{"id":1339,"date":"2016-01-13T00:42:58","date_gmt":"2016-01-13T03:42:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1339"},"modified":"2016-01-13T00:43:04","modified_gmt":"2016-01-13T03:43:04","slug":"ouvindo-roteiristas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2016\/01\/13\/ouvindo-roteiristas\/","title":{"rendered":"OUVINDO ROTEIRISTAS"},"content":{"rendered":"<p>Revista de Cinema 127\u00a0\u00a0Jan\/Fev 2016<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><u>Orlando Senna<\/u><\/p>\n<p>Indica\u00e7\u00e3o de Itamar Aguiar<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de fomento \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e a veicula\u00e7\u00e3o audiovisual promovidas pela Ancine e a regulamenta\u00e7\u00e3o da tv paga ocorrida em 2011 expandiram de maneira significativa o mercado de trabalho do setor. Hoje a demanda \u00e9 bem maior do que tr\u00eas anos atr\u00e1s pelos muitos profissionais necess\u00e1rios \u00e0 feitura de obras cinematogr\u00e1ficas e televisivas. Por motivos que, espero, fiquem claros ao longo deste texto, os roteiristas est\u00e3o particularmente tocados por esse avan\u00e7o da atividade, que incide n\u00e3o apenas no aumento das possibilidades de trabalho mas tamb\u00e9m na qualidade dos roteiros e na rela\u00e7\u00e3o do roterirista com diretores e empresas produtoras.<\/p>\n<p>Luiz Bolognesi (<em>Bicho de Sete Cabe\u00e7as<\/em>,<em>\u00a0Chega de saudade<\/em>,<em>\u00a0Uma hist\u00f3ria de amor e f\u00faria<\/em>,<em>\u00a0<\/em><em>BirdWatchers<\/em>) calcula que entre 300 e 350 roteiristas est\u00e3o trabalhando profissionalmente no Brasil, um recorde. Est\u00e3o contratados para projetos de realiza\u00e7\u00e3o (cinema e tv) contemplados nos editais, respondem a ofertas de trabalho oriundas de editais espec\u00edficos como os da linha Prodav 4 (laborat\u00f3rios de desenvolvimento) e dos N\u00facleos Criativos, al\u00e9m da novidade de empresas estarem montando setores de desenvolvimento de projetos, com roteiristas como diretores de cria\u00e7\u00e3o. Bolognesi: \u201cO trabalho do roteirista \u00e9 a base, o fundamento da cadeia produtiva do audiovisual. Empregar autores roteiristas em larga escala, pelo pa\u00eds inteiro, \u00e9 o investimento mais sens\u00edvel na melhoria da qualidade de toda a cadeia produtiva. \u00c9 o cerne do maior salto qualitativo que o audiovisual brasileiro j\u00e1 deu em sua hist\u00f3ria.\u201d<!--more--><\/p>\n<p>Poder de decis\u00e3o<\/p>\n<p>\u201cTodos perceberam a import\u00e2ncia do roteiro, mas poucos a import\u00e2ncia do roteirista\u201d. \u00c9 o que diz Newton Cannito (<em>9mm: S\u00e3o Paulo<\/em>,<em>\u00a0Cidade dos homens<\/em>,<em>\u00a0Quanto vale ou \u00e9 por quilo?<\/em>,<em>\u00a0Br\u00f3der)<\/em>. Ele levanta uma aspecto mencionado por todos os entrevistados, que \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o do roteirista com a produ\u00e7\u00e3o e a dire\u00e7\u00e3o. As artes audiovisuais s\u00e3o um trabalho coletivo, todos s\u00e3o autores e existe um grupo de autores determinantes, geralmente produtor, diretor e roteirista. Na grande ind\u00fastria televisiva, tanto nas telenovelas da Globo como nas teless\u00e9ries americanas e europeias que est\u00e3o bombando, o roteirista det\u00e9m a decis\u00e3o final. Em Hollywood compartilha esse poder, em igualdade de condi\u00e7\u00f5es, com diretor e produtor. Nos cinemas independentes de muitos pa\u00edses, incluindo o Brasil, o roteirista tem pouco poder de decis\u00e3o. Newton acredita que, com o crescimento da produ\u00e7\u00e3o, essa perigosa distors\u00e3o ser\u00e1 percebida com clareza pelo mercado, que dar\u00e1 mais poder ao roteirista.