{"id":12475,"date":"2026-10-09T00:19:23","date_gmt":"2026-10-09T03:19:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=12475"},"modified":"2026-10-09T00:20:08","modified_gmt":"2026-10-09T03:20:08","slug":"dia-do-nordestino-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/10\/09\/dia-do-nordestino-3\/","title":{"rendered":"DIA DO NORDESTINO"},"content":{"rendered":"<h3>\u00a0 Minha aldeia \u00e9 sem igual no mundo, pois aqui existe o bioma denominado de caatinga, ou terras do semi\u00e1rido, onde tem o pereiro, a aroeira, o juazeiro, o umbuzeiro, o xiquexique, as catingueiras, o rompe gib\u00e3o, os marmeleiros, os facheiros e o imponente e resistente mandacaru.<\/h3>\n<h3>\u00a0Na minha aldeia ouve-se o piado e o canto do carcar\u00e1, do gavi\u00e3o, da asa branca, da gra\u00fana, o p\u00e1ssaro preto reluzente do sert\u00e3o, da m\u00e3e-da-lua, da cau\u00e3 e outras infinidades de esp\u00e9cies s\u00edmbolos do meu Nordeste onde o seu valente povo \u00e9 conhecido e chamado de nordestino.<\/h3>\n<h3>\u00a0 N\u00e3o poderia deixar passar em branco o \u201cDia do Nordestino\u201d, comemorado todos os anos em 8 de outubro. O nordestino \u00e9 o sert\u00e3o profundo de gente simples sofredora, diferente do cerrado cheio de \u00e1guas e cachoeiras do famoso escritor Guimar\u00e3es Rosa, se bem que aqui tamb\u00e9m temos corredeiras da Chapada Diamantina.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Com todo respeito ao grande \u201cRosa\u201d, mas lhe parodiando, tenho dentro de mim a \u201cCaatinga Veredas\u201d, que nos leva \u00e0s hist\u00f3rias de lutas do canga\u00e7o, da Coluna Prestes, dos misticismos religiosos, do Conselheiro, do \u201cPadim Ci\u00e7o\u201d e demais personagens que fazem parte da nossa cultura.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Foi aqui em nosso Nordeste que proliferou a poesia de cordel e gerou grandes escritores, como Graciliano Ramos, Jos\u00e9 Lins do Rego, C\u00e2mara Cascudo, Jos\u00e9 de Alencar, Jorge Amado, Jo\u00e3o Ubaldo Ribeiro, Ariano Suassuna, dentre tantos outros, sem falar nos baianos jurista Ruy Barbosa, o \u00c1guia de Haia, e no poeta dos poetas, o condoreiro Castro Alves com suas \u201cEspumas Flutuantes\u201d.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 Temos cineastas do quilate de Glauber Rocha, economistas planejadores do desenvolvimento brasileiro, a exemplo do paraibano Celso Furtado, ativistas pol\u00edticos que deram suas vidas e lutaram at\u00e9 a morte contra as ditaduras.<\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3>\u00a0O nordestino \u00e9 o Nordeste dos repentistas, dos trovadores, contadores de causos e chulas, dos grandes compositores m\u00fasicos como Z\u00e9 Ramalho, Geraldo Vandr\u00e9, Elba Ramalho, Luiz Gonzaga, com sua sanfona ao som de \u201cAsa Branca\u201d, que voou pelo mundo a fora, Humberto Teixeira, Z\u00e9 Dantas, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Capinam, Tom Z\u00e9, Novos Baianos e toda uma gera\u00e7\u00e3o conhecida internacionalmente.<\/h3>\n<h3>\u00a0Neste \u201cDia do Nordestino\u201d, quero tamb\u00e9m falar da nossa terra de bravos, mulheres e homens an\u00f4nimos que fizeram e fazem parte da nossa hist\u00f3ria e da nossa rica cultura, cheia de mist\u00e9rios, f\u00e9 e religi\u00e3o. Nosso sert\u00e3o \u00e9 \u00fanico, cinzento nos enga\u00e7os e baga\u00e7os, misturados com o verde e o colorido quando chegam as trovoadas de final de ano.<\/h3>\n<h3>\u00a0 O nordestino tem um cheiro pr\u00f3prio e peculiar. Brilha em seus olhos a paisagem do seu solo. Sua pele \u00e9 queimada e mesti\u00e7a do sol onde exala pura poesia. Em seu sangue corre a arte como mat\u00e9ria-prima em suas diversas linguagens.