{"id":12298,"date":"2026-08-21T00:09:29","date_gmt":"2026-08-21T03:09:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=12298"},"modified":"2026-08-21T00:09:39","modified_gmt":"2026-08-21T03:09:39","slug":"a-divina-chamada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/08\/21\/a-divina-chamada\/","title":{"rendered":"A DIVINA CHAMADA"},"content":{"rendered":"<h3>(Chico Ribeiro Neto)<br \/>\nTinha um funcion\u00e1rio p\u00fablico aposentado chamado Raimundinho, numa cidade do interior baiano, que n\u00e3o perdia um enterro, porque em todos fazia um discurso, conhecesse ou n\u00e3o o falecido.<br \/>\nEra s\u00f3 ouvir aquelas batidas lentas do sino, sinal de enterro, que Raimundinho vestia logo seu surrado terno branco.<br \/>\nNa hora do sepultamento subia na l\u00e1pide mais pr\u00f3xima e mais alta e soltava o verbo. Diziam na cidade que ele tinha &#8220;o dom da orat\u00f3ria&#8221;, mas muitos j\u00e1 n\u00e3o aguentavam as prele\u00e7\u00f5es de Raimundinho naquele sol quente.<br \/>\nUm dia, Raimundinho rasgou o verbo de novo durante um sepultamento:<br \/>\n&#8220;A morte \u00e9 o caminho infal\u00edvel de todos n\u00f3s. Na semana passada foi Hor\u00e1cio, hoje \u00e9 o nosso amigo Juvenal&#8230;e amanh\u00e3 quem ser\u00e1?&#8221;<br \/>\n&#8220;Raimundinho&#8221;, gritou um dos presentes.<br \/>\n&#8220;\u00c9 a puta que lhe pariu, seu filho da puta&#8221;, esbravejou Raimundinho, que j\u00e1 saltou da l\u00e1pide desferindo socos.<br \/>\nTodo mundo tem uma hist\u00f3ria engra\u00e7ada de cemit\u00e9rio. Uma vez, uma amiga viu uma cena inusitada no cemit\u00e9rio do Campo Santo, em Salvador. Ela estava num vel\u00f3rio realizado numa daquelas salas. Havia outro vel\u00f3rio na sala vizinha. Entrou uma mulher que ningu\u00e9m conhecia e ficou rezando fervorosamente junto ao caix\u00e3o. De repente, colocou os \u00f3culos e deu um grito de susto: &#8220;Oh, desculpem, eu errei de vel\u00f3rio&#8221;, saiu ligeiro e deixou muitos segurando o sorriso.<br \/>\nNa Internet h\u00e1 mensagens para todas as ocasi\u00f5es. Procurei por &#8220;Mensagens para Falecidos&#8221; e, antes dos exemplos de mensagens, vem o seguinte: &#8220;Para homenagear algu\u00e9m que faleceu, escreva sobre o amor, a saudade e as boas lembran\u00e7as que a pessoa deixou. Foque em qualidades marcantes, ensinamentos ou em um momento feliz que voc\u00eas viveram juntos. O texto deve vir do cora\u00e7\u00e3o, com palavras sinceras e respeitosas&#8221;. Um conselho lapidar.<br \/>\nO jornalista e bo\u00eamio Walmir Palma, o &#8220;Seu Porreta&#8221;, foi uma vez a um sepultamento. Na sala do vel\u00f3rio um funcion\u00e1rio do cemit\u00e9rio o abordou:<br \/>\n&#8220;O senhor j\u00e1 assinou no Livro de Presen\u00e7a?<br \/>\n&#8220;N\u00e3o, nem vou assinar&#8221;.<br \/>\n&#8220;Por que, senhor?&#8221;<br \/>\n&#8220;Porque Ele (apontou para o c\u00e9u) faz a chamada \u00e9 por a\u00ed&#8221;.<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto) Tinha um funcion\u00e1rio p\u00fablico aposentado chamado Raimundinho, numa cidade do interior baiano, que n\u00e3o perdia um enterro, porque em todos fazia um discurso, conhecesse ou n\u00e3o o falecido. Era s\u00f3 ouvir aquelas batidas lentas do sino, sinal de enterro, que Raimundinho vestia logo seu surrado terno branco. Na hora do sepultamento subia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12298"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12298"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12298\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12299,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12298\/revisions\/12299"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12298"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}