{"id":1337,"date":"2016-01-12T01:11:35","date_gmt":"2016-01-12T04:11:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1337"},"modified":"2016-01-12T01:11:41","modified_gmt":"2016-01-12T04:11:41","slug":"vo-santa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2016\/01\/12\/vo-santa\/","title":{"rendered":"V\u00d3 SANTA"},"content":{"rendered":"<p>Ant\u00f4nio Novais Torres<\/p>\n<p>Uma parteira tradicional conhecida por \u2018Santa\u2019, morava em uma pequena cidade e executava os partos que ocorriam na localidade e na vizinhan\u00e7a, por solicita\u00e7\u00e3o das parturientes. N\u00e3o havia, no lugar e nem por perto, m\u00e9dico para um atendimento ou procedimento adequado de sa\u00fade, s\u00f3 existia nas grandes cidades ou na capital. Por\u00e9m a classe pobre, devido a condi\u00e7\u00e3o financeira prec\u00e1ria, recorria aos entendidos para cuidarem da sa\u00fade e \u00e0s parteiras para o devido procedimento.<\/p>\n<p>Quando uma mulher ia \u201cdespachar\u201d, contava com o apoio das mais experientes que a auxiliavam no trabalho de parto. Santa era uma das parteiras pr\u00e1ticas e determinada. Tomou gosto pelo of\u00edcio. Era solicitada para as parturi\u00e7\u00f5es que ocorriam na regi\u00e3o. Diante desse conhecimento pr\u00e1tico e de sua disposi\u00e7\u00e3o, fazia os procedimentos dessa natureza.<\/p>\n<p>Santa ganhou fama e tornou-se refer\u00eancia quando o assunto era parto. Ela passou a ser requisitada em toda a regi\u00e3o e era considerada uma pessoa de \u201cboa m\u00e3o\u201d. Quando surgia algum problema, este era resolvido com ora\u00e7\u00f5es, mezinhas (ra\u00edzes, plantas), tratamentos caseiros, que sempre davam bom resultado.<\/p>\n<p><!--more-->O chamado mal de sete dias, ou t\u00e9tano umbilical, ocorria tanto na zona rural quanto na cidade nas camadas pobres e desinformadas, por falta de higieniza\u00e7\u00e3o ou devido a falta de vacina\u00e7\u00e3o, ou ainda, por ignor\u00e2ncia e\/ou aus\u00eancia desse tipo de procedimento no lugar.<\/p>\n<p>Com a moderniza\u00e7\u00e3o, surgiram os hospitais. Os m\u00e9dicos obstetras ocuparam o lugar das parteiras leigas. Ocorre que, apesar de toda a parafern\u00e1lia de instrumentos a disposi\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos e dos laborat\u00f3rios que os auxiliam no diagn\u00f3stico, h\u00e1 mortes tanto dos nascituros como das pu\u00e9rperas.<\/p>\n<p>Os obstetras optam pelo parto ces\u00e1reo, em detrimento do parto natural, por conveni\u00eancia pr\u00f3pria ou desejo da parturiente que por quest\u00f5es est\u00e9ticas e\/ou medo da dor, decidem pela cesariana.<\/p>\n<p>A parteira Santa se vangloriava: \u201cNenhum rec\u00e9m-nascido e nenhuma mulher que esteve sob os meus cuidados morreram durante o parto ou mesmo em seguida\u201d. Os aparados chamavam-na de \u2018V\u00f3 Santa\u2019 , como se fosse av\u00f3 biol\u00f3gica. Tomavam-lhe a b\u00ean\u00e7\u00e3o em respeito e considera\u00e7\u00e3o. Uma quantidade enorme de crian\u00e7as passou por suas m\u00e3os, sem registro de nenhum problema.<\/p>\n<p>Por falta de recursos e pela pobreza que impera em muitas regi\u00f5es, al\u00e9m de n\u00e3o terem conhecimento de seus direitos disponibilizados pelos \u00f3rg\u00e3os de sa\u00fade, parturientes pobres, especialmente da zona rural e\/ou periferia, lugares que n\u00e3o disp\u00f5em de servi\u00e7os m\u00e9dicos, procuram uma parteira leiga, que certamente n\u00e3o cobra pelos servi\u00e7os executados, para auxili\u00e1-las nesses atendimentos.<\/p>\n<p>H\u00e1 de se registrar a import\u00e2ncia das parteiras leigas, mulheres cujas experi\u00eancias s\u00e3o colocadas a servi\u00e7o da sa\u00fade, salvando vidas e levando solidariedade e palavra de conforto \u00e0s paridas. Os especialistas condenam essa atividade, pela falta de conhecimentos cient\u00edficos, at\u00e9 com certa raz\u00e3o, pois o parto \u00e9 considerado um ato m\u00e9dico. Mas \u201cA necessidade \u00e9 que faz o ladr\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Em \u00e9poca de antanho, era praxe a mulher parida se recolher num quarto onde imperava a penumbra. Ficava de resguardo por trinta dias, tomando apenas, banho de asseio e comendo pir\u00e3o de galinha, o chamado pir\u00e3o de parida. Era vedado a entrada de crian\u00e7as no ambiente. Fornecia-se a famosa temperada \u00e0s \u201ccomadres\u201d visitantes que, pelo efeito et\u00edlico, comentavam coisas do arco da velha e, s\u00f3 Deus sabe o que ocorria nas conversas pecaminosas entre elas. Coitado dos homens!