{"id":12557,"date":"2026-10-30T23:33:42","date_gmt":"2026-10-31T02:33:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=12557"},"modified":"2026-10-30T23:33:53","modified_gmt":"2026-10-31T02:33:53","slug":"como-ocorreu-o-combate-em-angico-e-o-plano-para-o-ataque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/10\/30\/como-ocorreu-o-combate-em-angico-e-o-plano-para-o-ataque\/","title":{"rendered":"COMO OCORREU O COMBATE EM ANGICO E O PLANO PARA O ATAQUE"},"content":{"rendered":"<h3>\u201cDEPOIMENTOS\u201d<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 O escritor Ant\u00f4nio Amaury Corr\u00eaa de Ara\u00fajo, em sua obra \u201cAssim Morreu Lampi\u00e3o\u201d descreve em detalhes, atrav\u00e9s de depoimentos de coiteiros, barqueiros, soldados e cangaceiros que conseguiram fugir, como aconteceu o combate na fazenda Angico, em Sergipe, e a trama montada pela tropa do tenente Bezerra que resultou na morte do \u201crei do canga\u00e7o\u201d, Maria Bonita e mais nove bandidos do seu bando.<\/h3>\n<h3>\u00a0 O Joca Bernardo foi o principal delator, sem car\u00e1ter e escr\u00fapulos e fazia o papel de X9 para a tropa e coiteiro para Lampi\u00e3o. Nos depoimentos fica bem explicito o seu papel de um sujeito safado, o tipo de espi\u00e3o duplo que at\u00e9 traiu o amigo Pedro de C\u00e2ndido, for\u00e7ado atrav\u00e9s de torturas, a dizer onde estava o coito de Lampi\u00e3o.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Nos depoimentos, Amaury entrevistou Jos\u00e9 Panta de Godoy, o soldado que chegou a atirar na cabe\u00e7a de Lampi\u00e3o enquanto ele se contorcia no final da sua morte. Na linguagem matuta caipira, narra os depoimentos de Adilia, mulher do cangaceiro Can\u00e1rio, Cila Ribeiro de Souza, companheira de Z\u00e9 Sereno e Pedro Benga, dono das canoas com as quais o tenente transportou a tropa na noite de uma quinta-feira de 28 de julho de 1938.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Ouviu tamb\u00e9m Jo\u00e3o de Almeida Santos, o Joca Bernardo, morador da fazenda Novo Gosto, munic\u00edpio de P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, C\u00edcero de Martins, um dos barqueiros que levou a tropa de Piranhas at\u00e9 Entre-Montes para procurar Pedro de C\u00e2ndido, Durval Rodrigues Rosa, o coiteiro irm\u00e3o de Pedro, Abdom Cosme de Andrade, autor do primeiro tiro contra os cangaceiros, Bal\u00e3o, o bandido que conseguiu sobreviver ao combate, Ant\u00f4nio Jac\u00f3 (Man\u00e9 Veio), bra\u00e7o direito de Jo\u00e3o Bezerra, Francisco Rodrigues Pereira, pol\u00edtico e comerciante de Piranhas (Alagoas), Man\u00e9 Feliz, um dos coiteiros de Lampi\u00e3o e Waldemar Damaceno dos Santos, o telegrafista da cidade de Piranhas que transmitiu a mensagem sobre a presen\u00e7a do bando na \u00e1rea a mando do sargento Aniceto, dizendo \u201ctem boi no pasto\u201d.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Sobre o canga\u00e7o e a imprensa, o \u201cEstado de S\u00e3o Paulo\u201d publicou em 3 de agosto de 1938 um artigo intitulado \u201cLampi\u00e3o. O mesmo peri\u00f3dico divulgou em 16 de agosto o coment\u00e1rio sobre \u201cA Cabe\u00e7a de Lampi\u00e3o\u201d criticando o sensacionalismo sem limites com rela\u00e7\u00e3o aos fatos relatados por determinados jornais, inclusive com not\u00edcias falsas.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 O editorialista sobre \u201cLampi\u00e3o\u201d, do Estado de S\u00e3o Paulo, destaca que \u201ca imprensa carioca, possivelmente todo jornalismo ind\u00edgena, tem comentado largamente a fa\u00e7anha das for\u00e7as volantes de um dos estados do Nordeste, que acabam de eliminar o sinistro \u201cLampi\u00e3o\u201d.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Fotografias dos \u201cher\u00f3is\u201d das mil\u00edcias estaduais, tudo isso, juntamente com \u201cclich\u00eas\u201d que focalizam aspectos do reduto geogr\u00e1fico em que estalou o choque, tem sido publicado com abund\u00e2ncia e destaque pelas folhas brasileiras. Aqui tenho dito, mais de uma vez, quanto me repugna e quanto julgo prejudicial esse procedimento da imprensa. N\u00e3o me surpreende que envenenando a mentalidade popular e alvora\u00e7ando o sistema nervoso de uma popula\u00e7\u00e3o sabida e proclamadamente nevropata.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 Entretanto, neste caso triste, \u00e9 necess\u00e1rio que nos bastamos, mais uma vez, contra esses processos de jornalismo. Amanh\u00e3 \u2013 pois n\u00e3o faltam remetentes graciosos \u2013 alguns exemplares desses jornais transpor\u00e3o o Atl\u00e2ntico e ir\u00e3o parar sobre a mesa do secret\u00e1rio de grandes jornais europeus ou estadunidenses. \u00c9 a hora! Os sensacionalistas, que os h\u00e1 tamb\u00e9m l\u00e1 est\u00e3o, aos olhos das multid\u00f5es de pa\u00edses mais civilizados, alguns aspectos do interior do Brasil!<\/h3>\n<h3>\u00a0 Nisso tudo, o que acho mais lament\u00e1vel \u00e9 a atitude dessas pessoas de responsabilidade. N\u00e3o se pode negar que o \u201ccanga\u00e7o\u201d \u00e9 um flagelo t\u00e3o grande quanto a das secas peri\u00f3dicas, o da falta de transportes, o da crendice das popula\u00e7\u00f5es sertanejas que acreditavam na invulnerabilidade do fac\u00ednora de \u201ccorpo fechado\u201d. Todos esses males, entretanto, prov\u00eam \u00fanica e exclusivamente, como todos t\u00eam dito, da falta de cartilha.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 Alfabetizem-se os sert\u00f5es e adeus bandidos, adeus santos e \u201ccoiteiros\u201d. Por que o governo n\u00e3o ouve aquela voz admir\u00e1vel, aquele homem que encarnou todo o pa\u00eds consciente, deplorando a luta, diagnosticando-lhe as causas, ao escrever aquele momento que se chama \u201cOs Sert\u00f5es\u201d? Por que continuamos surdos \u00e0quela voz de compaix\u00e3o e de protesto \u00e0 terr\u00edvel acusa\u00e7\u00e3o que fez Euclides contra a repres\u00e1lia do banditismo?\u201d \u2013 F\u201d.<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cDEPOIMENTOS\u201d \u00a0\u00a0 O escritor Ant\u00f4nio Amaury Corr\u00eaa de Ara\u00fajo, em sua obra \u201cAssim Morreu Lampi\u00e3o\u201d descreve em detalhes, atrav\u00e9s de depoimentos de coiteiros, barqueiros, soldados e cangaceiros que conseguiram fugir, como aconteceu o combate na fazenda Angico, em Sergipe, e a trama montada pela tropa do tenente Bezerra que resultou na morte do \u201crei do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12557"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12557"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12557\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12558,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12557\/revisions\/12558"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12557"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12557"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12557"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}