{"id":11978,"date":"2026-05-26T22:38:50","date_gmt":"2026-05-27T01:38:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11978"},"modified":"2026-05-26T22:39:06","modified_gmt":"2026-05-27T01:39:06","slug":"violencia-contra-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/05\/26\/violencia-contra-violencia\/","title":{"rendered":"VIOL\u00caNCIA CONTRA VIOL\u00caNCIA"},"content":{"rendered":"<h3>\u00a0<strong>\u00a0 Longe de mim defender aqui o indiv\u00edduo que matou a tiros a ex-mulher (Yasmim) porque ela se recusava a viver com ele. No entanto, fica aqui uma indaga\u00e7\u00e3o: Por que a pol\u00edcia n\u00e3o conseguiu mobilizar o suposto criminoso que apenas estava com uma faca, quando sabemos que teria recursos e meios para tanto?<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 \u00c9 a viol\u00eancia contra a viol\u00eancia? Para esta sociedade hip\u00f3crita e o sistema que cria a pr\u00f3pria barbaridade, tinha que matar mesmo. Vivemos a Lei de Tali\u00e3o (lex telionis), famosa pela m\u00e1xima do \u201colho por olho, dente por dente\u201d onde estabelece que o castigo deve ser proporcional ao dano causado pelo infrator.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 A origem vem do C\u00f3digo de Humurabi (1772 a.C.), a mais antiga codifica\u00e7\u00e3o de leis escritas da Mesopot\u00e2mia. O preceito foi incorporado na B\u00edblia hebraica (\u00caxodo e Lev\u00edtico). Vamos aprovar a Lei de Tali\u00e3o? \u00a0<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0No caso espec\u00edfico do Brasil, a viol\u00eancia nos transporta aos tempos do cangaceirismo e do coronelismo nordestino, onde a regi\u00e3o, isolada socialmente por s\u00e9culos, era terra de ningu\u00e9m at\u00e9 meados do s\u00e9culo XX, quando se fazia a justi\u00e7a com as pr\u00f3prias m\u00e3os, porque n\u00e3o havia Justi\u00e7a.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 No epis\u00f3dio recente de Vit\u00f3ria da Conquista, matou-se a pr\u00f3pria prova do crime, porque em termos jur\u00eddicos n\u00e3o h\u00e1 processo material para o julgamento do r\u00e9u, assim entendo, mesmo n\u00e3o sendo advogado especialista no assunto.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 N\u00e3o posso aqui avaliar as circunst\u00e2ncias, mas um grupo de soldados, que recebeu treinamento e instru\u00e7\u00f5es de procedimentos, n\u00e3o poderia ter detido o agressor, sem mat\u00e1-lo, como, por exemplo, dado um tiro na perna do elemento?<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>A pol\u00edcia n\u00e3o pode agir emocionalmente, tomada pela raiva do momento. Nessa hora ningu\u00e9m quer saber como o cara foi morto e se havia possibilidade de ter sido preso para ser julgado e sentenciado, para pagar seu ato cruel na cadeia.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Como j\u00e1 nos acostumamos a viver num quadro b\u00e1rbaro de viol\u00eancia contra a viol\u00eancia, a maioria por motivos torpes, como matar a mulher porque n\u00e3o mais aceitava o relacionamento, ningu\u00e9m aqui quer saber se a pol\u00edcia agiu corretamente, ou se deveria ter atuado de outra maneira.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Para esta sociedade, tinha que matar mesmo, na base da viol\u00eancia contra a viol\u00eancia. Com nunca se confiou na justi\u00e7a brasileira, nesse caso, a justi\u00e7a foi feita e o resto n\u00e3o importa, se a pol\u00edcia poderia ter ou n\u00e3o mobilizado o sujeito.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Infelizmente, vivemos numa \u00e9poca t\u00e3o violenta e desumana que as pessoas n\u00e3o param mais para refletir sobre suas a\u00e7\u00f5es e a dos outros. Perdemos a voz da raz\u00e3o e at\u00e9 n\u00e3o mais concordamos que viol\u00eancia s\u00f3 gera viol\u00eancia. \u00a0<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Entendemos que o certo mesmo \u00e9 a viol\u00eancia contra a viol\u00eancia porque j\u00e1 estamos dominados pela emo\u00e7\u00e3o e a ira contra os crimes b\u00e1rbaros, como se esta atitude fosse resolver os problemas sociais. No fundo, quase todos concordam com a pena de morte. Ali\u00e1s, pesquisas j\u00e1 revelaram isso.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0Como estamos falando de agress\u00f5es contra as mulheres, cada vez mais em alta escala, n\u00e3o paramos para raciocinar que essa tal de medida preventiva \u00e9 uma balela, um embuste e uma demagogia pol\u00edtica, mesmo porque, na pr\u00e1tica, ela n\u00e3o funciona.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 \u00a0Por acaso, o policial vai ficar 24 horas vigiando os passos do agressor cuja mulher conseguiu a medida protetiva judicial? Ele continua com o direito de transitar em qualquer lugar e chegar at\u00e9 a ex-companheira que n\u00e3o tem nenhuma seguran\u00e7a pessoal. Nem \u201cpresa\u201d dentro da sua casa ela est\u00e1 salva.\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0 Longe de mim defender aqui o indiv\u00edduo que matou a tiros a ex-mulher (Yasmim) porque ela se recusava a viver com ele. 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