{"id":12440,"date":"2026-09-25T22:40:08","date_gmt":"2026-09-26T01:40:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=12440"},"modified":"2026-09-25T22:40:43","modified_gmt":"2026-09-26T01:40:43","slug":"vocabularios-matutos-do-sertao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/09\/25\/vocabularios-matutos-do-sertao\/","title":{"rendered":"VOCABUL\u00c1RIOS MATUTOS DO SERT\u00c3O"},"content":{"rendered":"<h3>\u00a0 Em seu livro \u201cLampi\u00e3o, Seu Tempo e Seu Reinado\u201d, o pernambucano Frederico Bezerra Maciel, estudioso de temas regionais, sacerdote com estudos eclesi\u00e1sticos em S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Olinda, usa alguns vocabul\u00e1rios matutos, muitos dos quais do arca\u00edsmo nordestino.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Vejamos alguns deles:<\/h3>\n<h3>Contecos \u2013 contos de reis<\/h3>\n<h3>Truve (arca\u00edsmo) \u2013 trouxe<\/h3>\n<h3>\u00c0s Tuias, por \u00e0s tulhas \u2013 aos montes<\/h3>\n<h3>Extratado \u2013 perfumado<\/h3>\n<h3>Falso do corpo \u2013 pederasta, passivo<\/h3>\n<h3>Grelha, de escancho \u2013 cavalo magro, ordin\u00e1rio de monta<\/h3>\n<h3>Madruceu \u2013 amadureceu<\/h3>\n<h3>O-n\u00e3o-sei-que-diga \u2013 diabo<\/h3>\n<h3>Percis\u00e3o \u2013 por precis\u00e3o, de precisar, necessitar, satisfazer o sexo<\/h3>\n<h3>Bisaco \u2013 mochila de pano<\/h3>\n<h3>Bog\u00f3 \u2013 saco de couro com gargalho, amarrado numa corda<\/h3>\n<h3>Liformizado \u2013 uniformizado, bem vestido<\/h3>\n<h3>Cangalha abade \u2013 abarda \u00e9 o pequeno colch\u00e3o de capim sobre o qual se coloca a cangalha a fim de n\u00e3o ferir o lombo do animal.<\/h3>\n<h3>Grugunzado \u2013 rumor confuso de vozes humanas.<\/h3>\n<h3>Arripunar \u2013 repugnar<\/h3>\n<h3>Disgramado \u2013 por desgramado, desgra\u00e7ado<\/h3>\n<h3>Mucumbo \u2013 designa o c\u00f3ccix, ou matutagem<\/h3>\n<h3>Mucumbu \u2013 pode ser tamb\u00e9m n\u00e1dega, bunda<\/h3>\n<h3>Furico ou furnico \u2013 \u00e2nus<\/h3>\n<h3>Mul\u00e9stia dos cachorros \u2013 express\u00e3o ofensiva, significando grande raiva ou \u00f3dio<\/h3>\n<h3>Tripa gaiteira \u2013 \u00e2nus<\/h3>\n<h3>Maliconia, Maniconia \u2013 melancolia<\/h3>\n<h3>Canhim \u2013 Caim e tamb\u00e9m o diabo<\/h3>\n<h3>Destiorado \u2013 enfraquecido, estragado<\/h3>\n<h3>P\u00e9s-de-barro ou P\u00e9-branco &#8211;\u00a0 assim chamados os soldados (macacos) que, vindos da capital, n\u00e3o suportavam as andadas \u00e1speras do sert\u00e3o.<\/h3>\n<h3>Ganhando o oco do mundo \u2013 correr em disparada com medo, assustado, perdido, deixando tudo para tr\u00e1s.<\/h3>\n<h3>\u00a0Existem tamb\u00e9m os rituais de rezas pr\u00f3prias da regi\u00e3o em ocasi\u00f5es espec\u00edficas, como no sepultamento de um defunto, chamadas de \u201cIncelen\u00e7as (excel\u00eancias) e Benditos\u201d.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u201cUma Incelen\u00e7a,\/\u00d3 M\u00e3e amorosa,\/ Seu filho vai morto\/Da vida saudosa. E na reza do bendito:\/Eu ofere\u00e7o esta reza\/ Ao Sinh\u00f4 que t\u00e1 na Cruz,\/Que nos livre do malino\/ Pra sempre. Am\u00e9m, Jesus.<\/h3>\n<h3>Ainda fazendo parte do ritual, ao descer o corpo na cova, e pondo as despedidas nos l\u00e1bios do falecido:<\/h3>\n<h3>\u00a0 Adeus, meu irm\u00e3o,\/Amigos tamb\u00e9m,\/ Eu vou pra eternidade,\/Pra sempre, Am\u00e9m.<\/h3>\n<h3><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Em seu livro \u201cLampi\u00e3o, Seu Tempo e Seu Reinado\u201d, o pernambucano Frederico Bezerra Maciel, estudioso de temas regionais, sacerdote com estudos eclesi\u00e1sticos em S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Olinda, usa alguns vocabul\u00e1rios matutos, muitos dos quais do arca\u00edsmo nordestino. \u00a0 Vejamos alguns deles: Contecos \u2013 contos de reis Truve (arca\u00edsmo) \u2013 trouxe \u00c0s [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12440"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12440"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12440\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12441,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12440\/revisions\/12441"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12440"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12440"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12440"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}