<\/p>\n<p>Ricardo Hofstetter (<em>Malha\u00e7\u00e3o<\/em>,<em>\u00a0Escolinha do professor Raimundo<\/em>), presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Roteiristas-AR, afirma que as provid\u00eancias da Ancine \u201cderam uma enorme aquecida no mercado, fato que nunca aconteceu antes\u201d. Acredita que o novo cen\u00e1rio produtivo \u201cvai melhorar a qualidade de nossos roteiros, o que j\u00e1 est\u00e1 acontecendo\u201d, e defende investimentos ainda mais focados no roteirista. Critica: \u201cainda h\u00e1 um ran\u00e7o forte de que o investimento deve ser feito em produ\u00e7\u00e3o, at\u00e9 nos N\u00facleos Criativos produtores abocanham a maior parte do dinheiro, o que acho um absurdo\u201d.\u00a0Voltando a Newton Cannito, ex-presidente da AR e ex-Secret\u00e1rio do Audiovisual, ele diz que at\u00e9 entende a l\u00f3gica do foco na produ\u00e7\u00e3o mas estranha o fato de \u201cos editais permitirem que N\u00facleos Criativos tenham diretores e produtores como l\u00edderes\u201d.<\/p>\n<p>Qualidade e forma\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Roteirista de\u00a0<em>Transeunte, A hora e a vez de Augusto Matraga<\/em>,<em>\u00a0A floresta que se move<\/em>\u00a0e das s\u00e9ries em produ\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Liga\u00e7\u00f5es perigosas<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Justi\u00e7a<\/em>, Manuela Dias concorda que a atividade vive um momento in\u00e9dito mas se preocupa com a qualidade:\u00a0\u201cN\u00e3o acho que o mercado produza bons profissionais. Escolas, cursos, interc\u00e2mbios culturais, horas de v\u00f4o em frente ao computador e sobretudo ter o que dizer \u00e9 o que forma um roteirista.\u201d N\u00e3o basta saber escrever e conhecer o assunto. \u201cPor exemplo, uma pessoa achar que por ter experi\u00eancia na favela pode escrever um filme sobre a favela. Transformar uma experi\u00eancia pessoal em arte, seja ela qual for, \u00e9 um talento especial e demanda muita intelig\u00eancia emocional, distanciamento, ou anos de an\u00e1lise.\u201d Apresenta uma resposta para sua preocupa\u00e7\u00e3o: \u201cO mesmo mercado que est\u00e1 criando essas oportunidades vai filtrar os talentos, \u00e9 um processo natural. A democratiza\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o audiovisual gera, em contrapartida, uma exig\u00eancia maior de bons produtos.\u201d<\/p>\n<p>Lucas Paraizo, (<em>O rebu<\/em>,\u00a0<em>O ca\u00e7ador<\/em>,\u00a0<em>A teia<\/em>), autor do document\u00e1rio\u00a0<em>O roteirista<\/em>\u00a0e do livro\u00a0<em>Palavra de roteirista<\/em>\u00a0(Senac Sp): \u201cVale mais desenvolver roteiros e eventualmente descartar alguns do que produzir filmes sem a maturidade suficiente para sair do papel\u201d.