{"id":12432,"date":"2026-09-25T00:18:21","date_gmt":"2026-09-25T03:18:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=12432"},"modified":"2026-09-25T00:19:08","modified_gmt":"2026-09-25T03:19:08","slug":"as-secas-seculares-nordestinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/09\/25\/as-secas-seculares-nordestinas\/","title":{"rendered":"AS SECAS SECULARES NORDESTINAS"},"content":{"rendered":"<h3><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/IMG_2541.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12433\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/IMG_2541.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/IMG_2541.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/IMG_2541-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/IMG_2553.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12434\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/IMG_2553.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/IMG_2553.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/IMG_2553-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/h3>\n<h3>Historiadores, antrop\u00f3logos, sociol\u00f3gicos, pesquisadores, ge\u00f3logos, jornalistas e escritores em geral se debru\u00e7aram sobre os efeitos das secas seculares nordestinas, muitas das quais ficaram na mem\u00f3ria como \u201cmassacres de guerras\u201d diante dos milhares de mortes em consequ\u00eancia da cruel fome.<\/h3>\n<h3>\u00a0 O solo entorroado da caatinga jugulado pela estiagem deixa na imensid\u00e3o uma paisagem cinzenta de garranchos estorricados onde a fauna e a flora passam uma imagem de deserto, pontuado por algumas plantas e \u00e1rvores resistentes, como cactos, mandacarus, umbuzeiros e juazeiros.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Em muitas partes predominam os pedregulhos e em outras a terra desertificada e salinizada pelo tempo. Aqui mesmo na Bahia temos o Raso da Catarina, em Paulo Afonso, uma grande \u00e1rea in\u00f3spita de moitas espinhentas e are\u00f5es infestados de cascav\u00e9is que somente os cangaceiros se atreveram a penetrar como local de esconderijos.<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/IMG_2558.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12435\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/IMG_2558.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/IMG_2558.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/IMG_2558-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>\u00a0\u00a0 Os mais fortes ainda conseguiam prolongar suas vidas se servindo de ra\u00edzes de umbuzeiros, da \u00e1gua dos cactos, do cip\u00f3 seco de mucun\u00e3 e outros meios que somente os nordestinos do sert\u00e3o profundo tinham o conhecimento dessa natureza. Aprenderam com os \u00edndios dizimados pelos colonizadores a partir dos s\u00e9culos XVI e XVII.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 A hist\u00f3ria d\u00e1 conta das secas mais mort\u00edferas desde a invas\u00e3o dos portugueses em solo brasileiro, como as de 1559, 1592, 1690\/92, 1774\/76, 1790\/93, 1802\/04, 1825\/26, 1877\/79\/80 (a mais inclemente ao ponto do imperador propor oferecer suas joias), 1902\/04, 1915, relatada por Raquel de Queiroz em \u201cO Quinze|\u201d onde fala do per\u00edodo dos \u201ccurrais humanos\u201d ou campos de concentra\u00e7\u00e3o, no Cear\u00e1 (iguais a de 1877\/80), bem como por Rodolfo Te\u00f3filo no livro documental \u201cA Seca de 1915\u201d, as de 1930\/32 e dez anos depois, em 1942.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 O alagoano e escritor, considerado regionalista, Graciliano Ramos foi o que mais penetrou nesta quest\u00e3o com profundidade e linguagem real\u00edstica socialista atrav\u00e9s das suas obras, com destaque para \u201cVidas Secas\u201d e \u201cS\u00e3o Bernardo\u201d. Ele mostrou por dentro e de forma objetiva toda dureza das secas.<\/h3>\n<h3>S\u00e9culos e s\u00e9culos se passaram e elas permanecem como flagelos dos nordestinos, embora menos sofridas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0queles tempos porque depois de muito clamor e mortandades de retirantes maltrapilhos tombados nas estradas, os governantes resolveram construir alguns a\u00e7udes, aguadas e tanques, at\u00e9 utilizando trabalhos for\u00e7ados. As cisternas tamb\u00e9m entraram em a\u00e7\u00e3o, mas a \u201cind\u00fastria da seca\u201d ainda serve como instrumento de voto.<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1782.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12436\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1782.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1782.