{"id":11901,"date":"2026-05-02T10:50:17","date_gmt":"2026-05-02T13:50:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11901"},"modified":"2026-05-02T10:50:36","modified_gmt":"2026-05-02T13:50:36","slug":"o-1o-de-maio-nao-e-mais-o-mesmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/05\/02\/o-1o-de-maio-nao-e-mais-o-mesmo\/","title":{"rendered":"O 1o DE MAIO N\u00c3O \u00c9 MAIS O MESMO"},"content":{"rendered":"<h3>\u00a0\u00a0 <strong>H\u00e1 uns 40 ou 50 anos, o 1\u00ba de Maio era comemorado no Brasil com grandes manifesta\u00e7\u00f5es e protestos nas avenidas e pra\u00e7as, com bandeiras, faixas e cartazes onde a ordem era o grito de reivindica\u00e7\u00f5es por melhorias trabalhistas. Al\u00e9m de trabalhadores, intelectuais e artistas, os estudantes se uniam por uma mesma causa.\u00a0\u00a0<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Com o tempo, as elites burguesas empresariais, lideradas pelos pol\u00edticos, esfacelaram os movimentos, enfraqueceram os sindicatos e as centrais com suas reformas escravagistas. Nos \u00faltimos anos temos uma comemora\u00e7\u00e3o p\u00e1lida e fora de tom, com shows musicais, comilan\u00e7as de churrascos, distribui\u00e7\u00e3o de pr\u00eamios, corridas de maratonas e festas de lazer nos parques.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Poucos grupos ainda se re\u00fanem para reviver aquele passado que seguia e ainda segue o mesmo ritmo dos movimentos reivindicat\u00f3rios espalhados por v\u00e1rias partes do mundo, com ordens de justi\u00e7a social e menos explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 \u00c9 triste de se ver o 1\u00ba de Maio do Brasil de hoje, com sua cara alienada, recolhida e oprimida em seu canto, com alguns eventos desafinados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 data maior do trabalhador, onde \u00e9 o patr\u00e3o que dita as regras, e os oper\u00e1rios, sem uma representa\u00e7\u00e3o digna, baixam humildemente a cabe\u00e7a.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Bastam ver as imagens das manifesta\u00e7\u00f5es nos pa\u00edses europeus, asi\u00e1ticos e outros continentes e compar\u00e1-las com as do nosso pa\u00eds. A diferen\u00e7a \u00e9 gritante. At\u00e9 parece que aqui vai tudo bem e \u00e9 um para\u00edso do bem-estar, da igualdade social e da valoriza\u00e7\u00e3o do trabalhador.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 O ponto principal \u00e9 o fim da escala 6 por um (milh\u00f5es de funcion\u00e1rios p\u00fablicos j\u00e1 t\u00eam a escala 5 por dois), como se o resto estivesse em mil maravilhas. Milh\u00f5es vivem na informalidade, outros milh\u00f5es trabalhando sem carteira assinada e ocupando v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es, num regime for\u00e7ado de escravid\u00e3o.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00c9 bem verdade que temos mais mulheres no mercado de trabalho dando duro para ganhar o p\u00e3o de cada dia, mas recebendo menos que os homens que j\u00e1 t\u00eam um sal\u00e1rio m\u00ednimo e trabalham mais. Quando falo de mulheres, n\u00e3o quero aqui entrar no m\u00e9rito da cor da pele. Prefiro voltar meu olhar para a meritocracia e a capacidade.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0O Minist\u00e9rio do Trabalho s\u00f3 se ocupa de divulgar estat\u00edsticas, muitas delas maquiadas. N\u00e3o existem mais agentes nas cidades para fiscalizar as empresas urbanas e rurais. Os acordos s\u00e3o ditados pelo capital selvagem, os intermitentes ganham umas migalhas de vez em quando e o trabalhador se submete aos ditames dos senhores para n\u00e3o perder o emprego.\u00a0 \u00a0<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 O quadro \u00e9 desolador e n\u00e3o adianta aqui colocar pontos de vistas ideol\u00f3gicos marxistas, com pensamentos acad\u00eamicos intrincados que poucos v\u00e3o entender. Melhor estampar o quadro da realidade brasileira do atraso, da submiss\u00e3o, dos discursos arcaicos que destoam de um povo que parece ter se entregado \u00e0 pr\u00f3pria sorte, tendo como \u00e2ncora a religi\u00e3o do Deus que assim quis.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 S\u00f3 para dar minhas \u00faltimas pinceladas, o Dia do Trabalho surgiu em 1886, nos Estados Unidos (hoje humilhado e vivendo sob um regime autorit\u00e1rio), ap\u00f3s uma greve geral em Chicago onde milhares de trabalhadores exigiam a redu\u00e7\u00e3o da jornada para oito di\u00e1rias. Na \u00e9poca chegavam a 17 horas. O movimento ficou marcado pela repress\u00e3o com mortes e pris\u00f5es. Foi a chamada Revolta de Haymarket.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Na verdade, foi a Segunda Internacional Socialista, reunida em Paris, em 1889, que transformou o 1\u00ba de Maio em um dia de manifesta\u00e7\u00e3o internacional pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e homenagem aos m\u00e1rtires de Chicago. No Brasil s\u00f3 foi oficializado em 1924 (sempre estamos atrasados) pelo presidente Artur Bernardes e ganhou for\u00e7a na Era Vargas. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0 H\u00e1 uns 40 ou 50 anos, o 1\u00ba de Maio era comemorado no Brasil com grandes manifesta\u00e7\u00f5es e protestos nas avenidas e pra\u00e7as, com bandeiras, faixas e cartazes onde a ordem era o grito de reivindica\u00e7\u00f5es por melhorias trabalhistas. 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