\u00a0Como Manuela, Lucas se refere \u00e0 busca da qualidade e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o. Apesar do crescente n\u00famero de escolas de cinema e tv no pa\u00eds, \u201co problema \u00e9 a car\u00eancia de bons professores e de uma estrutura de estudos que alie teoria e pr\u00e1tica\u201d. Considera-se sortudo por ter estudado durante tr\u00eas anos na Escola de Cuba dedicando oito horas di\u00e1rias a roteiro. Segue: \u201cForma\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas universit\u00e1ria ou t\u00e9cnica mas tamb\u00e9m a forma\u00e7\u00e3o humana, de ponto de vista, de vis\u00e3o de mundo, de saber olhar para o nosso redor de maneira diferenciada. Um roteiro n\u00e3o se sustenta apenas com uma boa ideia, \u00e9 sua premissa e o desenvolvimento dela que permitem que sua estrutura ganhe camada e relev\u00e2ncia.\u201d<\/p>\n<p>Como engenheiros<\/p>\n<p>Em 2013 Nizan Guanaes, expoente da publicidade brasileira, publicou na Folha de S\u00e3o Paulo um artigo que deu o que falar no mundo corporativo. Intitulado\u00a0<em>Precisa-se de roteiristas<\/em>, o texto dizia que \u201cassim como os engenheiros, eles ser\u00e3o essenciais para formar o novo pa\u00eds\u201d. Ele se referia ao novo pa\u00eds que deve se organizar no s\u00e9culo XXI, em decorr\u00eancia das grandes transforma\u00e7\u00f5es que a humanidade e o planeta est\u00e3o vivenciando, e \u00e0 suma import\u00e2ncia do audiovisual nos acontecimentos que nos aguardam no futuro. Import\u00e2ncia estrat\u00e9gica, econ\u00f4mica, cultural, comportamental, espiritual. E tendo em conta que, na velocidade de nosso tempo, o futuro est\u00e1 logo ali.<\/p>\n<p>Orlando Senna nasceu em Afr\u00e2nio Peixoto, munic\u00edpio de Len\u00e7\u00f3is Bahia. Jornalista, roteirista, escritor e cineasta, premiado nos festivais de Cannes, Figueira da Foz, Taormina, P\u00e9saro, Havana, Porto Rico, Bras\u00edlia, Rio Cine. Entre seus filmes mais conhecidos est\u00e3o Diamante Bruto e o cl\u00e1ssico do cinema brasileiro, Iracema. Foi diretor da Escola Internacional de Cinema e Televis\u00e3o de San Antonio de los Ba\u00f1os e do Instituto Drag\u00e3o do Mar, Secret\u00e1rio Nacional do Audiovisual (2003\/2007) e Diretor Geral da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 TV Brasil (2007\/2008). Atualmente \u00e9 presidente da TAL \u2013 Televis\u00e3o Am\u00e9rica Latina e membro do Conselho Superior da Fundacion del Nuevo Cine Latinoamericano.<\/p>\n<p>Itamar Pereira de Aguiar nasceu em Iraquara &#8211; Bahia; concluiu o Gin\u00e1sio e Escola Normal em Len\u00e7\u00f3is, onde foi Diretor de Col\u00e9gio do 1\u00ba e 2\u00ba graus (1974\/1979); graduado em Filosofia, pela UFBA em 1979; Mestre em 1999 e Doutor em Ci\u00eancias Sociais \u2013 Antropologia \u2013 2007, pela PUC\/SP; P\u00f3s Doutor em\u00a0Ci\u00eancias Sociais \u2013 Antropologia \u2013 em 2014, pela UNESP campus de Mar\u00edlia \u2013 SP. Professor Titula da Universidade Estadual do Sudoeste do Estado da\u00a0Bahia \u2013 UESB; elaborou com outros colegas os projetos e liderou o processo de cria\u00e7\u00e3o dos cursos de Licenciatura em Filosofia, Cinema e Audiovisual\/UESB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revista de Cinema 127\u00a0\u00a0Jan\/Fev 2016\u00a0 Orlando Senna Indica\u00e7\u00e3o de Itamar Aguiar A pol\u00edtica de fomento \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e a veicula\u00e7\u00e3o audiovisual promovidas pela Ancine e a regulamenta\u00e7\u00e3o da tv paga ocorrida em 2011 expandiram de maneira significativa o mercado de trabalho do setor. 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