{"id":12522,"date":"2026-10-22T23:11:24","date_gmt":"2026-10-23T02:11:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=12522"},"modified":"2026-10-22T23:11:35","modified_gmt":"2026-10-23T02:11:35","slug":"a-seca-na-espera-das-chuvas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/10\/22\/a-seca-na-espera-das-chuvas\/","title":{"rendered":"A SECA NA ESPERA DAS CHUVAS"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1945.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12523\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1945.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1945.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1945-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1949.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12524\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1949.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1949.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1949-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>\u00a0 At\u00e9 onde alcan\u00e7a as vistas no infinito do horizonte, s\u00f3 o cinzento da caatinga no semi\u00e1rido baiano e pernambucano. \u00c9 o cen\u00e1rio da seca e da terra estorricada na espera das chuvas de trovoadas que devem bater nesta \u00e9poca de final de ano.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Quando o vento bate forte, as \u00e1guas caem do c\u00e9u e molham o ch\u00e3o. O sertanejo tira o seu chap\u00e9u de couro e faz sua prece de agradecimento ao Criador Todo Poderoso. Sempre diz que \u00e9 uma maravilha e j\u00e1 pensa logo em jogar a semente nas valas do solo para a reprodu\u00e7\u00e3o.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Em algumas partes, mesmo entre as pedras em formatos humanos e de p\u00e1ssaros, resistem os mandacarus e o florido de algumas plantas para embelezar a paisagem como s\u00edmbolos de esperan\u00e7a e f\u00e9 que nunca se acabam entre os nordestinos.<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1955.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12525\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1955.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1955.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1955-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>\u00a0 Em oito dias cruzei terras baianas e pernambucanas atravessando o grande rio mar, Opar\u00e1 para os \u00edndios e S\u00e3o Francisco para os colonizadores, tamb\u00e9m carinhosamente chamado de \u201cVelho Chico\u201d. Nas margens das pistas, o bodada se alimenta das plantas nativas e, \u00e0s vezes, d\u00e3o susto aos motoristas quando atravessam em filas as estradas.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 O morma\u00e7o do calor de 40 graus com as pesadas nuvens escurecidas, que deixa escorrer o suor pelo seu corpo, \u00e9 pren\u00fancio de chuvas em breve. Num s\u00f3 dedo de prosa agrad\u00e1vel, o sertanejo diz sentir que seu organismo garante que a chuva est\u00e1 chegando.<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1958.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12526\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1958.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1958.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1958-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>\u00a0 Fico a matutar sobre a sabedoria popular que vem dos ancestrais, mais s\u00e1bia que a acad\u00eamica pesquisadora que erra em suas previs\u00f5es, principalmente nos imprevistos atuais das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, ou melhor do aquecimento global.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Pelo papo com o nordestino do agreste, sei que em pouco tempo essas imagens cinzentas logo estar\u00e3o renovadas com o colorido exuberante do verde e o brotar das flores. A ter\u00e1 exala outro cheiro perfumado e as aves em revoada voltam a voar entre as \u00e1rvores fazendo a festa da alegria. O calango e a lagartixa correm entre o \u00famido dos gavetos e cascas, colhendo os insetos. \u00c9 \u00e9poca de fartura e barriga cheia para todos. A tristeza d\u00e1 lugar \u00e0 esperan\u00e7a, que nunca morre.<\/h3>\n<h3>\u00a0 As secas s\u00e3o cru\u00e9is e t\u00eam a cara da morte, aquela encapuzada com a foice na m\u00e3o para ceifar o sertanejo, as planta\u00e7\u00f5es e os rebanhos. Com os tanques, cacimbas e as aguadas vazias, o boi berra sedento de sede. \u00c9 um berro de dor.<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1954.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12527\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1954.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1954.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1954-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>\u00a0 Pelas estradas de cascalhos empoeiradas corre o carro-pipa para acudir os necessitados e, por maldade e insensibilidade humana, alguns chefes pol\u00edticos ainda d\u00e3o ordens aos seus contratados para atender somente \u00e0queles que nele votaram.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Quando as estiagens s\u00e3o prolongadas, sem outra sa\u00edda, milhares de sertanejos maltrapilhos, como nas secas de 1877\/79, 1915, 1932\/35 e tantas outras fat\u00eddicas, partem em retirada para outras terras estranhas para nelas serem escravos de patr\u00e3o.<\/h3>\n<h3>\u00a0Em \u201cTriste Partida\u201d, o poeta Patativa do Assar\u00e9 e o m\u00fasico cantor Luiz Gonzaga narram e cantam toda triste saga do sofrido nordestino fugindo do flagelo das sequid\u00f5es. A imprensa e a m\u00eddia em geral sempre estampam suas manchetes de horror e mis\u00e9ria onde milhares tombam de fome.<\/h3>\n<h3>\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1932.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12528\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1932.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1932.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1932-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/h3>\n<h3>O nordestino isolado, sem amparo dos governantes, diz miseric\u00f3rdia Senhor Deus com tanto sofrimento! Perdoai os nossos pecados pelo mal que tanto fizemos porque toda fauna e a flora chora! Chama os compadres e as comadres para rezar e fazer suas prociss\u00f5es, para que S\u00e3o Pedro mande \u00e1gua, ao inv\u00e9s do sal.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Tudo \u00e9 beleza e contentamento quando as preces s\u00e3o atendidas. \u00c9 a seca que se vai com as chuvas, mas, infelizmente, sempre vem outra para o homem do campo enfrentar com resigna\u00e7\u00e3o. Das sementes brotam os frutos e as cidades tamb\u00e9m se beneficiam das colheitas. Esse ciclo est\u00e1 sempre se repetindo.<\/h3>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1920.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12529\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1920.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1920.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1920-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 At\u00e9 onde alcan\u00e7a as vistas no infinito do horizonte, s\u00f3 o cinzento da caatinga no semi\u00e1rido baiano e pernambucano. \u00c9 o cen\u00e1rio da seca e da terra estorricada na espera das chuvas de trovoadas que devem bater nesta \u00e9poca de final de ano. \u00a0 Quando o vento bate forte, as \u00e1guas caem do c\u00e9u [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12522"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12522"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12522\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12530,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12522\/revisions\/12530"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12522"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12522"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12522"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}