{"id":12104,"date":"2026-06-26T21:01:26","date_gmt":"2026-06-27T00:01:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=12104"},"modified":"2026-06-26T21:02:37","modified_gmt":"2026-06-27T00:02:37","slug":"a-indumentaria-e-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/06\/26\/a-indumentaria-e-as-mulheres\/","title":{"rendered":"A INDUMENT\u00c1RIA E AS MULHERES"},"content":{"rendered":"<h3>\u00a0 A partir de 1930, os cangaceiros passaram a ter uma indument\u00e1ria pr\u00f3pria, exibindo ostenta\u00e7\u00e3o em seus ornamentos, com ouro e pedras preciosas nos chap\u00e9us, nos bornais, nas cartucheiras e nos dedos das m\u00e3os. A de Lampi\u00e3o se destacava entre todas como o \u201crei do canga\u00e7o\u201d.<\/h3>\n<h3>\u00a0 A autora da obra \u201cLampi\u00e3o-Senhor do Sert\u00e3o\u201d, \u00c9lise Grunspan-Jasmin faz um detalhe minucioso sobre suas vestimentas que passaram tamb\u00e9m a ser adotadas pelas for\u00e7as volantes no caso das camisas, alpercatas, das cal\u00e7as e dos chap\u00e9us, para enfrentar os garranchos, os espinhos e o solo das caatingas, mas sem a riqueza dos bandoleiros.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 O peculiar estilo das roupas se tornou seu signo caracter\u00edstico, sua marca, sua assinatura como descreve \u00c9lise sobre o canga\u00e7o. Na maioria das vezes, os homens confeccionavam suas roupas, como Lampi\u00e3o, que antes de entrar para o canga\u00e7o, costurava e bordava. Fotos mostram ele e Luis Pedro bordando os paramentos numa m\u00e1quina Singer.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 Quando foi para o canga\u00e7o, Dad\u00e1, a merc\u00ea de seus dotes e criatividades, fazia as roupas de Lampi\u00e3o e Corisco, seu marido. Ela mudou os motivos dos bordados. Em 1932 lan\u00e7ou a moda do couro branco costurado nos chap\u00e9us, flores em tecido colorido, bordadas nos bornais, perneiras e cintur\u00f5es, isto quando os bandos estavam escondidos no Raso da Catarina e outros esconderijos.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Os motivos e as estrelas dos chap\u00e9us variavam de um cangaceiro para o outro, de acordo com seu status no grupo. Em Lampi\u00e3o, os motivos representavam flores brancas cercadas de um c\u00edrculo sobre fundo branco. Em alguns chap\u00e9us, apareciam \u00e1rvores estilizadas feitas de couro branco, bem como, estrelas com oito ramifica\u00e7\u00f5es sobre fundo negro, como o de Corisco.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Todos os chap\u00e9us tinham medalhas e moedas. O de Lampi\u00e3o era t\u00e3o carregado que, depois da sua morte, um jornalista descreveu sua indument\u00e1ria como \u201cverdadeira exposi\u00e7\u00e3o de numism\u00e1tica\u201d. Suas roupas foram depois inventariadas e expostas pela Policia Militar de Alagoas, mas depois passaram para o Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico de Alagoas.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Seu chap\u00e9u era ornado em alto relevo, (sete moedas e 25 medalhas de ouro) com seis signos de Salam\u00e3o, ornado em ambos os lados com 55 pe\u00e7as de ouro. Os bot\u00f5es para colarinhos e punhos tinham as inscri\u00e7\u00f5es \u201dAMOR\u201d, com as iniciais C.L.; os an\u00e9is de pedras preciosas tinham as grava\u00e7\u00f5es com o nome \u201cSantinha\u201d em refer\u00eancia a Maria Bonita; testeira com moedas e medalhas com a grava\u00e7\u00e3o \u201cDeus te Guie\u201d.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Os len\u00e7os dos cangaceiros eram geralmente de seda inglesa ou tafet\u00e1 franc\u00eas.\u00a0 O de Lampi\u00e3o era de seda vermelha, bordado nos quatros cantos. Os bornais dos cangaceiros tinham al\u00e7as bem largas, feitos de tecidos resistentes, com v\u00e1rios bolsos e bordados na parte exterior, com motivos florais e bot\u00f5es de ouro e prata.