{"id":1244,"date":"2015-11-04T02:08:25","date_gmt":"2015-11-04T05:08:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1244"},"modified":"2015-11-04T02:08:32","modified_gmt":"2015-11-04T05:08:32","slug":"e-preciso-repensar-a-pm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2015\/11\/04\/e-preciso-repensar-a-pm\/","title":{"rendered":"\u00c9 PRECISO REPENSAR A PM"},"content":{"rendered":"<p>A for\u00e7a policial brasileira \u00e9 a que mais mata no mundo. \u00c9 o que diz relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o Anistia Internacional. Diante de fatos comprovados atrav\u00e9s de atitudes e pr\u00e1ticas reais de viol\u00eancias noticiadas quase que diariamente pela imprensa, a pol\u00edcia militar, em quest\u00e3o, precisa ser totalmente repensada. N\u00e3o \u00e9 mais conceb\u00edvel a persist\u00eancia de mentalidades arcaicas na sociedade atual.<\/p>\n<p>Criada desde o imp\u00e9rio, mais para proteger as grandes propriedades dos senhores do reino, ela hoje tem o casco endurecido e necessita de uma nova roupagem longe da concep\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria de reprimir e matar como \u00e9 pregado nos quart\u00e9is por muitos oficiais quando dizem que \u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d, enquanto a viol\u00eancia s\u00f3 faz aumentar.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem defenda sua extin\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o de uma nova corpora\u00e7\u00e3o, bem mais instru\u00edda do ponto de vista do saber lidar e se relacionar com as comunidades em suas abordagens. A popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o quer mais uma pol\u00edcia que passa a maior parte de seus treinamentos fazendo exerc\u00edcios f\u00edsicos, atirando em alvos e ouvindo de seu comandante a ordem de que ele (o soldado) est\u00e1 sendo preparado para uma guerra como se o povo fosse o inimigo.<\/p>\n<p>A pol\u00edcia da repress\u00e3o do pobre (n\u00e3o quero aqui falar de cor) est\u00e1 caduca, viciada e contaminada, inclusive empregando m\u00e9todos e for\u00e7a da \u00e9poca do regime militar. Ali\u00e1s, pela Constitui\u00e7\u00e3o, ela \u00e9 ainda subordinada ao Ex\u00e9rcito. Modificar a cena do crime, forjar tiroteios e mortes para incriminar a v\u00edtima (seja marginal ou n\u00e3o) foram pr\u00e1ticas costumeiras da ditadura contra pol\u00edticos e os considerados subversivos.<\/p>\n<p><!--more--> \u00c9 certo que n\u00e3o s\u00e3o todos corruptos, que aceitam propinas e fazem acordos com traficantes e bandidos, mas o n\u00famero daqueles que t\u00eam desvios de condutas s\u00f3 tem crescido e aumentado, bem como as matan\u00e7as e as chacinas dos esquadr\u00f5es da morte. No Rio de Janeiro, por exemplo, descobriu-se que um batalh\u00e3o, inclusive o comando, era todo corrupto.<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 mais para dizer e esconder que s\u00e3o apenas poucos os policiais fardados que optam pela bandidagem. A contamina\u00e7\u00e3o \u00e9 cada vez mais crescente. Em pa\u00edses desenvolvidos, as institui\u00e7\u00f5es tendem a se renovar e a se evoluir com as mudan\u00e7as sociais. Aqui elas continuam com os mesmos m\u00e9todos antiquados, brutos, injustos e est\u00fapidos.<\/p>\n<p>Para comprovar essa mancha da repress\u00e3o, segundo a Anistia Internacional, o Brasil aparece como pa\u00eds que tem o maior n\u00famero geral de homic\u00eddios no mundo inteiro. S\u00f3 em 2012 foram 56 mil homic\u00eddios. Em 2014, dos homic\u00eddios ocorridos, 15,6% tinham um policial no gatilho. A pol\u00edcia atira em pessoas que j\u00e1 se renderam, que est\u00e3o feridas e sem advert\u00eancia para que o suspeito se entregue.<\/p>\n<p>O pior de tudo \u00e9 que a maioria dos policiais nunca foi punida. A Anistia acompanhou 220 investiga\u00e7\u00f5es sobre mortes causadas por policiais desde 2011. Neste per\u00edodo, apenas num caso o soldado chegou a ser formalmente acusado pela justi\u00e7a. Dos 220 casos neste ano, 183 investiga\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o tinham sido conclu\u00eddas.