{"id":12081,"date":"2026-06-19T23:42:47","date_gmt":"2026-06-20T02:42:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=12081"},"modified":"2026-06-19T23:43:05","modified_gmt":"2026-06-20T02:43:05","slug":"vinganca-gloria-e-odio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/06\/19\/vinganca-gloria-e-odio\/","title":{"rendered":"VINGAN\u00c7A, GL\u00d3RIA E \u00d3DIO"},"content":{"rendered":"<h3>\u00a0 Produto do pr\u00f3prio meio, de um Nordeste sem lei, sem justi\u00e7a e dominado pelos poderosos, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampi\u00e3o, durante seus quase 20 anos de canga\u00e7o, teve seus momentos de gl\u00f3ria, decep\u00e7\u00f5es, \u00f3dio e vingan\u00e7a contra seus maiores inimigos.<\/h3>\n<h3>\u00a0De certa forma, n\u00e3o no sentido pol\u00edtico ideol\u00f3gico, poderia se dizer que Lampi\u00e3o foi um rebelde revolucion\u00e1rio diante da situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria, isolamento na regi\u00e3o e abandono dos sertanejos nordestinos. Alguns analistas fazem essa refer\u00eancia \u00e0 sua pessoa bandida.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Sua maior express\u00e3o de vingan\u00e7a e \u00f3dio se deu logo no in\u00edcio da sua trajet\u00f3ria no canga\u00e7o, por volta dos 20, quando da morte de seus pais, principalmente do seu genitor Jos\u00e9 Ferreira, morto a tiros pela tropa do tenente Jos\u00e9 Lucena, em Alagoas.<\/h3>\n<h3>Se ele j\u00e1 era um mo\u00e7o violento, a partir dali destilou toda sua raiva para vingar as injusti\u00e7as praticadas contra sua fam\u00edlia, sobrando, inclusive, para pessoas que nada tinham a ver com seu caso particular, a come\u00e7ar pelas desaven\u00e7as com seu vizinho Jos\u00e9 Saturnino.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Foi disc\u00edpulo do nobre cangaceiro \u201cSinh\u00f4 Pereira\u201d; criou seu pr\u00f3prio grupo; e saiu pelo sert\u00e3o distribuindo crueldade como um temido bandoleiro das Am\u00e9ricas. No fundo era um rebelde, n\u00e3o como um revolucion\u00e1rio com ideologia pol\u00edtica definida.<\/h3>\n<h3>\u00a0Para sobreviver e manter seu \u201creinado\u201d de \u201cgovernador do sert\u00e3o\u201d, constru\u00eddo pela imprensa, fez alian\u00e7as e prestou seus servi\u00e7os aos coron\u00e9is, grandes fazendeiros e chefes pol\u00edticos. Deles exigiu dinheiro e intermedia\u00e7\u00e3o no tr\u00e1fico de armamentos para sustentar seus grupos e espalhar o terror.<\/h3>\n<h3>\u00a0Sua maior gl\u00f3ria em toda sua vida foi quando, em 4 de mar\u00e7o de 1926, entrou triunfalmente em Juazeiro do Norte, no Cear\u00e1, com seus 49 cangaceiros e foi recebido a contragosto pelo padre C\u00edcero Rom\u00e3o Batista, o \u201cPadim Ci\u00e7o\u201d, para integrar aos Batalh\u00f5es Patri\u00f3ticos, formados para combater a Coluna Prestes.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Tudo foi programado pelo deputado Floro Bartolomeu, mas ele n\u00e3o pode receber Lampi\u00e3o porque logo adoeceu e veio a falecer no Rio de Janeiro. Coube ao padre C\u00edcero a responsabilidade de recepcion\u00e1-lo. Antes se hospedou com seus homens no Hotel Centen\u00e1rio, em Barbalha, perto de Juazeiro, enquanto for\u00e7as do ex\u00e9rcito acampavam na rua.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Em Juazeiro, o \u201crei do canga\u00e7o\u201d foi recebido por uma multid\u00e3o de mais de quatro mil pessoas; andou livremente pelas ruas; deu entrevistas \u00e0 imprensa; e deixou ser fotografado com seus familiares por Lauro Cabral.<\/h3>\n<h3>No encontro com o padre, foi agraciado com a patente de capit\u00e3o do ex\u00e9rcito, dado por Pedro Albuquerque Uchoa, um inspetor agr\u00edcola que n\u00e3o tinha nenhum poder para isso. Diante da press\u00e3o, Uchoa afirmou que assinaria at\u00e9 a demiss\u00e3o do presidente da Rep\u00fablica.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 Tudo n\u00e3o passou de um embuste, conforme relata a autora do livro \u201cLampi\u00e3o &#8211; Senhor do Sert\u00e3o\u201d, \u00c9lise Grunspan-Jasmim, s\u00f3 que Virgulino acreditou; vestiu o fardamento do Batalh\u00e3o Patri\u00f3tico; e se sentiu como se fosse um interventor do Nordeste.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Naquele ato, ele achava que seria integrado \u00e0 sociedade e poderia fazer o que bem entendesse, tanto que partiu para lutar contra Carlos Prestes, cuja coluna j\u00e1 estava na Bahia. Sua ficha s\u00f3 caiu, que tudo n\u00e3o passava de uma arma\u00e7\u00e3o, quando as for\u00e7as das Volantes continuaram lhe perseguindo.