{"id":12029,"date":"2026-06-08T23:32:32","date_gmt":"2026-06-09T02:32:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=12029"},"modified":"2026-06-08T23:32:43","modified_gmt":"2026-06-09T02:32:43","slug":"certificado-de-batismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/06\/08\/certificado-de-batismo\/","title":{"rendered":"CERTIFICADO DE BATISMO"},"content":{"rendered":"<h3>\u00a0\u00a0\u00a0 No Brasil rural e no Nordeste arcaico, principalmente, at\u00e9 meados do s\u00e9culo XX, o documento mais valioso para as fam\u00edlias era o Certificado de Batismo, o primeiro que os pais se preocupavam em tirar quando os filhos nasciam. Os mais antigos sabem muito bem disso.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 A escritora \u00c9lise Gruspan-Jasmim, em \u201cLampi\u00e3o-O Senhor do Sert\u00e3o\u201d faz alus\u00e3o a este h\u00e1bito cat\u00f3lico que prevalecia naquela \u00e9poca. Certid\u00e3o de Nascimento, que hoje a crian\u00e7a j\u00e1 recebe no hospital no momento que a m\u00e3e \u201cd\u00e1 a luz\u201d, era coisa para depois de cinco ou seis anos. Como muitos eram analfabetos e n\u00e3o anotavam, a data precisa saia sempre errada.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Em sua obra, a autora escreveu que \u201cera costume no sert\u00e3o batizar pouco tempo depois do nascimento, por causa do grande n\u00famero de crian\u00e7as que morriam com pouca idade nessa \u00e9poca. Os pais encarregavam-se rapidamente de batizar o rec\u00e9m-nascido, com medo de que este, caso viesse a morrer, torna-se uma alma errante\u201d.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 Por causa da cultura religiosa, trazida l\u00e1 de seus antepassados, o batismo era o primeiro cuidado. A autora deixou de citar que os pais corriam logo \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica com receio de crian\u00e7a morrer pag\u00e3. Seria um grande pecado deixar um filho morrer \u201cpag\u00e3o\u201d.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Lembro disso atrav\u00e9s da minha m\u00e3e que falava ter apressado o meu pai a me batizar logo de imediato porque nasci mirrado e doente. Somente depois de cinco ou seis anos foi que meu pai foi ao cart\u00f3rio me registrar porque a escala pedia o documento.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0\u00a0 Depois de anos fui escarafunchar na Igreja e descobri ter nascido em 1946, conforme estava escrito pelo vig\u00e1rio no batist\u00e9rio, e n\u00e3o em 1947, como est\u00e1 na Certid\u00e3o. Creio que muita gente da minha gera\u00e7\u00e3o, que nasceu de parteira, nos cafund\u00f3s do sert\u00e3o, tem tamb\u00e9m a idade errada.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 Quem sabia escrever, tinha o h\u00e1bito de anotar o hor\u00e1rio, dia e o ano numa p\u00e1gina em branco da B\u00edblia, cujo livro \u201csagrado\u201d n\u00e3o podia faltar numa casa. Nos tempos atuais, o Certificado de Batismo n\u00e3o tem mais nenhum valor.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 Naquela \u00e9poca, o batismo era encarado como um ato de grande import\u00e2ncia, e os padrinhos se sentiam no lugar de segundos pais. Hoje se tem mais como um preceito social para se fazer uma festa, sobretudo entre os ricos.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 No entanto, entre os nordestinos, o batismo ainda \u00e9 levado muito a s\u00e9rio, especialmente na zona rural onde os h\u00e1bitos, os costumes e a cultura ainda s\u00e3o passados de av\u00f3 e av\u00f3 para os filhos e destes, como pais, para seus rebentos, embora muita coisa se perdeu no caminho.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 Tanto o batismo como as manifesta\u00e7\u00f5es culturais, infelizmente, perderam muito de suas carater\u00edsticas com o grande \u00eaxodo rural para as cidades, a partir dos anos 50 e 60 do s\u00e9culo passado, mas o ato de batizar permanece vivo, n\u00e3o importando a religi\u00e3o.<\/h3>\n<h3>Como mais de 70% vivem na zona urbana, as mudan\u00e7as advindas do progresso, e agora com os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, est\u00e3o se encarregando de apagar com as tradi\u00e7\u00f5es, apesar de muitas ainda permanecerem vivas. Tem gente que acha que elas v\u00e3o se acabar por completo, mas n\u00e3o acredito nisso.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 V\u00e3o continuar resistindo como o maracatu, o forr\u00f3, o samba, terno de reis e outras express\u00f5es culturais, mesmo sofrendo algumas misturas. S\u00e3o como as antigas profiss\u00f5es de ferreiro, alfaiate, relojoeiro, amolador de facas, sapateiro, dentre outras, que ainda sobrevivem \u00e0s novas tecnologias.<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0 No Brasil rural e no Nordeste arcaico, principalmente, at\u00e9 meados do s\u00e9culo XX, o documento mais valioso para as fam\u00edlias era o Certificado de Batismo, o primeiro que os pais se preocupavam em tirar quando os filhos nasciam. 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