{"id":12079,"date":"2026-06-18T22:18:27","date_gmt":"2026-06-19T01:18:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=12079"},"modified":"2026-06-18T22:19:33","modified_gmt":"2026-06-19T01:19:33","slug":"quer-sacanagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/06\/18\/quer-sacanagem\/","title":{"rendered":"QUER &#8220;SACANAGEM&#8221;?"},"content":{"rendered":"<h3>( Chico Ribeiro Neto)<br \/>\n&#8221; S\u00f3 tomo cerveja depois que boto um salzinho na boca&#8221;, diz uma amiga.<br \/>\nBar sem tira-gosto bom n\u00e3o presta.<br \/>\nUm tira-gosto inesquec\u00edvel. Minha colega, jornalista Hel\u00f4 Sampaio, pegou um peda\u00e7o de charque no armaz\u00e9m e bar do Capenga, na Avenida Vasco da Gama, e jogou em cima do velho balc\u00e3o de madeira. Jogou \u00e1lcool e tocou fogo. Quando a chama estava bem baixinha, quase apagando, ela jogou a farinha, que grudou na carne. Depois, haja cerveja.<br \/>\nCito alguns bons tira-gostos: moela com p\u00e3o, passarinha, charque frito, carne do sol, casquinha de siri, salame, amendoim cozido ou torrado, caldo de feij\u00e3o, peixe piramutaba frito, agulhinha frita, acaraj\u00e9 e torresmo. Uma farofinha \u00e9 indispens\u00e1vel. Antigamente havia nos botecos ovos cozidos de v\u00e1rias cores na prateleira do balc\u00e3o.\u00a0 &#8220;S\u00e3o de hoje&#8221;, atestava o dono do bar.<br \/>\nTinha um cara que frequentava o Bar do Chico, na Barra, cujo tira-gosto era uma salada de tomate, cebola e piment\u00e3o temperada com sal e azeite.<br \/>\nNa minha juventude toda festinha tinha &#8220;sacanagem&#8221;, sucesso nas d\u00e9cadas de 70 e 80. N\u00e3o \u00e9\u00a0 o que voc\u00ea est\u00e1 pensando. Era um espetinho feito com rodelas de salsicha em lata, queijo, azeitona e outros ingredientes.<br \/>\nA origem do termo \u00e9 explicada por Lorena K. Martins no artigo &#8220;T\u00e1 a fim de uma sacanagem? Petisco de festa dos anos 80 reina nas mesas dos bares em BH&#8221;, postado no site\u00a0<a href=\"http:\/\/otempo.com.br\/\">otempo.com.br<\/a>\u00a0em 4\/4\/2025: &#8220;A origem do termo &#8216;sacanagem&#8217; ainda \u00e9 incerta, mas, segundo o historiador Luiz Ant\u00f4nio Simas, em seu livro &#8220;Sonetos de Birosca e Poemas de Terreiro&#8221; (2022), a explica\u00e7\u00e3o mais prov\u00e1vel est\u00e1 na forma como os insumos eram montados no palito. Como ele descreve, &#8220;o fato de um ingrediente vir trepado em cima do outro j\u00e1 diz tudo: \u00e9 uma sacanagem generalizada, com o queijo trepando no piment\u00e3o, a salsicha por cima do presunto e por a\u00ed vai&#8221;.<br \/>\nHavia tamb\u00e9m o tira-gosto coletivo. N\u00e3o esque\u00e7o do amigo e jornalista Raimundo Machado, que, depois que a gente fechava a edi\u00e7\u00e3o do jornal A Tarde, por volta de meia-noite, chegava na barraca de Dona Edna, vizinha ao jornal, e pedia logo uma cerveja e um mocot\u00f3 em prato fundo. Cortava tudo miudinho, fazia aquele mexid\u00e3o com pimenta e farinha, tra\u00e7ava uma boa garfada e passava o prato para o vizinho.<br \/>\nUma vez, em Cacul\u00e9 (BA), um visitante chegou querendo um tira-gosto de ave, uma codorna, juriti ou perdiz. Com dois amigos, rodou v\u00e1rios bares onde s\u00f3 tinha tira-gosto de carne ou de lingui\u00e7a de porco. At\u00e9 que chegaram no boteco de um velhinho e perguntaram se havia tira-gosto de ave e ele respondeu: &#8220;A \u00fanica ave que tenho aqui \u00e9 um galo velho que t\u00e1 l\u00e1 no terreiro e que, se eu botar pra cozinhar agora (11 da manh\u00e3) s\u00f3 vai t\u00e1 pronto meia-noite&#8221;.<br \/>\nAdoro uma tripa de porco frita na hora, com farinha, numa barraca de feira do interior. Se esfriar, n\u00e3o presta. Fica goguenta.<br \/>\nSer\u00e1 que no c\u00e9u tem tira-gosto? Ou \u00e9 s\u00f3 vinho de missa com \u00e1gua?<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>( Chico Ribeiro Neto) &#8221; S\u00f3 tomo cerveja depois que boto um salzinho na boca&#8221;, diz uma amiga. Bar sem tira-gosto bom n\u00e3o presta. Um tira-gosto inesquec\u00edvel. 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