<\/h3>\n<h3>\u00a0 \u00a0Nos bornais, continham comida, mudas de roupas e medicamentos. Outros eram destinados a guardar balas que n\u00e3o cabiam nas cartucheiras. Tudo era feito para n\u00e3o ferir as pelas nas travessias das caatingas.<\/h3>\n<h3>\u00a0 \u00a0As cal\u00e7as eram geralmente curtas, obrigando os cangaceiros a usar perneiras de couro para se proteger dos espinhos. Levavam duas cobertas que cruzavam sobre o t\u00f3rax. Usavam luvas, algumas bordadas, como a de Lampi\u00e3o.<\/h3>\n<h3>\u00a0 As bainhas dos punhais, as cartucheiras e as correias dos fuzis completavam a riqueza dos trajes. Lampi\u00e3o e seus companheiros usavam armas do ex\u00e9rcito nacional. A faca do chefe era ornada com tr\u00eas an\u00e9is de ouro e sua cartucheira tinha capacidade para 121 cartuchos para o fuzil Mauser.<\/h3>\n<h3>\u00a0 De acordo com jornais da \u00e9poca, os c\u00e3es n\u00e3o escapavam da ostenta\u00e7\u00e3o. \u201cDourado\u201d, o c\u00e3o de Lampi\u00e3o foi morto por uma for\u00e7a volante e possu\u00eda uma custosa coleira com incrusta\u00e7\u00f5es a ouro e prata. Paradoxalmente, como diz a escritora \u00c9lise, a vestimenta foi copiada pelos seus inimigos.<\/h3>\n<h3>\u00a0 As mulheres eram muito bem tratadas pelos seus respectivos companheiros, mas castigadas com a morte, de forma cruel, em causa de trai\u00e7\u00e3o (Cristina e L\u00eddia). Elas logo se adaptaram ao novo estilo de indument\u00e1ria. Dad\u00e1 dizia que havia dois tipos de roupas femininas, a t\u00edpica das mulheres de cangaceiros usadas nas longas marchas e vestidos \u00e0 moda dos habitantes das cidades.<\/h3>\n<h3>\u00a0 A roupa t\u00edpica era confeccionada de pano cinzento grosso que protegia das intemp\u00e9ries do sol e dos espinhos.\u00a0 O vestido s\u00f3 podia chegar at\u00e9 abaixo do joelho e nada de cabelo curto e decotes. As mangas, bordadas com gal\u00f5es coloridos, eram longas para cobrir os pulsos. Os vestidos tinham cinco bolsos, um na altura do seio, dois na cintura e mais dois de cada lado dos quadris.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 Tamb\u00e9m usavam luvas bordadas e an\u00e9is nos dedos, na maioria de ouro e pedras preciosas. O valor do seu anel dependia da import\u00e2ncia do cangaceiro a quem pertenciam. Suas sand\u00e1lias eram de couro resistente.<\/h3>\n<h3>Cal\u00e7avam meias feitas do pr\u00f3prio tecido e perneiras macias de couro at\u00e9 os joelhos. Como os homens, len\u00e7os com cores vivas. Tamb\u00e9m levavam consigo seus bornais e neles continham roupas, muni\u00e7\u00f5es, perfume, sabonetes de boa qualidade e p\u00f3 de arroz, bem como, duas caba\u00e7as, uma com \u00e1gua e outra com a\u00e7\u00facar e conhaque. Traziam na cintura um punhal e armas, embora n\u00e3o participassem dos combates, com exce\u00e7\u00e3o de Dad\u00e1.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0\u00a0 Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, as mulheres praticamente n\u00e3o cozinhavam, lavavam e nem pegavam no pesado. Eram bem paparicadas pelos seus companheiros, inclusive pelo bruto, casca dura, Z\u00e9 Baiano. Ele chegava a dar comida \u00e0 sua mulher L\u00eddia pela boca e lhe limpava, mas n\u00e3o hesitou em mat\u00e1-la a pauladas, de forma b\u00e1rbara, quando o traiu.<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 A partir de 1930, os cangaceiros passaram a ter uma indument\u00e1ria pr\u00f3pria, exibindo ostenta\u00e7\u00e3o em seus ornamentos, com ouro e pedras preciosas nos chap\u00e9us, nos bornais, nas cartucheiras e nos dedos das m\u00e3os. 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