{"id":11973,"date":"2026-05-22T22:28:51","date_gmt":"2026-05-23T01:28:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11973"},"modified":"2026-05-22T22:29:36","modified_gmt":"2026-05-23T01:29:36","slug":"lampiao-tentou-se-regenerar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/05\/22\/lampiao-tentou-se-regenerar\/","title":{"rendered":"LAMPI\u00c3O TENTOU SE REGENERAR"},"content":{"rendered":"<h3>\u00a0 <strong>Durante seus 20 anos de canga\u00e7o por v\u00e1rios estados nordestinos (Cear\u00e1, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Para\u00edba, Bahia, Alagoas e Sergipe), por diversas vezes, Lampi\u00e3o, o \u201crei do canga\u00e7o\u201d, tentou se regenerar e deixar a vida de bandoleiro que levava. No jeito sertanejo nordestino de ser, foi at\u00e9 considerado um religioso beato, com suas rezas e devo\u00e7\u00f5es, especialmente a da \u201cPedra Cristalina\u201d, para fechar seu corpo.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 \u00c9 vasta a literatura sobre o canga\u00e7o a partir dos cordelistas, mas muitos escritos n\u00e3o s\u00e3o confi\u00e1veis. O primeiro livro publicado sobre Lampi\u00e3o pela imprensa oficial da Para\u00edba, em 1926, intitulado \u201cLampi\u00e3o, sua Hist\u00f3ria\u201d, possivelmente foi escrito por \u00c9rico de Almeida. Outros atribuem a Jo\u00e3o Suassuna, na \u00e9poca governador da Para\u00edba.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0Sobre abandonar o canga\u00e7o, de acordo com a maioria dos escritores e historiadores, inclusive Billy Chandler, em \u201cLampi\u00e3o, o Rei dos Cangaceiros\u201d, seu primeiro lampejo em se regenerar foi quando esteve em Juazeiro do Norte, em 1926, com o padre C\u00edcero Rom\u00e3o, o seu \u201cPadim Ci\u00e7o\u201d, que lhe deu bons conselhos nesse sentido.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Os sertanejos o admiravam como homem de palavra, embora mudasse muito de opini\u00f5es em suas entrevistas. Enquanto dizia ao padre C\u00edcero que queria se regenerar, confidenciava a um jornalista que o canga\u00e7o era um bom neg\u00f3cio e que nunca pensara em abandon\u00e1-lo. Retornou para falar com seu admirado padre, em 1926, mas este recusou em receb\u00ea-lo.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Em outras ocasi\u00f5es, quando interrogado se planejava continuar pelo resto da vida, afirmou que talvez tentasse outra coisa, como ser grande comerciante ou fazendeiro. Expressou at\u00e9 seu desejo de ser governador e presidente da Rep\u00fablica, estimulado pela fama de suas fa\u00e7anhas e pela pr\u00f3pria imprensa.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Em 1929, por\u00e9m, em Capela (Sergipe), tornou a repetir que a vida no canga\u00e7o era agrad\u00e1vel. Antes de fazer esta declara\u00e7\u00e3o, entretanto, revelou a um entrevistador, em Tucano, na Bahia, que a vida n\u00e3o era boa. Tenho sofrido, mas, em compensa\u00e7\u00e3o, gozado bastante.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 No in\u00edcio de sua carreira como bandido profissional, em 1921, aconselhou a um grupo de jovens rapazes a n\u00e3o seguir seu exemplo. Em 1925, a algumas pessoas, destacou que sua entrada para o canga\u00e7o fora uma desgra\u00e7a e que nascera para ser fazendeiro e n\u00e3o cangaceiro.\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0\u00a0 Quando estava se recuperando de seus ferimentos na fazenda de Marcolino, em Princesa (Para\u00edba), por volta de 1924, entrou em contato com o padre Jos\u00e9 Kehrle e pediu que levasse um recado ao comandante da tropa de Pernambuco, Te\u00f3fanes Torres, o tenente que prendeu Ant\u00f4nio Silvino, em 1914.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Segundo o padre, Lampi\u00e3o ofereceu se entregar \u00e0 pol\u00edcia em troca da garantia da sua vida e a de seus homens. Te\u00f3fanes prometeu garantir sua vida, mas n\u00e3o fez a mesma promessa a respeito de seus companheiros, Ent\u00e3o, Lampi\u00e3o n\u00e3o aceitou. O pr\u00f3prio padre Kehrle tentou persuadi-lo em deixar o canga\u00e7o.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0\u00a0 O velho cangaceiro Sebasti\u00e3o Pereira, o \u201cSinh\u00f4 Pereira\u201d, que foi chefe e ensinou muita coisa a Lampi\u00e3o, contou que no meado da d\u00e9cada de 1930 lhe escrevera, convidando-o a abandonar o canga\u00e7o e ir para Minas Gerais, onde seu mestre estava morando, para viver sob a prote\u00e7\u00e3o do irm\u00e3o do governador. Lampi\u00e3o nunca respondeu a carta.