<\/h3>\n<h3>\u00a0 \u00a0Quando percebeu a trama, Lampi\u00e3o sofreu sua maior decep\u00e7\u00e3o em toda sua vida.\u00a0 Sentiu-se enganado e ludibriado e, ent\u00e3o, brotou ainda mais com for\u00e7a sua sede vingan\u00e7a. O \u00f3dio aumentou, principalmente contra os governos e os \u201cmacacos\u201d. Passou a cometer mais barbaridades, saques contra vilas e propriedades.<\/h3>\n<h3>Sua viol\u00eancia tirana se voltou contra a constru\u00e7\u00e3o de estradas de rodagens e vias f\u00e9rreas no final dos anos 20 e in\u00edcio dos 30. Esse progresso prejudicaria suas atividades cangaceiras por causa da maior mobilidade dos soldados.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Ao se sentir encurralado, Lampi\u00e3o criou seus subgrupos e passou de n\u00f4made a sedent\u00e1rio, a partir de 1935, conforme assinala \u00c9lise. Entocou-se por dias e meses em esconderijos seguros, para depois sair praticando seus crimes e extorquir os poderosos com pedidos de dinheiro atrav\u00e9s de suas cartas intimidat\u00f3rias.<\/h3>\n<h3>\u00a0 ORIGEM DO SEU APELIDO<\/h3>\n<h3>\u00a0 Existe uma curiosidade com rela\u00e7\u00e3o ao apelido de Lampi\u00e3o. Os escritores, pesquisadores e historiadores d\u00e3o v\u00e1rias vers\u00f5es. \u00c9lise descreve que \u201co apelido Lampi\u00e3o teria uma rela\u00e7\u00e3o com a luz que emana da sua arma quando ele atirava. Para outros, por\u00e9m, tratava-se muito maios do brilho irradiado por sua pessoa. Lampi\u00e3o, lanterna, candeeiro \u2013 \u00e9 portador de luz para seus companheiros\u201d.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Na realidade, todos que entravam para o canga\u00e7o recebiam um nome de batismo, quer seja de animais, tipo f\u00edsico, \u00e1rvore ou fen\u00f4menos da natureza. Muitos atribuem ao cangaceiro \u201cSinh\u00f4 Pereira\u201d, seu primeiro chefe, o mentor do apelido Lampi\u00e3o.<\/h3>\n<h3>\u00a0 O apelido foi dado pelo seu chefe porque o \u201cfogo\u201d da sua arma, durante um combate no povoado de Nazar\u00e9, em Pernambuco, n\u00e3o se apagava nunca. \u201cO rifle desse menino \u00e9 que nem um lampi\u00e3o\u201d.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Outra vers\u00e3o \u00e9 que, quando ele trabalhava para Delmiro Gouveia, conduzindo comboios transportando peles de animais no sert\u00e3o, um dia uma mula abalroou e derrubou um dos lampi\u00f5es (candeeiros). Esse epis\u00f3dio teria levado um de seus companheiros a cham\u00e1-lo de Lampi\u00e3o.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Por \u00faltimo, tem a vers\u00e3o de Optato Gueiros, oficial combatente e depois escritor sobre o canga\u00e7o. Numa entrevista que fez a Sinh\u00f4 Pereira\u201d, Optato perguntou ao pr\u00f3prio Virgulino sobre a origem do seu apelido.<\/h3>\n<h3>\u00a0 O pr\u00f3prio Lampi\u00e3o contou sua hist\u00f3ria de que certa vez estava no Cear\u00e1 num tiroteio numa noite escura de inverso em plena escurid\u00e3o. Um companheiro deixou cair um cigarro e como n\u00e3o o achasse, \u201ceu lhe disse: Quando eu disparar, no clar\u00e3o do tiro, procure o cigarro. E assim foi, quando eu detonava o rifle, dizia, acende lampi\u00e3o e, desse dia em diante, fiquei Lampi\u00e3o\u201d.<\/h3>\n<h3><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Produto do pr\u00f3prio meio, de um Nordeste sem lei, sem justi\u00e7a e dominado pelos poderosos, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampi\u00e3o, durante seus quase 20 anos de canga\u00e7o, teve seus momentos de gl\u00f3ria, decep\u00e7\u00f5es, \u00f3dio e vingan\u00e7a contra seus maiores inimigos. \u00a0De certa forma, n\u00e3o no sentido pol\u00edtico ideol\u00f3gico, poderia se dizer que Lampi\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12081"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12081"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12081\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12082,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12081\/revisions\/12082"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12081"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12081"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12081"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}