{"id":12015,"date":"2026-06-04T23:11:29","date_gmt":"2026-06-05T02:11:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=12015"},"modified":"2026-06-04T23:12:27","modified_gmt":"2026-06-05T02:12:27","slug":"caligrafia-do-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/06\/04\/caligrafia-do-amor\/","title":{"rendered":"CALIGRAFIA DO AMOR"},"content":{"rendered":"<h3><strong>(Chico Ribeiro Neto)<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>Um conhecido me pediu para escrever uma carta de amor que ele queria mandar para uma mulher. \u201cIsso eu n\u00e3o fa\u00e7o\u201d, respondi. \u201cMas o senhor n\u00e3o \u00e9 escritor?\u201d, insistiu ele. N\u00e3o sei escrever carta de amor, discurso pol\u00edtico nem serm\u00e3o de igreja.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>Escrevo umas \u201ccroniquetas catarinas\u201d h\u00e1 alguns anos. Tamb\u00e9m n\u00e3o escrevo para mudar o mundo. Isso \u00e9 tarefa complicada. Escrevo para reviver minha inf\u00e2ncia (manancial inesgot\u00e1vel), exorcizar meus fantasmas, falar do cotidiano das pessoas ou para \u201cbotar as m\u00e1goas em dia\u201d, como dizia uma velha amiga.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>N\u00e3o me pe\u00e7am para escrever cartas de amor. N\u00e3o se escreve um dengo. Sou um aprendiz do amar e n\u00e3o tenho conselhos a dar nessa \u00e1rea, por sinal muito complicada. \u201cCada qual com seu cada qual\u201d. Nunca fui bom de conselhos, ainda mais em mat\u00e9ria de amor.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>Disse ao interessado pela carta que a Internet est\u00e1 cheia de modelos de cartas de amor. \u00c9 s\u00f3 escolher uma e copi\u00e1-la. Tem carta pra come\u00e7ar um namoro, pra reatar e pra terminar.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>H\u00e1 tamb\u00e9m modelos de cartas de amor para a namorada chorar e o texto recomenda: \u201cFoque em vulnerabilidade, gratid\u00e3o e mem\u00f3rias \u00fanicas\u201d.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>H\u00e1 ainda dicas para tornar a carta inesquec\u00edvel. A primeira dica: \u201cEscreva \u00e0 m\u00e3o: a caligrafia transmite muito mais emo\u00e7\u00e3o e esfor\u00e7o\u201d.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>Se o interessado quiser jogar mais alto, a Internet oferece trechos de cartas de amor de Baudelaire, Beethoven, Napole\u00e3o e Shakespeare.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>Antigamente, os camel\u00f4s vendiam livrinhos com modelos de cartas de amor. Tamb\u00e9m havia o famoso bilhete enviado, totalmente escondido, para uma virgem inacess\u00edvel e recolhida ao castelo no seu enorme roup\u00e3o branco.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>Senti vontade dizer ao cara que me solicitou a carta: \u201cChegue junto, cara, melhor do que qualquer carta. Mas n\u00e3o fa\u00e7a como aquele amigo do cronista Paulo Mendes Campos que, quando jovem, aproximou-se de uma garota na pra\u00e7a, criou coragem e disse: \u201cT\u00e1 de verde hoje, hein?\u201d<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>Encerro com a brilhante frase do escritor e poeta Francesco Petrarca: \u201cAs duas cartas de amor mais dif\u00edceis de escrever s\u00e3o a primeira e a \u00faltima\u201d.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>(Veja cr\u00f4nicas anteriores em leiamaisba.com.br)<\/strong><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto) Um conhecido me pediu para escrever uma carta de amor que ele queria mandar para uma mulher. \u201cIsso eu n\u00e3o fa\u00e7o\u201d, respondi. \u201cMas o senhor n\u00e3o \u00e9 escritor?\u201d, insistiu ele. N\u00e3o sei escrever carta de amor, discurso pol\u00edtico nem serm\u00e3o de igreja. 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