<\/p>\n<p>N\u00e3o temos s\u00f3 o caso do pedreiro Amarildo (Rio de Janeiro), mas muitos de trucul\u00eancia, in\u00e9pcia e despreparo nas abordagens seguidas de mortes. Recentemente um sargento atirou em dois rapazes numa moto alegando ter confundido um macaco hidr\u00e1ulico como uma arma que eles levavam na garupa do ve\u00edculo. Mesmo que fosse uma metralhadora o ato n\u00e3o \u00e9 justific\u00e1vel. Ainda est\u00e3o quentes as chacinas ocorridas em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Iguais a estes fatos existem centenas por a\u00ed, como o caso do menino Maicon, em Vit\u00f3ria da Conquista, que os policiais terminaram atirando nele quando de uma a\u00e7\u00e3o desastrada e ainda esconderam o corpo. H\u00e1 tr\u00eas anos que n\u00e3o se tem uma resposta. Basta um bandido assassinar um policial para um grupo deles agir por conta pr\u00f3pria e sair por a\u00ed fazendo matan\u00e7as de qualquer jeito.<\/p>\n<p>Mais uma vez, vamos relembrar aqui a chacina que policiais praticaram h\u00e1 cerca de 10 anos numa periferia de Vit\u00f3ria da Conquista. Na \u00e9poca, uma promotora foi amea\u00e7ada de morte (morreu depois num acidente de carro). At\u00e9 hoje, nada esclarecido. Os culpados devem estar atuando nas ruas.<\/p>\n<p>Em todas as mortes se pede que a justi\u00e7a seja feita, e as \u201cautoridades\u201d declaram que o caso est\u00e1 sendo investigado e apurado. \u00c9 por essas e outras que a popula\u00e7\u00e3o tem medo e n\u00e3o confia mais na pol\u00edcia. Sempre impera o corporativismo, como em todas as categorias, inclusive entre as ouvidorias que mais existem como fachadas e n\u00e3o como \u00f3rg\u00e3os s\u00e9rios para punir.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o cresce, a viol\u00eancia aumenta e s\u00f3 os comandantes e os governantes n\u00e3o aceitam que a institui\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia militar seja urgentemente repensada, n\u00e3o bastando apenas adotar aquela disciplina r\u00edgida de quartel. \u00c9 preciso colocar de uma vez na cabe\u00e7a da corpora\u00e7\u00e3o que o cidad\u00e3o merece todo respeito e n\u00e3o pode ser desacatado tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Outro equ\u00edvoco \u00e9 a rigidez dos col\u00e9gios militares que imp\u00f5em aos jovens estudantes uma disciplina de quartel e ainda ensinam que em 31 de mar\u00e7o de 1964 aconteceu uma revolu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o um golpe civil-militar no Brasil. Meninos e meninas convivem com soldados armados nas salas e corredores das escolas com a maior naturalidade. Os alunos perfilam com m\u00e3os para tr\u00e1s como num reformat\u00f3rio de menores infratores e se exige as contin\u00eancias, dentre outras pr\u00e1ticas militares. Ser\u00e1 que estes jovens est\u00e3o sendo mesmo formados e preparados para o mundo moderno fora desses col\u00e9gios militares?<\/p>\n<p>N\u00e3o contesto, sob hip\u00f3tese nenhuma, o papel importante da disciplina\u00a0 que as escolas devem manter nas salas de aulas, n\u00e3o s\u00f3 para o bom desempenho do estudo, mas tamb\u00e9m como forma de preservar o respeito entre estudante e professor. Era assim nos meus tempos de estudante.<\/p>\n<p>O alcance da qualidade de ensino t\u00e3o propalado no Brasil n\u00e3o depende de uma disciplina r\u00edgida militar. \u00c9 correto nos tempos atuais conseguir bons resultados na base do medo e da repress\u00e3o? Bem, a quest\u00e3o de se encontrar o caminho certo da boa educa\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 longe de ser conquistado, mas n\u00e3o \u00e0 base do rigor e com \u201cm\u00e3o de ferro\u201d.\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A for\u00e7a policial brasileira \u00e9 a que mais mata no mundo. \u00c9 o que diz relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o Anistia Internacional. Diante de fatos comprovados atrav\u00e9s de atitudes e pr\u00e1ticas reais de viol\u00eancias noticiadas quase que diariamente pela imprensa, a pol\u00edcia militar, em quest\u00e3o, precisa ser totalmente repensada. 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