{"id":12408,"date":"2026-09-18T11:18:01","date_gmt":"2026-09-18T14:18:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=12408"},"modified":"2026-09-18T11:19:01","modified_gmt":"2026-09-18T14:19:01","slug":"a-outra-face-de-lampiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/09\/18\/a-outra-face-de-lampiao\/","title":{"rendered":"A OUTRA FACE DE LAMPI\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p>\u201cLAMPI\u00c3O, SEU TEMPO E SEU REINADO\u201d<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1745.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12409\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1745.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1745.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1745-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>&#8211; Cheguei com fome, nudez e dinheiro<\/h3>\n<h3>Foi assim que Lampi\u00e3o disse ao pisar em terras baianas por volta de agosto\/setembro de 1928 ao atravessar o S\u00e3o Francisco, o \u201cVelho Chico\u201d, vindo corrido de Pernambuco pela persiga das tropas e depois de uma derrota em Mossor\u00f3, em 1927.<\/h3>\n<h3>Era um novo mundo para ele e entrou por aquelas bandas de Santo Ant\u00f4nio de Gl\u00f3ria. Como descreve o escritor Frederico Bezerra Maciel, em sua obra \u201cLampi\u00e3o, Seu Tempo e Seu Reinado\u201d, o \u201crei do canga\u00e7o\u201d tratou logo de enterrar seu tesouro em saco de couro na Serra do Ton\u00e3.<\/h3>\n<h3>Depois seguiu at\u00e9 a fazenda Aroeira, em Jeremoabo, do velho amigo coronel Saturnino Nilo onde se refez e recebeu alguns cabras, dentre eles o Moreno. O fazendeiro tinha salvo conduta para tanger suas boiadas at\u00e9 Rio Branco, hoje Arcoverde, em Pernambuco.<\/h3>\n<h3>Nilo recomendou que ele procurasse o coronel Jo\u00e3o S\u00e1, de Jeremoabo, o coronel Jo\u00e3o Maria de Carvalho, de Serra Preta e o poderoso Petronildo Alc\u00e2ntara Reis, dono de 33 fazendas, que residia em Gl\u00f3ria.<\/h3>\n<h3>Com apar\u00eancia de que pretendia se regenerar e deixar o canga\u00e7o, como ocorreu em 1926, em Juazeiro do Norte, no encontro com seu Padim Ci\u00e7o, Lampi\u00e3o procurou o vig\u00e1rio Em\u00edlio Moura Ferreira.<\/h3>\n<h3>Em seguida foi apresentado ao coronel Petronildo, o Petro, com quem conversou longamente, falou da sua vida e at\u00e9 fecharam neg\u00f3cios em sociedade. Passou uma ruma de dinheiro e l\u00e1 na frente o coronel lhe deu o bote.<\/h3>\n<h3>Lampi\u00e3o ficou satisfeito e at\u00e9 matutou em ser um fazendeiro negociante. O coronel lhe ofereceu a fazenda Tr\u00eas Barras, perto de Patamut\u00e9, em Cura\u00e7\u00e1, para pouso onde ficou por cerca de quatro meses numa vida boa de rei.<\/h3>\n<h3>Com suas habilidades de convencimento, conquistou quase todos habitantes das caatingas, como fazendeiros, vaqueiros e lavradores. Com fala mansa, bondade pol\u00edtica e sagaz, colocou em pr\u00e1tica sua estrat\u00e9gia de guerra de guerrilha.<\/h3>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1734.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12410\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1734.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1734.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1734-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/h3>\n<h3>Nesse per\u00edodo, Lampi\u00e3o passou a ser chamado de \u201cO Homem\u201d, por praticar caridade para os desafortunados, resolver lit\u00edgios de terras, conflitos pessoais, problemas de sa\u00fade, partos, mordidas de cobras, aplicando seus conhecimentos de medicina r\u00fastica \u00e0 base de ra\u00edzes.<\/h3>\n<h3>Como bom vaqueiro que tinha sido em sua juventude, era sempre procurado para curar bicheiras, mal triste e at\u00e9 extrair bezerro entalado. De t\u00e3o conselheiro, o padre chegou a dizer que era melhor que muitos mission\u00e1rios. Resolvia todos problemas das redondezas fazendo at\u00e9 o papel de juiz.