{"id":1291,"date":"2015-11-30T22:14:41","date_gmt":"2015-12-01T01:14:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1291"},"modified":"2015-11-30T22:14:49","modified_gmt":"2015-12-01T01:14:49","slug":"impactos-na-patria-grande","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2015\/11\/30\/impactos-na-patria-grande\/","title":{"rendered":"IMPACTOS NA P\u00c1TRIA GRANDE"},"content":{"rendered":"<p>Blog Refletor\u00a0\u00a0\u00a0TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<p>De: Orlando Senna<\/p>\n<p>Idica\u00e7\u00e3o de Itamar Aguiar<\/p>\n<p>A derrota do\u00a0kirchnerismo na Argentina muda o cen\u00e1rio pol\u00edtico da Am\u00e9rica do Sul e estimula d\u00favidas sobre como ser\u00e1 o futuro do Mercosul. O bloco conformado em mar\u00e7o de 1991 ganhou contornos nitidamente esquerdistas a partir de 2000 com a ascens\u00e3o das lideran\u00e7as de Lula no Brasil, Ch\u00e1vez na Venezuela, N\u00e9stor Kirchner na Argentina, Jos\u00e9 Mujica no Uruguai, Fernando Lugo no Paraguai, Rafael Correa no Equador, Michelle Bachelet no Chile, Evo Morales na Bol\u00edvia. Foram implementadas saud\u00e1veis pol\u00edticas de inclus\u00e3o social em todos esses pa\u00edses e a economia brasileira, eixo mais importante da regi\u00e3o, alcan\u00e7ou um crescimento surpreendente. At\u00e9 os analistas mais conservadores perceberam a for\u00e7a pol\u00edtica, base dos projetos de inclus\u00e3o social, do que denominaram \u201cuma alian\u00e7a entre governos progressistas e bolivaristas\u201d, com o Brasil puxando os primeiros e a Venezuela os segundos. A partir de 2011 esse cen\u00e1rio come\u00e7ou a se deteriorar, as economias nacionais come\u00e7aram a se desequilibrar, o mercado comum previsto pelo Mercosul n\u00e3o avan\u00e7ou, a infla\u00e7\u00e3o voltou a ser um problema e a corrup\u00e7\u00e3o grassou em v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>Seguiram-se outros acontecimentos como em uma onda de choque: em 2012 a deposi\u00e7\u00e3o de Lugo; no mesmo ano um plano de desestabiliza\u00e7\u00e3o, que prossegue at\u00e9 o momento, do governo de Evo Morales com uma campanha da direita para dividir a Bol\u00edvia em duas; em 2013 a morte de Ch\u00e1vez, criador e comandante da proposta bolivarista (emancipar os pa\u00edses latino-americanos dos interesses econ\u00f4micos, pol\u00edticos e culturais da Europa e dos EUA), dita \u201csocialismo do s\u00e9culo XXI\u201d; em 2014 a estressante campanha para a reelei\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff, que venceu por uma diferen\u00e7a de apenas 3,3%, ficando clara a grande cis\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o brasileira. E, claro, as manifesta\u00e7\u00f5es de insatisfa\u00e7\u00e3o popular na maior parte dos pa\u00edses da regi\u00e3o, combust\u00edvel da instabilidade psicossocial, emocional, que se manifesta agora, nas \u00faltimas luzes (ou sombras) de 2015.<\/p>\n<p><u>Oposi\u00e7\u00f5es<\/u><!--more--><\/p>\n<p>No Equador bolivarista, a Revolu\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 de Correa, que promoveu amplas reformas sociais e pol\u00edticas, est\u00e1 causando enorme pol\u00eamica com uma emenda constitucional em tramita\u00e7\u00e3o que autoriza a reelei\u00e7\u00e3o ilimitada para a presid\u00eancia da rep\u00fablica. Correa anunciou que n\u00e3o ser\u00e1 candidato a um terceiro mandato e confia que sua frente, a Alianza PAIS, vencer\u00e1 as elei\u00e7\u00f5es de 2017. Ou seja, que far\u00e1 seu sucessor. Mas est\u00e1 sempre advertindo que \u201ca democracia corre perigo\u201d e