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Conforme descreve Billy, teria sido mais f\u00e1cil Lampi\u00e3o ter sa\u00eddo do canga\u00e7o em seus primeiros anos de banditismo quando a campanha de Pernambuco chegou a ser tolerante com ele. Com a morte do pai pela pol\u00edcia alagoana, chefiada por Jos\u00e9 Lucena, em meado dos anos 20, Lampi\u00e3o desabafou que iria morrer no canga\u00e7o.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>Com o refor\u00e7o das tropas de Pernambuco e outros estados, visando captur\u00e1-lo, principalmente depois de 1930, no Governo de Get\u00falio Vargas, a possibilidade de regenera\u00e7\u00e3o tornou-se ainda mais remota.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Em 1928, por exemplo, falou em Tucano (Bahia) que gostaria de deixar o canga\u00e7o se encontrasse algu\u00e9m que o protegesse, mas acrescentou, que n\u00e3o conhecia ningu\u00e9m nestas condi\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 Em Capela (Sergipe) chegou a ser enf\u00e1tico de que era tarde demais para deixar de ser cangaceiro. Como prova desta atitude, segundo Billy Chandler, levava consigo sempre um vidrinho de veneno em seu embornal, para ser usado caso fosse capturado. Este vidro estava com ele em Angicos, quando foi morto em 1938.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>Um ano antes, ao seu irm\u00e3o Jo\u00e3o, disse que lutaria at\u00e9 morrer. Nesta \u00e9poca, Lampi\u00e3o, com 40 anos, n\u00e3o era mais o mesmo. Al\u00e9m dos problemas nas vistas, sofria dos rins e reumatismo.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Jo\u00e3o revelou que ele parecia velho e cansado e at\u00e9 o aconselhou a deixar o canga\u00e7o e se recolher num lugar distante onde n\u00e3o seria reconhecido. Lampi\u00e3o respondeu que era conhecido demais para se esconder e que n\u00e3o tinha confian\u00e7a bastante em seus amigos.\u00a0\u00a0<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Apesar de tudo, acalentava a ideia de voltar a uma vida normal. Dad\u00e1, mulher de Corisco, contou, certa vez, que Lampi\u00e3o dissera que deixaria o canga\u00e7o se Eronides, governador de Sergipe, seu amigo, fosse eleito presidente da Rep\u00fablica.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 Contam muitas hist\u00f3rias sobre ele, inclusive de que se julgava capaz de ser outra coisa que um simples bandido errante. Falou uma vez em alistar uma tropa de mil homens para lutar com as pol\u00edcias de Pernambuco e Para\u00edba, com a finalidade de conseguir anistia para si e para seus homens.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>Imaginava ser governador de um novo estado sertanejo, formado de partes da Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco. Expressou at\u00e9 o desejo de ser presidente da Rep\u00fablica.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Com suas estrat\u00e9gias, lideran\u00e7a e t\u00e1ticas de guerrilha, se Lampi\u00e3o fosse instru\u00eddo e tivesse consci\u00eancia pol\u00edtico-social teria feito uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o e at\u00e9 tomado o poder executivo, sempre uma calamidade por muitos que exerceram a fun\u00e7\u00e3o nacional. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Durante seus 20 anos de canga\u00e7o por v\u00e1rios estados nordestinos (Cear\u00e1, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Para\u00edba, Bahia, Alagoas e Sergipe), por diversas vezes, Lampi\u00e3o, o \u201crei do canga\u00e7o\u201d, tentou se regenerar e deixar a vida de bandoleiro que levava. No jeito sertanejo nordestino de ser, foi at\u00e9 considerado um religioso beato, com suas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11973"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11973"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11973\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11974,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11973\/revisions\/11974"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11973"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11973"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11973"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}