{"id":12460,"date":"2026-10-01T23:32:35","date_gmt":"2026-10-02T02:32:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=12460"},"modified":"2026-10-01T23:32:48","modified_gmt":"2026-10-02T02:32:48","slug":"saudadepontodoc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/10\/01\/saudadepontodoc\/","title":{"rendered":"SAUDADEPONTODOC"},"content":{"rendered":"<ul>\n<li>\n<h3>Chico Ribeiro Neto)<\/h3>\n<\/li>\n<\/ul>\n<h3>(Cr\u00f4nica publicada no jornal A Tarde em 26\/12\/1996)<\/h3>\n<h3>A Reda\u00e7\u00e3o de A Tarde est\u00e1 informatizada. As \u00faltimas editorias est\u00e3o deixando as m\u00e1quinas de escrever e assumindo os computadores. Est\u00e1 todo mundo deletando e &#8220;pontodocando&#8221;.<\/h3>\n<h3>A informatiza\u00e7\u00e3o exigiu uma semana de treinamento para rep\u00f3rteres e editores. A t\u00e9cnica \u00e9 facilmente assimilada &#8211; o teclado \u00e9, no fundo, uma m\u00e1quina de escrever adaptada -, mas a cara dos colegas no primeiro dia era muito engra\u00e7ada. Todos queriam fazer uma gracinha, mas a cara estava tremendo. Somente coisa de primeiro dia, pois no segundo todos j\u00e1 estavam metidos a bamba.<\/h3>\n<h3>Dif\u00edcil acreditar que o papel est\u00e1 acabando. Gostoso mesmo era arrancar a lauda da m\u00e1quina quando a gente escrevia a \u00faltima linha da mat\u00e9ria. Quando comecei em jornal fui fazer isso a primeira vez e a lauda rasgou ao meio. Demorei um pouco pra entrar em forma e fazer aquele zap pra lauda sair inteira.<\/h3>\n<h3>Dizem que tinha um redator, em Porto Alegre, que, quando informatizaram o jornal, s\u00f3 sentava no computador com um pacote de laudas ao lado. Quando errava na tela, amassava uma lauda e jogava na cesta.<\/h3>\n<h3>O que ser\u00e1 das m\u00e1quinas de escrever da Reda\u00e7\u00e3o? Alfredo Castro me fez a pergunta que eu n\u00e3o soube responder, mas que elas levam muitas hist\u00f3rias, levam. Algumas j\u00e1 estavam at\u00e9 cansadas de tanta not\u00edcia. De manh\u00e3, cuidavam de escrever sobre cultura, de tarde not\u00edcias da cidade e de noite reportagens policiais.<\/h3>\n<h3>Outras m\u00e1quinas pareciam cochilar\u00a0 junto com a gente, nos intermin\u00e1veis plant\u00f5es da Guerra do Golfo, da agonia de Tancredo Neves e do sequestro feito por Leonardo Pareja.<\/h3>\n<h3>As velhas m\u00e1quinas podem ir parar, talvez, num escrit\u00f3rio de contabilidade da Avenida Sete e, quem sabe, uma delas n\u00e3o sirva para que o cont\u00ednuo bata sua primeira carta de amor datilografada?<\/h3>\n<h3>Cada um marcava sua m\u00e1quina de escrever preferida. Ant\u00f4nio Jos\u00e9, por exemplo, tinha uma Olivetti azul que ai de quem estivesse com ela \u00e0s 18 horas, quando ele chegava.<\/h3>\n<h3>Outros arranhavam o nome na m\u00e1quina, colavam durex, escondiam, faziam o diabo para ter a preferida ao lado.<\/h3>\n<h3>Hoje, na Reda\u00e7\u00e3o informatizada, o computador \u00e9 de todo mundo. Bateu a senha, entrou e ele ainda lhe d\u00e1 bom-dia. Democr\u00e1tico, esse rapaz.<\/h3>\n<h3>E o barulho? O tic-tac das m\u00e1quinas acabou e na Reda\u00e7\u00e3o informatizada n\u00e3o\u00a0 precisa mais falar alto, mania de todo jornalista. O sil\u00eancio \u00e9 t\u00e3o grande que n\u00e3o se pode mais nem contar segredo &#8211; afinal,\u00a0 j\u00e1 existe o correio eletr\u00f4nico.<\/h3>\n<h3>A not\u00edcia continua nos acompanhando, mas a gente tem o direito de sentir saudade.<\/h3>\n<h3>(Veja cr\u00f4nicas anteriores em\u00a0<a href=\"http:\/\/leiamaisba.com.br\/\">leiamaisba.com.br<\/a>)<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chico Ribeiro Neto) (Cr\u00f4nica publicada no jornal A Tarde em 26\/12\/1996) A Reda\u00e7\u00e3o de A Tarde est\u00e1 informatizada. As \u00faltimas editorias est\u00e3o deixando as m\u00e1quinas de escrever e assumindo os computadores. Est\u00e1 todo mundo deletando e &#8220;pontodocando&#8221;. A informatiza\u00e7\u00e3o exigiu uma semana de treinamento para rep\u00f3rteres e editores. 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