{"id":12362,"date":"2026-09-05T00:54:25","date_gmt":"2026-09-05T03:54:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=12362"},"modified":"2026-09-05T00:54:37","modified_gmt":"2026-09-05T03:54:37","slug":"um-nordeste-sangrento-e-arcaico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/09\/05\/um-nordeste-sangrento-e-arcaico\/","title":{"rendered":"UM NORDESTE SANGRENTO E ARCAICO"},"content":{"rendered":"<h3>\u00a0 Quanto mais me aprofundo nas quest\u00f5es do Nordeste, principalmente entre os s\u00e9culos XVII at\u00e9 meados do XX, fico mais chocado com as barbaridades praticadas contra os sertanejos, uma brutalidade origin\u00e1ria desde os tempos coloniais, fruto do completo abandono da regi\u00e3o agreste catingueira.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Sob o dom\u00ednio das sesmarias, do latif\u00fandio dos poderosos, dos coron\u00e9is, dos chefes pol\u00edticos, do canga\u00e7o a partir do final do s\u00e9culo XIX, das tropas policiais, das brigas entre fam\u00edlias e da aus\u00eancia de uma justi\u00e7a social, al\u00e9m das grandes secas, tivemos o massacre de milhares de \u00edndios e pobres num Nordeste sangrento onde tudo era resolvido no punhal e na bala.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Foram mais de 300 anos de isolamento e de crueldades, tempo mais que suficiente para que a alma do nordestino se tornasse bruta, de crosta dura, empedernida e seca como bem descreve o escritor Graciliano Ramos em seus romances. Com seus textos diretos e objetivos, sem rodeios, o alagoano penetrou no profundo psicol\u00f3gico-social desse povo sofrido.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nessa hist\u00f3ria toda, incluindo os retirantes que foram ser escravos de patr\u00f5es em terras diferentes do Sul, as mulheres, principalmente as meninas, a partir de 11 e 12 anos, foram as maiores v\u00edtimas das barb\u00e1ries dos soldados e dos bandoleiros cangaceiros.<\/h3>\n<h3>Muitas foram obrigadas desde cedo a entrarem no canga\u00e7o, estupradas, mortas a pauladas e de parto, a tiros e, mesmo gr\u00e1vidas, eram arrastadas pelos cabelos dentro das caatingas espinhentas. Dad\u00e1, mulher de Corisco, L\u00eddia de Z\u00e9 Baiano, Sila (11 anos) de Z\u00e9 Sereno, Nen\u00e9m de Luis Pedro, Inacinha de Gato, Durvinha de Virginio, Rosinha, entre tantas outras, viveram trag\u00e9dias brutais.<\/h3>\n<h3>Sobre essas mulheres submissas que eram surradas pelos pais e depois violentadas pelos cangaceiros, a escritora Adriana Negreiros, em sua obra \u201cMaria Bonita- sexo, viol\u00eancia e mulheres no canga\u00e7o\u201d faz relatos chocantes de crimes hediondos e b\u00e1rbaros.<\/h3>\n<h3>\u00a0 \u201cUma hist\u00f3ria macabra correria o sert\u00e3o ap\u00f3s a morte da mulher de Luis Pedro, a Nen\u00e9m. Vendo-se sozinhos com Nen\u00e9m morta, os soldados teriam se revezado na profana\u00e7\u00e3o do seu corpo. Depois de saciados, com galhofas, libertariam o cad\u00e1ver para o deleite de seus cachorros no cio\u201d.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Essas pr\u00e1ticas ocorriam de ambos os lados, tanto por parte dos cangaceiros como das volantes, conhecidas como \u201cmacacos\u201d. Cabe\u00e7as eram cortadas ou degoladas quando nordestinos eram tombados em combates. Os fatos se tornaram comuns passando a ser, ao longo dos anos, uma cultura do Nordeste.<\/h3>\n<h3>\u00a0Mulheres, inclusive idosas, eram selvagemente estupradas mesmo depois de mortas. Corpos eram esquartejados por vingan\u00e7a. Lampi\u00e3o dizia que matar era uma arte e tinha que proceder com toda viol\u00eancia para ser respeitado pelo povo.<\/h3>\n<h3><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Quanto mais me aprofundo nas quest\u00f5es do Nordeste, principalmente entre os s\u00e9culos XVII at\u00e9 meados do XX, fico mais chocado com as barbaridades praticadas contra os sertanejos, uma brutalidade origin\u00e1ria desde os tempos coloniais, fruto do completo abandono da regi\u00e3o agreste catingueira. \u00a0 Sob o dom\u00ednio das sesmarias, do latif\u00fandio dos poderosos, dos coron\u00e9is, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12362"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12362"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12362\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12363,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12362\/revisions\/12363"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}