{"id":12462,"date":"2026-10-02T23:49:50","date_gmt":"2026-10-03T02:49:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=12462"},"modified":"2026-10-02T23:50:21","modified_gmt":"2026-10-03T02:50:21","slug":"a-morte-do-padim-cico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/10\/02\/a-morte-do-padim-cico\/","title":{"rendered":"A MORTE DO &#8220;PADIM CI\u00c7O&#8221;"},"content":{"rendered":"<h3>\u00a0\u00a0 \u00a0Por paralisia intestinal, aos 90 anos de idade, morre em 20 de julho de 1934, em Juazeiro do Norte, o padre C\u00edcero Rom\u00e3o Batista, o \u201cPadim Ci\u00e7o\u201d, o todo poderoso do sert\u00e3o nordestino que chegou a derrubar um governador do Cear\u00e1 e era inimigo ferrenho da Coluna Prestes, cujo comandante Lu\u00eds Carlos Prestes era considerado por ele um satan\u00e1s sa\u00eddo dos infernos da R\u00fassia.<\/h3>\n<h3>\u00a0 A not\u00edcia correu como rastilho de p\u00f3lvora e logo chegou aos ouvidos de Lampi\u00e3o e seu bando atrav\u00e9s da sua rede de olheiros, coiteiros e espi\u00f5es. Embora n\u00e3o se encontrassem por cerca de oito anos, o \u201crei do canga\u00e7o\u201d sempre tinha o sacerdote como seu grande protetor espiritual e ficou muito consternado com seu falecimento.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Um poeta an\u00f4nimo chegou a fazer esses versos: \u201cO vento silenciou,\/O sol apagou a luz,\/A imagem do Senhor\/Chorou pregado na cruz.\/A terra quase tremia\/Sua morte parecia\/Com a morte de Jesus\u201d<\/h3>\n<h3>\u00a0 Narra o escritor Frederico Bezerra Maciel, em sua obra \u201cLampi\u00e3o, seu Tempo e seu Reinado\u201d que o pesar do \u201ccapit\u00e3o\u201d foi profundo, de um sil\u00eancio absoluto e todas mulheres choraram. O chefe mandou logo comprar faixas de crepe para o luto de oito dias. Todos cangaceiros usaram fumo no bra\u00e7o. As mulheres l\u00f3 tingido de preto cobrindo a cabe\u00e7a.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Lampi\u00e3o ordenou que cortassem duas toras finas de pereiro, em tamanho desigual e com elas formou uma cruz. Na haste superior, enla\u00e7ou um peda\u00e7o de tarja, \u201cque o vento drapejava anunciando de longe o luto do sert\u00e3o\u201d.<\/h3>\n<h3>\u00a0 De acordo com Bezerra, \u201c\u00e0 noite, por uma dessas circunst\u00e2ncias que desconcertam o pensamento e despertam press\u00e1gios, uma nocticanora m\u00e3e-da-lua pousou no bra\u00e7o horizontal do cruzeiro. At\u00e9 a madrugada, enquanto durou o escuro, soltava seu canto estranho e plangente\u201d<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 Conta a hist\u00f3ria que a m\u00e3e-da-lua come\u00e7ou com seu canto alto, depois descia em escalas de notas uivantes e muito longas, como gemidos sofridos de moribundo desesperado de dor. Na descri\u00e7\u00e3o do autor do livro, os sons rasgantes davam a impress\u00e3o de gargalhadas sarc\u00e1sticas e apavorantes. Era a morte zombeteira mangando da dor sertaneja.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Aquele canto da m\u00e3e-da-lua, segundo Frederico, deixou Lampi\u00e3o sobressaltado a noite inteira, com sonhos e pesadelos. Pela manh\u00e3, confidenciou a Maria Bonita seu pressentimento de que o \u201cPadim Ci\u00e7o\u201d viria busc\u00e1-lo em um fim do m\u00eas de julho.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Oito dias depois, no fim do luto, a m\u00e3e-da-lua voltou a cantar e a repetir os mesmos lamentos no cruzeiro erguido no alto da caatinga. Lampi\u00e3o teve os mesmos sonhos, inclusive nos anos subsequentes. Crendice, ou n\u00e3o, Lampi\u00e3o seria morto, na gruta do Angico, em 28 de julho de 1938.<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0 \u00a0Por paralisia intestinal, aos 90 anos de idade, morre em 20 de julho de 1934, em Juazeiro do Norte, o padre C\u00edcero Rom\u00e3o Batista, o \u201cPadim Ci\u00e7o\u201d, o todo poderoso do sert\u00e3o nordestino que chegou a derrubar um governador do Cear\u00e1 e era inimigo ferrenho da Coluna Prestes, cujo comandante Lu\u00eds Carlos Prestes era [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12462"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12462"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12462\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12463,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12462\/revisions\/12463"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12462"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12462"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12462"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}