<\/h3>\n<h3>Pelas suas a\u00e7\u00f5es e impondo moralidade \u00e0s fam\u00edlias, prendendo ladr\u00f5es de bode, agindo com repress\u00f5es aos trajes femininos, pagando fiados nos botecos e armaz\u00e9ns e solucionando casos de desonra com casamentos, Lampi\u00e3o passou a ser visto como um messi\u00e2nico do tipo Ant\u00f4nio Conselheiro.<\/h3>\n<h3>Seu cabra Z\u00e9 Sereno contou que um rapaz se queixou a Lampi\u00e3o que o dono da fazenda n\u00e3o queria pagar os homens do eito. Ele foi at\u00e9 l\u00e1, reuniu os trabalhadores e obrigou o fazendeiro a quitar as d\u00edvidas, recomendando que ningu\u00e9m fosse mandado embora.<\/h3>\n<h3>Com o tempo, tornou-se religioso fervoroso. Todas as noites, antes das festan\u00e7as que ele mesmo promovia, com dan\u00e7as, xaxados, bai\u00f5es, valsas, quadrilhas e polcas, realizava rezas e novenas. N\u00e3o perdia sentinelas de defunto. Mandava todo mundo confiar em Deus.<\/h3>\n<h3>Todos passaram a dizer que \u201cO Homem\u201d era justiceiro e o canonizaram como um santo. O santo Lampi\u00e3o era \u201cO Homem\u201d devoto e querido dos sertanejos da regi\u00e3o. N\u00e3o era mais visto como aquele sanguin\u00e1rio.<\/h3>\n<h3>Enquanto isso, com sua efici\u00eancia e perfeita organiza\u00e7\u00e3o, Lampi\u00e3o montou sua rede de coiteiros. Ele sabia que essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ia resistir por muito tempo, pois logo soube que seus inimigos estavam em seu encal\u00e7o.<\/h3>\n<h3>N\u00e3o tardou, a for\u00e7a de Manuel Neto, o nazareno de Pernambuco, conhecido como \u201cCachorro Azedo\u201d, entrou na Bahia cometendo desatinos. Matou um homem s\u00f3 porque deu \u00e1gua a Lampi\u00e3o. Ao saber do que vinha acontecendo, tratou de se preparar para o pior.<\/h3>\n<h3>Como estava acabando seu sossego, Lampi\u00e3o montou sua tropa, recrutando cabras fora da lei. A fazenda Tr\u00eas Barras passou a ser local de treinamento, o seu quartel-general. Chegou a reunir cem homens, inclusive Corisco e os irm\u00e3os Engracia.<\/h3>\n<h3>Os fazendeiros come\u00e7aram a desconfiar das suas atitudes, mas participavam das suas festan\u00e7as e at\u00e9 davam dinheiro. A gota d\u00b4\u00e1gua para Lampi\u00e3o se desembestar pelo sert\u00e3o baiano e cair no canga\u00e7o foi a trai\u00e7\u00e3o do coronel Petro que tentou lhe envenenar e ficar com parte da sua sociedade.<\/h3>\n<h3>O coronel instruiu uma vi\u00fava de suas fazendas a envenenar Lampi\u00e3o, s\u00f3 que como sempre desconfiado, descobriu a trama quando meteu sua colher de prata na comida. Tocou fogo na casa e jogou a mulher dentro. Soube que tudo foi a mando do coronel.<\/h3>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1747.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12411\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1747.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1747.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/DSC_1747-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/h3>\n<h3>A partir dali, depois da fuga do coronel para Pernambuco, Lampi\u00e3o destruiu a maioria de suas fazendas, mantando todos animais e incendiando casas, currais e outros equipamentos. Deixou o coronel na desgra\u00e7a.<\/h3>\n<h3>Lampi\u00e3o voltou ainda mais cruel, derrotou as for\u00e7as de Manuel Neto e caiu na caatinga baiana percorrendo todas regi\u00f5es do sisal, de Senhor do Bonfim, Juazeiro, Cura\u00e7\u00e1, Campo Formoso e boa parte da Chapada Diamantina, como Morro do Chap\u00e9u, Len\u00e7\u00f3is, Andara\u00ed, Mucug\u00ea, Piat\u00e3 e outros munic\u00edpios. Hor\u00e1cio de Matos, em Len\u00e7\u00f3is, e Douca Medrado, em Mucug\u00ea, eram seus amigos. Saqueou povoados, fazendas e cidades, matando quem atravessasse em sua frente.<\/h3>\n<h3><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cLAMPI\u00c3O, SEU TEMPO E SEU REINADO\u201d &#8211; Cheguei com fome, nudez e dinheiro Foi assim que Lampi\u00e3o disse ao pisar em terras baianas por volta de agosto\/setembro de 1928 ao atravessar o S\u00e3o Francisco, o \u201cVelho Chico\u201d, vindo corrido de Pernambuco pela persiga das tropas e depois de uma derrota em Mossor\u00f3, em 1927. 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