{"id":11954,"date":"2026-05-18T22:27:49","date_gmt":"2026-05-19T01:27:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11954"},"modified":"2026-05-18T22:28:26","modified_gmt":"2026-05-19T01:28:26","slug":"o-escrever-a-mao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/05\/18\/o-escrever-a-mao\/","title":{"rendered":"O ESCREVER \u00c0 M\u00c3O"},"content":{"rendered":"<h3><strong>A DIFEREN\u00c7A ENTRE ESCREVER \u00c0 M\u00c3O E O DIGITALIZAR NO COMPUTADOR. A M\u00c1QUINA DESUMANIZA. A M\u00c3O, A TINTA, A CANETA E O PAPEL FAZEM O ELO DA INTERATIVIDADE COM O C\u00c9REBRO.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 A cabe\u00e7a reage bem melhor e com mais emo\u00e7\u00e3o quando se escreve \u00e0 m\u00e3o, deslizando a caneta no papel, do que na m\u00e1quina datilogr\u00e1fica &#8211; h\u00e1 muito tempo em desuso \u2013 ou no atual computador. No modo tradicional do papel, as ideias brotam mais r\u00e1pidas, com mais for\u00e7a e inspira\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 A maior parte dos famosos escritores fazia seus livros \u00e0 m\u00e3o, n\u00e3o importando o g\u00eanero, e depois as secret\u00e1rias ou as editoras digitalizavam o material, observando as devidas corre\u00e7\u00f5es pontuais. Mesmo com os atuais avan\u00e7os da tecnologia, ainda existem aqueles que mant\u00e9m o h\u00e1bito convencional da era das cartas. E como era satisfat\u00f3rio assinar embaixo!<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Escrever \u00e0 m\u00e3o \u00e9 bem mais prazeroso e sentimos que a mente se conecta com maior intensidade com a pena. Ainda hoje fa\u00e7o meus versos e alguns peda\u00e7os de textos \u00e0 m\u00e3o para depois digitar. O texto flui e as palavras parecem cair em borbot\u00f5es, sem muito esfor\u00e7o.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>Sinto a diferen\u00e7a quando escrevo direto no computador, como estou a fazer agora. N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa. O pensamento se torna mais lento, \u00e0s vezes bate a fadiga e se exige mais esfor\u00e7os racionais dos neur\u00f4nios.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>A escrita \u00e0 m\u00e3o galopa como no picado de um cavalo de ra\u00e7a, e a cabe\u00e7a corresponde bem melhor, de uma forma mais sequencial e livre. Tem-se a sensa\u00e7\u00e3o de liberdade! O enredo, ou a hist\u00f3ria, voa como um p\u00e1ssaro, num ritmo cadenciado e silencioso, bem diferente do teclado. \u00a0\u00a0<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Na pressa do dia a dia, no corre-corre, perdeu-se o h\u00e1bito da escrita \u00e0 m\u00e3o para economizar tempo, indo direto ao computador. A tecnologia tamb\u00e9m nos levou a isso. Confesso que levei tempo para me acostumar e percebo que as palavras n\u00e3o caem do mesmo jeito como quando coloco a caneta para funcionar no papel.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 As coloca\u00e7\u00f5es, os termos e as express\u00f5es se unem com maior precis\u00e3o ao tema. O texto tem mais alma e sentimento, procurando o leitor que por ele se atrai. Nem tudo, mas muitas coisas dos meus livros foram pari\u00e7\u00f5es escritas \u00e0s m\u00e3os, inclusive em pap\u00e9is de guardanapos em mesas de bares.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 Quando entrei para o jornalismo, nas reda\u00e7\u00f5es corridas das mat\u00e9rias, para fechar as p\u00e1ginas nos hor\u00e1rios marcados, perdi o h\u00e1bito tradicional, ainda como estudante, mas foi muito dif\u00edcil adaptar o c\u00e9rebro \u00e0 m\u00e1quina de escrever.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Muitas vezes, pelo menos fazia a abertura (o lide e o sublide) da reportagem \u00e0 m\u00e3o, para depois dar sequ\u00eancia ao resto do texto na m\u00e1quina.\u00a0 Muitos colegas tamb\u00e9m assim procediam enquanto se esperava por uma m\u00e1quina.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 Nos museus e arquivos ainda se encontram manuscritos \u00e0 m\u00e3o de obras e cartas de grandes escritores, como Machado de Assis, Jos\u00e9 Lins do Rego, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz, E\u00e7a de Queir\u00f3s, Fernando Pessoa, Hermann Hesse, Ernest Hemingway, Dostoievski e tantos outros.\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A DIFEREN\u00c7A ENTRE ESCREVER \u00c0 M\u00c3O E O DIGITALIZAR NO COMPUTADOR. 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