{"id":12026,"date":"2026-06-06T00:37:05","date_gmt":"2026-06-06T03:37:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=12026"},"modified":"2026-06-06T00:37:22","modified_gmt":"2026-06-06T03:37:22","slug":"lampiao-senhor-do-sertao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/06\/06\/lampiao-senhor-do-sertao\/","title":{"rendered":"&#8220;LAMPI\u00c3O-SENHOR DO SERT\u00c3O&#8221;"},"content":{"rendered":"<h3><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/DSC_1279.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12027\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/DSC_1279.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/DSC_1279.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/DSC_1279-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/h3>\n<h3>\u00a0 Ao escreverem sobre o canga\u00e7o, praticamente todos os historiadores, pesquisadores e estudiosos do assunto procuram fazer uma descri\u00e7\u00e3o antecipada do Nordeste entre o s\u00e9culo XVI at\u00e9 meados do s\u00e9culo XX, em rela\u00e7\u00e3o ao seu isolamento pol\u00edtico e socioecon\u00f4mico do resto do pa\u00eds, seu solo, costumes, h\u00e1bitos, religiosidade e outros aspectos inerentes \u00e0 regi\u00e3o.<\/h3>\n<h3>\u00a0\u00a0 A pesquisadora \u00c9lise Gruspan-Jasmim em sua obra \u201cLampi\u00e3o Senhor do Sert\u00e3o\u201d tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o nesta abordagem. Antes de penetrar na vida de Virgulino Ferreira, desde o seu nascimento, batist\u00e9rio, sua inf\u00e2ncia e juventude no sert\u00e3o, com v\u00e1rias vers\u00f5es obtidas de fontes diversas, a autora faz um panorama sobre o Nordeste daquelas \u00e9pocas.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Em sua apresenta\u00e7\u00e3o da obra, vamos aqui citar alguns trechos do seu ponto vista quanto a regi\u00e3o. Sobre o sert\u00e3o, por exemplo, \u00c9lise destaca ser um territ\u00f3rio cujas limita\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas se modificaram com o correr do tempo, como se esta regi\u00e3o se constru\u00edsse e se elaborasse sem cessar.<\/h3>\n<h3>\u00a0 \u201cSert\u00e3o quer dizer grandes deserto (\u201cdeserto\u201d) no sentido pr\u00f3prio \u00a0\u00a0e no sentido figurado, mas tamb\u00e9m terras interiores\u201d. Alguns dicion\u00e1rios o definem como \u201cterra long\u00ednqua\u201d. Em rela\u00e7\u00e3o ao litoral, o Nordeste \u00e9 visto como zona \u00e1rida, pouco povoada, assolada pela mis\u00e9ria e pela seca, exposta \u00e0 viol\u00eancia, ao banditismo, \u00e0 injusti\u00e7a, ao fanatismo religioso \u2013 um outro mundo, com outros c\u00f3digos, sem meios de comunica\u00e7\u00e3o, isolado da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/h3>\n<h3>\u00a0 De acordo com a autora, nas representa\u00e7\u00f5es, o sert\u00e3o tem, portanto, uma dupla identidade: Regi\u00e3o atrasada, de cultura arcaica, e ao mesmo tempo, mem\u00f3ria viva, \u201cquadro arqueol\u00f3gico da sociedade brasileira\u201d, na express\u00e3o de Luis da Costa Pinto.<\/h3>\n<h3>\u00a0 A autora fala das revoltas que eclodiram no Nordeste do passado. Para ela, as rebeli\u00f5es camponesas nunca eram dirigidas contra os coron\u00e9is, e sim contra um poder central an\u00f4nimo e distante, como a de 1852, na regi\u00e3o de Pau d\u00b4Alho, conhecida em Pernambuco pelo nome de \u201cRevolu\u00e7\u00e3o dos Marimbondos\u201d, e na Para\u00edba sob o nome de \u201cRonco da Abelha\u201d.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Ao entrar na quest\u00e3o do canga\u00e7o, a escritora ressalta que no per\u00edodo da coloniza\u00e7\u00e3o holandesa no Nordeste, menciona-se a presen\u00e7a de grupos de bandidos formados por desertores estrangeiros, por escravos fugitivos e brasileiros.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Os escritos citam o c\u00e9lebre Jos\u00e9 Gomes, o \u201cCabeleira\u201d, origin\u00e1rio de Pernambuco, que disseminou o terror na segunda metade do s\u00e9culo XVIII e foi enforcado em Recife em pra\u00e7a p\u00fablica.<\/h3>\n<h3>\u00a0 Ap\u00f3s mapear o Nordeste, com suas caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, a autora esmi\u00fa\u00e7a com detalhes as origens de Lampi\u00e3o, sua descend\u00eancia e os motivos pelos quais ele entrou no canga\u00e7o.<\/h3>\n<h3>\u00a0 \u00a0Muitos falam que Lampi\u00e3o se tornou um bandido depois da morte de seu pai, Jos\u00e9 Ferreira, sob o comando do tenente Jos\u00e9 Lucena, mas antes disso, por volta de 1918\/19, ele j\u00e1 tinha se tornado um cangaceiro com seus irm\u00e3os Livino, Ant\u00f4nio e Ezequiel.<\/h3>\n<h3>Tudo come\u00e7ou neste per\u00edodo por causa das desaven\u00e7as com o vizinho Jos\u00e9 Saturnino, no munic\u00edpio de Vila Bela. As vers\u00f5es s\u00e3o as mais diversas, desde roubo de animais at\u00e9 por causa de um chocalho que Virgulino, supostamente, teria extra\u00eddo de uma res de Saturnino.<\/h3>\n<h3>\u00a0No Nordeste se admitia um assassinato por vingan\u00e7a, mas n\u00e3o um ladr\u00e3o. Al\u00e9m de autores, testemunhas, entrevistas, pesquisas em documentos, \u00c9lise cita muito as obras dos cordelistas, principalmente de Leandro Gomes Bezerra e Francisco das Chagas Batista, apesar de seus escritos n\u00e3o serem totalmente confi\u00e1veis por causa dos floreios dados em seus versos.<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Ao escreverem sobre o canga\u00e7o, praticamente todos os historiadores, pesquisadores e estudiosos do assunto procuram fazer uma descri\u00e7\u00e3o antecipada do Nordeste entre o s\u00e9culo XVI at\u00e9 meados do s\u00e9culo XX, em rela\u00e7\u00e3o ao seu isolamento pol\u00edtico e socioecon\u00f4mico do resto do pa\u00eds, seu solo, costumes, h\u00e1bitos, religiosidade e outros aspectos inerentes \u00e0 regi\u00e3o. \u00a0\u00a0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12026"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12026"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12026\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12028,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12026\/revisions\/12028"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12026"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12026"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12026"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}