que h\u00e1 ind\u00edcios de um golpe de estado em andamento. No Peru progressista, o presidente Ollanta Humala busca uma estabilidade a cada dia mais dif\u00edcil, com forte oposi\u00e7\u00e3o no Congresso. Em mar\u00e7o, em uma demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a, o Congresso destituiu a primeira-ministra Ana Jara, acusando-a de envolvimento em esc\u00e2ndalo de espionagem, rastreamento de milhares de pessoas, incluindo opositores do governo. Em cem anos, \u00e9 a terceira vez que o parlamento peruano destitui primeiros-ministros.<\/p>\n<p>No Chile, a popularidade do governo de Michelle Bachelet caiu vertiginosamente. A rea\u00e7\u00e3o antigoverno foi impulsionada por den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o de grandes empres\u00e1rios (desvio de dinheiro para campanhas, propinas) e de pol\u00edticos de diferentes partidos, incluindo da base do governo, a frente de centro-esquerda Nueva Mayor\u00eda. Bachelet enfrentou a crise com uma reforma do governo (trocou seus 26 ministros de uma s\u00f3 vez, por exemplo) mas a turbul\u00eancia n\u00e3o foi debelada, principalmente porque as den\u00fancias apontaram para seu filho, Sebasti\u00e1n D\u00e1valos, acusado de tr\u00e1fico de influ\u00eancia para conseguir dez milh\u00f5es de d\u00f3lares para compra de terras. A Colombia, governada pelo neoliberal Juan Manuel Santos, afogada no narcotr\u00e1fico e com bases dos EUA em seu territ\u00f3rio, atua agressivamente contra o governo da Bol\u00edvia, apoiando o movimento separatista que atormenta o presidente Evo. No Paraguai, o presidente Horacio Cartes, milion\u00e1rio envolvido em processos de corrup\u00e7\u00e3o, preso nos anos 1980 por evas\u00e3o de divisas, continua a celebrar a deposi\u00e7\u00e3o de Lugo e anunciar avan\u00e7os macroecon\u00f4micos (crescimento do PIB, infla\u00e7\u00e3o baixa), embora a pobreza tenha crescido durante seus tr\u00eas anos de governo, alcan\u00e7ando 35% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><u>Gigante atordoado<\/u><\/p>\n<p>Para n\u00e3o parecer pessimista e dizer que n\u00e3o falei de flores, o Uruguai est\u00e1 indo bem, com o exemplo luminoso de Jos\u00e9 Mujica orientando o governo de Tabar\u00e9 V\u00e1zquez, eleito no ano passado com a maior vota\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do pa\u00eds nos \u00faltimos 70 anos e levando adiante o projeto da esquerdista Frente Ampla. \u00c9 como uma ilha de equil\u00edbrio pol\u00edtico e consci\u00eancia c\u00edvica em um subcontinente tenso e conflagrado. Adjetivos que nos remetem \u00e0s grandes economias da regi\u00e3o: Brasil, Argentina e Venezuela.<\/p>\n<p>O Brasil vive sua maior crise pol\u00edtica dos \u00faltimos 50 anos, agravada por um desgaste agudo de sua economia, pela interrup\u00e7\u00e3o e invers\u00e3o do crescimento cont\u00ednuo que vimos nos \u00faltimos anos. Neste momento o gigante sul-americano est\u00e1 caindo da posi\u00e7\u00e3o de s\u00e9tima maior economia global para a nona. O aspecto mais assustador \u00e9 o impacto da corrup\u00e7\u00e3o colossal protagonizada por pol\u00edticos, altos funcion\u00e1rios p\u00fablicos e pela casta antes intoc\u00e1vel dos grandes empres\u00e1rios. J\u00e1 est\u00e3o na cadeia pol\u00edticos e parlamentares de todos os partidos e, na avalanche, ex-ministros do presidente Lula e congressistas do Partido dos Trabalhadores. Em consequ\u00eancia, a base pol\u00edtica popular de Lula e do PT diminuiu consideravelmente e os festejados programas de inclus\u00e3o social est\u00e3o amea\u00e7ados.