{"id":12004,"date":"2026-06-02T23:10:20","date_gmt":"2026-06-03T02:10:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=12004"},"modified":"2026-06-02T23:10:35","modified_gmt":"2026-06-03T02:10:35","slug":"o-estado-e-o-inferno-de-dante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/06\/02\/o-estado-e-o-inferno-de-dante\/","title":{"rendered":"O ESTADO \u00c9 O INFERNO DE DANTE"},"content":{"rendered":"<h3>\u00a0<strong> H\u00e1 milh\u00f5es de anos era o homem da pedra vivendo em cavernas e depois seus descentes formaram tribos. Alguns decidiram ser colhedores e ca\u00e7adores n\u00f4mades, os mais livres. Outros optaram por ferir a terra e nela se fixarem como agricultores e domesticadores dos animais.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 At\u00e9 a\u00ed tudo bem, mas as tribos foram se espalhando e guerreando entre si, tudo pelo poder do dom\u00ednio territorial de governar mais e mais gente. Dessa evolu\u00e7\u00e3o, que durou mil\u00eanios, nasceu o inferno que \u00e9 hoje o Estado, com uma sociedade e um sistema cheio de parafern\u00e1lias e burocracias que controlam todos os passos das pessoas.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 A \u201cDivina Com\u00e9dia\u201d, do italiano Dante Alighieri (s\u00e9culo XIV), \u00e9 uma viagem aleg\u00f3rica, onde Dante, guiado pelo poeta romano Virg\u00edlio, desce aos nove c\u00edrculos conc\u00eantricos do inferno, testemunhando os castigos reservados \u00e0s almas de acordo com seus pecados. O Estado \u00e9 maquiav\u00e9lico e tem mais que nove camadas. No inverso, os pecados est\u00e3o reservados ao Estado contra o povo.\u00a0 \u00a0<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Esse inferno, com suas mudan\u00e7as c\u00edclicas e suas revolu\u00e7\u00f5es industrial e tecnol\u00f3gica, foi cada vez mais ficando pior com suas labaredas de fogo, para nos consumir e extrair nossas tripas atrav\u00e9s das cobran\u00e7as de impostos, taxas, obriga\u00e7\u00f5es, regras, deveres e um monte de papelada para nos identificar. Inchou demais, cobra o m\u00e1ximo e nos d\u00e1 o m\u00ednimo.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 O Estado \u00e9 como um drag\u00e3o faminto com seu tridente que nunca se sacia do nosso sangue e s\u00f3 faz limitar a os nossos direitos. Os bons foram sendo nivelados com os maus e a\u00ed o inferno se tornou insuport\u00e1vel, ao ponto de os anarquistas terem criado a m\u00e1xima de que, \u201cse existe Governo, sou contra\u201d.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 Criaram diversos regimes, de acordo com cada mandat\u00e1rio dentro das culturas ocidental e oriental. Dividiram as partes em capitalismo e socialismo. Uns autorit\u00e1rios, tiranos, autocr\u00e1ticos, teocr\u00e1ticos, olig\u00e1rquicos, ditatoriais e democr\u00e1ticos, o melhor dos piores.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 Na democracia, nos iludimos que somos totalmente livres e podemos fazer o que nos vem na telha, mas n\u00e3o \u00e9 bem assim. Mesmo nele, somos vigiados dia a dia, e o Estado continua sendo um inferno, com seus c\u00e3es da peste, diabos, belzebus e satanais.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Na vida pr\u00e1tica, temos que seguir suas normas, n\u00e3o importa se razo\u00e1veis, sensatas ou absurdas, ditadas por uma sociedade hip\u00f3crita e fariseia que passa o tempo todo censurando o que ela acha o que est\u00e1 certo ou errado.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0O Estado inferno estabeleceu os conceitos de normal e anormal que devemos seguir, sob pena de sermos chamados a sentar no banco dos r\u00e9us. Qualquer p\u00e9 em falso, somos tratados como exclu\u00eddos fora da linha e nos chamam de marginais.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 Com sua excessiva burocracia, criaram uma montanha de documentos, sempre em constantes processos de mudan\u00e7as, para provarmos quem somos, o que fazemos, para onde vamos e como estamos nos comportando. \u00c9 o Estado inferno nos controlando o tempo todo. \u00a0Com as novas tecnologias, vigia todos nossos passos.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0Todos n\u00f3s somos considerados maus, fals\u00e1rios e estelionat\u00e1rios, at\u00e9 que se prove o contr\u00e1rio. Esse Estado inferno sempre est\u00e1 constantemente nos pedindo uma nova identidade, novo cadastro pessoal e familiar para termos direito a algum benef\u00edcio-esmola, um novo t\u00edtulo eleitoral, uma nova CNH, um novo passaporte, provas de vida e os escambaus.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0Os \u201cdonos\u201d desse Estado entopem de papeladas e formul\u00e1rios estressantes que nos matam lentamente, principalmente os coitados dos idosos, n\u00e3o importando se tem 100 ou mais anos. Nos obrigam a entrar naquelas filas infernais que come\u00e7am na madrugada e terminam ao anoitecer. Este inferno n\u00e3o se acaba quando se \u201cbate as botas\u201d.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 Para atravessarmos o outro lado do rio, conforme a mitologia grega, e alcan\u00e7armos a outra margem dos mortos, as almas penadas pelo Estado inferno t\u00eam ainda que pagar uma taxa ao barqueiro Caronte.\u00a0<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>Para garantir a viagem, era costume enterrar os mortos com uma moeda (o \u00f3bolo) colocada na boca que servia como pagamento. O sinistro barqueiro foi substitu\u00eddo pelo Estado que nos exige uma montanha de tr\u00e2mites burocr\u00e1ticos e uma grana, sen\u00e3o ficamos fora do barco e viramos carni\u00e7a de urubu. \u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 H\u00e1 milh\u00f5es de anos era o homem da pedra vivendo em cavernas e depois seus descentes formaram tribos. Alguns decidiram ser colhedores e ca\u00e7adores n\u00f4mades, os mais livres. 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