{"id":12496,"date":"2026-10-21T23:48:31","date_gmt":"2026-10-22T02:48:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=12496"},"modified":"2026-10-21T23:48:43","modified_gmt":"2026-10-22T02:48:43","slug":"juazeiro-esta-pegando-fogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/10\/21\/juazeiro-esta-pegando-fogo\/","title":{"rendered":"JUAZEIRO EST\u00c1 PEGANDO FOGO"},"content":{"rendered":"<h3>A BEN\u00c7\u00c3O MEU \u201cVELHO CHICO\u201d!<\/h3>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1865.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12497\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1865.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1865.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1865-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/h3>\n<h3>\u00a0 Para quem sai de Vit\u00f3ria da Conquista com pouco mais de 30 graus e entra em Juazeiro \u201cpegando fogo\u201d de 40 graus e at\u00e9 com sensa\u00e7\u00e3o de mais que isso, escorre pelo corpo o suor do tipo cuscuzeiro numa caatinga estorricada que s\u00f3 de verde o mandacaru.<\/h3>\n<h3>\u00a0Pelas estradas cruzam os bodes catando baga\u00e7os e o agreste me faz lembrar dos nordestinos retirantes e dos cangaceiros fugindo das volantes ou combatendo contra os \u201cmacacos\u201d como os chamava Lampi\u00e3o. Em Pernambuco passei por Lagoa Grande onde ele cometeu muitos crimes e saqueou o povoado, hoje cidade, cujo munic\u00edpio \u00e9 grande produtor de vinho, gra\u00e7as ao Rio S\u00e3o Francisco.<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1866.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12498\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1866.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1866.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1866-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>\u00a0 Como sempre fa\u00e7o quando venho para essas bandas, onde nessas terras cortou o \u201crei do canga\u00e7o\u201d e seus bandoleiros, costumo ir ao leito do nosso majestoso S\u00e3o Francisco, ou o \u201cVelho Chico\u201d, para os \u00edndios, Opar\u00e1, e pedir sua ben\u00e7\u00e3o, nele mergulhar e tomar muita \u00e1gua, sen\u00e3o o corpo desvanece.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Quando aqui chego, a primeira coisa que me vem \u00e0 cabe\u00e7a \u00e9 escrever algumas linhas sobre ele como forma de lhe prestar homenagens e pedir perd\u00e3o pela forma como o homem o depreda e deixa suas margens desmatadas e asseroadas.<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1869.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12499\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1869.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1869.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1869-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>\u00a0\u00a0 Dele tudo se retira, como a transposi\u00e7\u00e3o das suas \u00e1guas que n\u00e3o chegam aos pobres catingueiros que ainda dependem dos tanques e das cisternas, e pouco se rep\u00f5e. At\u00e9 hoje, quem mais se beneficiam do \u201cVelho Chico\u201d s\u00e3o as empresas de fruticulturas e as vin\u00edcolas que at\u00e9 recebem financiamentos dos governos estadual e federal.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 Tudo isso me faz lembrar da grande estiagem, h\u00e1 cerca de 20 anos, que fez aparecer os bancos de areias e desaparecer as pequenas ilhas, tornando o Opar\u00e1 inaveg\u00e1vel. Foi in\u00edcio dos anos 2000 que fez um frei de Barreiras decretar greve de fome contra a transposi\u00e7\u00e3o das suas \u00e1guas. Tempos terr\u00edveis e muitos chegaram a falar no desaparecimento do rio.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 O mais contradit\u00f3rio e aberrante \u00e9 que ensinam nas escolas que o Opar\u00e1, batizado por Rio S\u00e3o Francisco, em homenagem a S\u00e3o Francisco de Assis, foi \u201cdescoberto\u201d em 4 de outubro de 1501 pelos navegadores Am\u00e9rico Vesp\u00facio e Andr\u00e9 Gon\u00e7alves, s\u00f3 que ele \u00e9 milenar e j\u00e1 existia e navegava cheio de farturas muitos s\u00e9culos atr\u00e1s.<\/h3>\n<h3>\u00a0 \u00a0\u00a0O S\u00e3o Francisco tem suas lendas e hist\u00f3rias, com suas carrancas, o nego d\u00b4\u00e1gua, a Iara ou M\u00e3e D\u00b4\u00c1gua que dorme dois ou tr\u00eas minutos na meia noite e depois vai pentear seus cabelos nas canoas dos barqueiros; tem as rezadeiras, os curandeiros e seus ribeirinhos que dele tiravam seu sustento do dia a dia. Hoje est\u00e1 escasso e at\u00e9 o surubim \u00e9 dif\u00edcil de ser encontrado.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Em seu leito abriram grandes barragens, como a do Sobradinho, impedindo a navega\u00e7\u00e3o em diversas partes. Por ele atravessaram valentes, volantes e retirantes nordestinos fugindo das secas que dizimaram milhares de sertanejos. Foi testemunho de acontecimentos importantes no cen\u00e1rio nacional.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 Com a expans\u00e3o do plantio da cana-de-a\u00e7\u00facar no litoral do Nordeste, os gados come\u00e7aram a ocupar as margens do \u201cVelho Chico\u201d e ele tamb\u00e9m passou a ser chamado de rio dos Currais.<\/h3>\n<h3>\u00a0 O S\u00e3o Francisco atravessa cinco estados, Minas Gerais (nasce na Serra da Canastra), Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe onde suas \u00e1guas se encontram com o mar, percorrendo 2.863 quil\u00f4metros. \u00c9 considerado o rio totalmente brasileiro.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 Por isso e muito mais, o \u201cVelho Chico\u201d, como assim \u00e9 apelidado carinhosamente, merece a minha ben\u00e7\u00e3o e a ele eu fa\u00e7o sempre as minhas preces num demorado bate-papo s\u00f3 nosso. Conto os meus segredos e, como velho ancestral, rogo pelas suas orienta\u00e7\u00f5es para meu retorno de outras tantas vezes. A ben\u00e7\u00e3o meu \u201cVelho Chico\u201d! At\u00e9 a pr\u00f3xima!<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1871.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12500\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1871.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1871.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/DSC_1871-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A BEN\u00c7\u00c3O MEU \u201cVELHO CHICO\u201d! \u00a0 Para quem sai de Vit\u00f3ria da Conquista com pouco mais de 30 graus e entra em Juazeiro \u201cpegando fogo\u201d de 40 graus e at\u00e9 com sensa\u00e7\u00e3o de mais que isso, escorre pelo corpo o suor do tipo cuscuzeiro numa caatinga estorricada que s\u00f3 de verde o mandacaru. \u00a0Pelas estradas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12496"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12496"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12496\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12501,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12496\/revisions\/12501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12496"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12496"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12496"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}