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1782-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>\u00a0 \u00a0Mais recentemente resolveram transportar as \u00e1guas do Rio S\u00e3o Francisco, o \u201cVelho Chico\u201d, cansado de \u201cguerras\u201d para alguns estados atrav\u00e9s da abertura de canais que n\u00e3o chegam a atender \u00e0s popula\u00e7\u00f5es de todos os rinc\u00f5es nordestinos porque ainda ficam restritos aos poderosos plantadores de frutas export\u00e1veis.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 Depois de 500 anos de sofrimento, em pleno s\u00e9culo XXI, ainda se cruza com carros-pipas pelas estradas poeirentas, com cargas de carotes de jumentos (quase extintos pelas matan\u00e7as dos frigor\u00edficos), mulheres com latas d\u00b4\u00e1gua na cabe\u00e7a e as l\u00e1grimas nos olhos pela perda das planta\u00e7\u00f5es e dos animais de cria\u00e7\u00e3o.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Como rep\u00f3rter profissional em coberturas jornal\u00edsticas entre os anos 70 e in\u00edcio dos anos 2000, fui testemunho de muitas cenas chocantes de sertanejos castigados pelas secas que deixaram rastros de mis\u00e9ria, fome, separa\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias, gente se alimentando de ra\u00edzes t\u00f3xicas e as tais \u201cvi\u00favas das secas\u201d, de crian\u00e7as desnutridas em seus colos porque seus maridos partiram para o Sul (S\u00e3o Paulo, Rio, Paran\u00e1) e n\u00e3o mais voltaram e nem deram not\u00edcias.<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1765.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12437\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1765.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1765.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1765-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>\u00a0Quando ainda menino em meu torr\u00e3o sertanejo, fui v\u00edtima delas e nos val\u00edamos do coco do Ouricuri e at\u00e9 do maracuj\u00e1 brabo caipira. \u00a0Com o aquecimento global, ou mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como queiram, numa temperatura que s\u00f3 aumenta onde o sol fa\u00edsca suas escamas prateadas, as secas nordestinas est\u00e3o a\u00ed mostrando suas garras e caras cavernosas de foice na m\u00e3o.<\/h3>\n<h3>\u00a0 No momento atual, todo sert\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 sofrendo, como o munic\u00edpio de Vit\u00f3ria da Conquista (sua maior parte est\u00e1 no semi\u00e1rido) e regi\u00e3o (Anag\u00e9, Aracatu, Caetanos, Tanha\u00e7u, Belo Campo, Tremedal, Pirip\u00e1 e outros), com pedidos de emerg\u00eancia pelos prefeitos. O cen\u00e1rio pouco muda, mesmo com mais recursos p\u00fablicos.<\/h3>\n<h3>Em tr\u00e2nsito semana passada, entre o distrito de Inhobim at\u00e9 Encruzilhada, pude observar a sequid\u00e3o que sempre serviu de manchetes de jornais e mat\u00e9ria-prima para jornalistas, escritores, cronistas, estudiosos, poetas e cordelistas.<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1774.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12438\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1774.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1774.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1774-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>As secas v\u00e3o sempre fazer parte da vida dos nordestinos, um povo com muitas hist\u00f3rias para contar, de religiosidades, esperan\u00e7as, f\u00e9, messianismo, lutas, canga\u00e7o e rico em suas culturas populares. Possui ainda seu bioma chamado caatinga, sem igual no mundo.<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Historiadores, antrop\u00f3logos, sociol\u00f3gicos, pesquisadores, ge\u00f3logos, jornalistas e escritores em geral se debru\u00e7aram sobre os efeitos das secas seculares nordestinas, muitas das quais ficaram na mem\u00f3ria como \u201cmassacres de guerras\u201d diante dos milhares de mortes em consequ\u00eancia da cruel fome. \u00a0 O solo entorroado da caatinga jugulado pela estiagem deixa na imensid\u00e3o uma paisagem cinzenta de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12432"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12432"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12432\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12439,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12432\/revisions\/12439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12432"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12432"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12432"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}