<\/p>\n<p><u>Novo cen\u00e1rio<\/u><\/p>\n<p>Na Argentina, Cristina Kirchner entrega o poder a Mauricio Macri, que se define como de centro-direita. No pr\u00f3ximo 6 de dezembro haver\u00e1 elei\u00e7\u00f5es parlamentares cruciais na Venezuela, mergulhada em uma crise econ\u00f4mica que atinge em cheio a popula\u00e7\u00e3o pela escassez de alimentos e produtos b\u00e1sicos e infla\u00e7\u00e3o galopante (fala-se em 200% em 2015), aumentando o poder da oposi\u00e7\u00e3o. O suspense relacionado com essas elei\u00e7\u00f5es \u00e9 a possibilidade do governo perder a maioria na nova Assembleia Nacional, como apontam as pesquisas eleitorais. Se isso acontecer e os princ\u00edpios democr\u00e1ticos forem mantidos, o poder passar\u00e1 \u00e0s m\u00e3os da MUD, a Mesa de la Unidad Democr\u00e1tica, que se apresenta como liberal.<\/p>\n<p>As primeiras declara\u00e7\u00f5es de Macri, como presidente eleito argentino, foram sobre o fortalecimento das rela\u00e7\u00f5es comerciais Brasil\/Argentina e a expuls\u00e3o da Venezuela do Mercosul, acusando Maduro de desrespeito aos direitos humanos. Dilma n\u00e3o concorda com a expuls\u00e3o da Venezuela, mas pediu \u201dtranspar\u00eancia\u201d a Maduro. Ou seja, muitos choques estremecendo o sonho gerado em 2000 de uma Am\u00e9rica do Sul solid\u00e1ria e libert\u00e1ria, humanista e inclusiva. De quem a culpa? Das pot\u00eancias do Norte e do Leste? Da nossa incompet\u00eancia? De ambos? Muitas interroga\u00e7\u00f5es pairando no ar. Marx: \u201dtudo o que era s\u00f3lido se desmancha no ar, tudo o que era sagrado \u00e9 profanado\u201d.<\/p>\n<p>Por Orlando Senna<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0Orlando Senna nasceu em Afr\u00e2nio Peixoto, munic\u00edpio de Len\u00e7\u00f3is Bahia. Jornalista, roteirista, escritor e cineasta, premiado nos festivais de Cannes, Figueira da Foz, Taormina, P\u00e9saro, Havana, Porto Rico, Brasilia, Rio Cine. Entre seus filmes mais conhecidos est\u00e3o Diamante Bruto e o cl\u00e1ssico do cinema brasileiro, Iracema. Foi diretor da Escola Internacional de Cinema e Televis\u00e3o de San Antonio de los Ba\u00f1os e do Instituto Drag\u00e3o do Mar, Secret\u00e1rio Nacional do Audiovisual (2003\/2007) e Diretor Geral da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 TV Brasil (2007\/2008). Atualmente e presidente da TAL \u2013 Televis\u00e3o Am\u00e9rica Latina e membro do Conselho Superior da Fundacion del Nuevo Cine Latinoamericano.<\/p>\n<p>Itamar Pereira de Aguiar nasceu em Iraquara &#8211; Bahia; concluiu o Gin\u00e1sio e Escola Normal em Len\u00e7\u00f3is, onde foi Diretor de Col\u00e9gio do 1\u00ba e 2\u00ba graus (1974\/1979); graduado em Filosofia, pela UFBA em 1979; Mestre em 1999 e Doutor em Ci\u00eancias Sociais \u2013 Antropologia \u2013 2007, pela PUC\/SP; P\u00f3s Doutor em\u00a0Ci\u00eancias Sociais \u2013 Antropologia \u2013 em 2014, pela UNESP campus de Mar\u00edlia \u2013 SP. Professor Titula da Universidade Estadual do Sudoeste do Estado da\u00a0Bahia \u2013 UESB; elaborou com outros colegas os projetos e liderou o processo de cria\u00e7\u00e3o dos cursos de Licenciatura em Filosofia, Cinema e Audiovisual\/UESB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Blog Refletor\u00a0\u00a0\u00a0TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica Latina De: Orlando Senna Idica\u00e7\u00e3o de Itamar Aguiar A derrota do\u00a0kirchnerismo na Argentina muda o cen\u00e1rio pol\u00edtico da Am\u00e9rica do Sul e estimula d\u00favidas sobre como ser\u00e1 o futuro do Mercosul. 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