<\/h3>\n<h3>O nordestino \u00e9 tamb\u00e9m o Nordeste dos retirantes, dos caminh\u00f5es paus-de-arara que daqui sa\u00edram na \u201cTriste Partida\u201d, de Patativa do Assar\u00e9, para construir S\u00e3o Paulo e outras terras estranhas. O nordestino \u00e9 o retorno de saudades pelo torr\u00e3o querido.<\/h3>\n<h3>\u00a0 O nordestino \u00e9 o Nordeste da Bahia, dos her\u00f3is que consolidaram a independ\u00eancia do Brasil, do Maranh\u00e3o, do Cear\u00e1, do Piau\u00ed, do Rio Grande do Norte, da Para\u00edba, de Pernambuco, de Alagoas e Sergipe. O nordestino \u00e9 o S\u00e3o Francisco, o \u201cVelho Chico\u201d, ou melhor, o Opar\u00e1 ind\u00edgena, com suas \u00e1guas dando vida aos ribeirinhos, banhando nossas margens e abrindo canais de irriga\u00e7\u00e3o para nossa agricultura.<\/h3>\n<h3>\u00a0 O nordestino \u00e9 esse Nordeste que reverencio, do qual tenho orgulho de dizer que dele sou filho, e repudia os preconceituosos racistas e xen\u00f3fobos dos imbecis sulistas que em muito contribu\u00edram para que houvesse essa desigualdade regional, desde os tempos coloniais.<\/h3>\n<h3>Por cerca de quatro s\u00e9culos, o Nordeste viveu isolado e submetido \u00e0 chibata dos coron\u00e9is, dos grandes latifundi\u00e1rios, dos chefes pol\u00edticos, castigado pelas secas que dizimaram milhares de almas e das injusti\u00e7as sociais que empurraram os sertanejos para a viol\u00eancia e \u00e0s barbaridades do cangaceirismo.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 Daqui exploraram nosso suor e ainda nos chamam de atrasados e arcaicos, mas, como diz a B\u00edblia, \u201cperdoai, oh Senhor, porque eles n\u00e3o sabem o que falam\u201d! Apesar de todos os sofrimentos do passado tenebroso explorat\u00f3rio, como disse Euclides da Cunha, o sertanejo nordestino \u00e9 antes de tudo um forte e continua sendo trincheira da resist\u00eancia. Por onde passou deixou seu legado e exemplo de honradez, de car\u00e1ter, de trabalho e de cultura.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 O Nordeste possui uma enorme diversidade de culturas populares, como as festas juninas com seus ritmos peculiares do forr\u00f3, do bai\u00e3o, do xaxado; os Ternos de Reis; o Maracatu; o Frevo; o Bumba meu Boi e outras express\u00f5es que ainda conservam suas tradi\u00e7\u00f5es.<\/h3>\n<h3>\u00a0 A lista de grandeza \u00e9 extensa e aqui n\u00e3o estou assinalando as belezas naturais do seu litoral, da Chapada Diamantina, na Bahia, o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piau\u00ed, com suas pinturas rupestres das antigas civiliza\u00e7\u00f5es pesquisadas pela arque\u00f3loga brasileira Ni\u00e8de Guidon, os len\u00e7\u00f3is maranhenses e tantas outras riquezas que encantam o mundo.<\/h3>\n<h3><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Minha aldeia \u00e9 sem igual no mundo, pois aqui existe o bioma denominado de caatinga, ou terras do semi\u00e1rido, onde tem o pereiro, a aroeira, o juazeiro, o umbuzeiro, o xiquexique, as catingueiras, o rompe gib\u00e3o, os marmeleiros, os facheiros e o imponente e resistente mandacaru. \u00a0Na minha aldeia ouve-se o piado e o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12475"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12475"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12475\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12476,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12475\/revisions\/12476"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}