<\/p>\n<p>H\u00e1 um prop\u00f3sito do CNS (Conselho Nacional de Sa\u00fade) de se formarem parteiras, dando-lhes o conhecimento t\u00e9cnico para o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o. Assim, a presen\u00e7a do m\u00e9dico obstetra seria desnecess\u00e1rio, a n\u00e3o ser em casos graves que exijam a assist\u00eancia m\u00e9dica. Tal procedimento legal deve ter a aquiesc\u00eancia dos especialistas, facilitando os atendimentos domiciliares. No caso de gravidez de baixo risco, tanto em casa quanto no hospital o procedimento \u00e9 o mesmo. Essa \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o de muitas mulheres que preferem parir no aconchego do lar, sem o medo e o estresse que provoca o hospital, m\u00e9todo que est\u00e1 em moda atualmente.<\/p>\n<p>Se houvesse a figura da enfermeira parteira, esse procedimento poderia ser feito na resid\u00eancia da parturiente, desafogando os hospitais. Tudo \u00e9 uma quest\u00e3o de bom senso e de se consentir esse procedimento, valorizando as enfermeiras parteiras, adequadamente treinadas.<\/p>\n<p>H\u00e1 de se respeitar a vida humana, qualquer que seja a condi\u00e7\u00e3o da pessoa. Socorrer e dar aten\u00e7\u00e3o ao enfermo \u00e9 dever de todos, especialmente de quem se incumbe dessa miss\u00e3o estabelecida por Hip\u00f3crates.<\/p>\n<p>Aqui em Brumado, a parteira pr\u00e1tica V\u00f3 Congonha, Esther Trindade Serra, Nita Gama e outras acudiram muitas mulheres em trabalho de parto e aparou dezenas ou centenas de crian\u00e7as com total \u00eaxito.<\/p>\n<p>O Dia Internacional da Parteira, 05 de maio, foi institu\u00eddo pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade em 1991, para salientar a import\u00e2ncia do trabalho das parteiras em todo o mundo. Em diversos pa\u00edses, o Dia Internacional da Parteira tem sido comemorado por diversas organiza\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 defesa dos direitos da mulher.<\/p>\n<p>Cabe as institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis por esse trabalho digno e corajoso dessas mulheres que se disp\u00f5em a cuidar das gestantes, sejam regulamentadas com a disponibiliza\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, dando a elas o m\u00ednimo de conhecimento, suprindo, dessa forma, as defici\u00eancias do sistema de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Foi aprovado uma lei pelo Congresso Nacional com o objetivo de valorizar o parto natural. As cesarianas devem obedecer ao que determina a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), como meta e n\u00e3o com o objetivo de desejo e conveni\u00eancias. Diante do percentual elevado de cesarianas, doravante essa cultura ser\u00e1 modificada com educa\u00e7\u00e3o e o devido convencimento de se optar pelo parto natural.<\/p>\n<p>Pela proposta, m\u00e9dicos e demais profissionais de sa\u00fade dever\u00e3o dar prioridade \u00e0 assist\u00eancia humanizada no nascimento. O \u00cdndice de cesarianas n\u00e3o poder\u00e1 exceder a 15% dos partos.<\/p>\n<p>Antonio Novais Torres<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/br-mg4.mail.yahoo.com\/neo\/b\/compose?to=antorres@terra.com.br\">antorres@terra.com.br<\/a><\/p>\n<p>Brumado em dezembro 2015.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f4nio Novais Torres Uma parteira tradicional conhecida por \u2018Santa\u2019, morava em uma pequena cidade e executava os partos que ocorriam na localidade e na vizinhan\u00e7a, por solicita\u00e7\u00e3o das parturientes. 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