinheiro com o que eles chamam de \u201cmaior festa do planeta\u201d. 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