{"id":11873,"date":"2026-04-25T00:06:37","date_gmt":"2026-04-25T03:06:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11873"},"modified":"2026-04-25T00:06:47","modified_gmt":"2026-04-25T03:06:47","slug":"o-banditismo-nordestino-na-visao-de-billy-jaynes-chandler","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/04\/25\/o-banditismo-nordestino-na-visao-de-billy-jaynes-chandler\/","title":{"rendered":"O BANDITISMO NORDESTINO NA VIS\u00c3O DE BILLY JAYNES CHANDLER"},"content":{"rendered":"<h3>\u00a0<strong>\u00a0 A literatura sobre o canga\u00e7o, Lampi\u00e3o e outros cangaceiros, \u00e9 muito vasta. Para falar do assunto, todos autores procuram abrir seus trabalhos descrevendo sobre como era o Nordeste do s\u00e9culo XVII at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Os escritores fazem uma esp\u00e9cie de mapeamento sobre o solo, a caatinga dos sert\u00f5es, as crendices, o misticismo e todos fatores que contribu\u00edram para o banditismo no sert\u00e3o. \u00a0<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 A regi\u00e3o vivia isolada do resto do pa\u00eds, abandonada, castigada pelas secas, pela pobreza extrema, pelas brigas entre fam\u00edlias, pelo mando dos chefes pol\u00edticos e dos coron\u00e9is e pela falta total da justi\u00e7a para impor a lei. Enfim, o Nordeste era uma terra de ningu\u00e9m onde o poder era quem mandava. O opressor massacrava o oprimido.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0O CANGA\u00c7O<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0O autor de \u201cLampi\u00e3o, o Rei dos Cangaceiros\u201d, Billy Jaynes Chandler segue esta linha de racioc\u00ednio. De acordo com ele, nas sociedades rurais subdesenvolvidas, o banditismo sempre captou o interesse e a fantasia do povo. No Nordeste, o cangaceirismo e, sobretudo Lampi\u00e3o, eram vistos como \u201cher\u00f3is\u201d e um fen\u00f4meno de rebeldia contra aquele sistema cruel de exclus\u00e3o social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 \u00a0Os que viviam fora da lei, aparentemente livres das restri\u00e7\u00f5es sociais, despertavam uma certa imagina\u00e7\u00e3o. Desse modo, Billy cita a vibra\u00e7\u00e3o dos ingleses com os feitos de Robin Hood; os mexicanos com as fa\u00e7anhas de Pancho Villa; e os brasileiros com Lampi\u00e3o.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 As vidas desses homens serviam de mat\u00e9ria-prima para trovadores, cantores, literatos e repentistas das hist\u00f3rias populares. Exageravam e, de certa forma, omitiam a realidade. Alguns historiadores e cientistas, movidos pela obra de Eric Hobsbawm encontraram interesse no estudo do banditismo.<\/strong><\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/DSC_1216.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11874\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/DSC_1216.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/DSC_1216.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/DSC_1216-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<h3><strong>\u00a0 Lampi\u00e3o, por exemplo, nascido no sert\u00e3o decadente do Nordeste, fez sua entrada no banditismo, em 1916, quando contava com 19 anos, devido a uma disputa com a fam\u00edlia de Saturnino (Jos\u00e9 Alves Borges). Cinco anos depois, quando a pol\u00edcia &#8211; Jos\u00e9 Lucena \u2013 matou seu pai, em Alagoas, ele declarou que ia viver e morrer como bandido.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Foi leal, generoso e at\u00e9 praticava a\u00e7\u00f5es de compaix\u00e3o com aqueles que tinham conquistado sua confian\u00e7a, mas cruel e sanguin\u00e1rio com os que despertavam sua inimizade. Fazia acordos com chefes pol\u00edticos, coron\u00e9is, fazendeiros e at\u00e9 com a pol\u00edcia para sobreviver.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 Com suas t\u00e1ticas e ast\u00facias, foi um guerrilheiro h\u00e1bil ao ponto de o povo do sert\u00e3o acreditar que tinha poderes extraordin\u00e1rios que provinham do seu fervor religioso. Tornou-se objeto de medo e respeito e chegou a ser amigo de um governador.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Segundo Billy, as palavras cangaceiro e canga\u00e7o come\u00e7aram a ser usados na d\u00e9cada de 30, e se relacionavam \u00e0 canga, cangalho, jugo dos bois. Talvez era assim chamado por carregar o rifle nas costas, como o boi puxa a sua canga. A partir do final do s\u00e9culo XVIII significava um grupo de homens armados a servi\u00e7o de um fazendeiro. Depois se tornaram independentes e a palavra cangaceiro come\u00e7ou a ser usada.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 Foi um fen\u00f4meno social. Os cangaceiros andavam em bandos, com seu modo de se vestir especial, como um len\u00e7o colorido no pesco\u00e7o e um chap\u00e9u de couro, tipo cawboy do sert\u00e3o, cuja aba era virada para frente cheia de enfeites (estrelas de Salom\u00e3o). Conhecedores dos sert\u00f5es, suas t\u00e1ticas de guerra deixavam as volantes atordoadas.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>A DESORGANIZA\u00c7\u00c3O SOCIAL E AS SECAS<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Sobre o Nordeste, Billy descreve que no Sert\u00e3o, as chuvas fortes caiam numa esta\u00e7\u00e3o chamada de inverno pelos nativos, num per\u00edodo entre cinco a seis meses, de dezembro a mar\u00e7o. A temperatura variava entre 17 a 38 graus, mas hoje chega at\u00e9 mais de 40.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Quando se fala do Nordeste, muitos imaginam como uma regi\u00e3o plana e \u00b4des\u00e9rtica, mas ele tem suas colinas, matas, chapadas, numa mistura de savana floresta. Nos locais planos, v\u00ea-se a caatinga, uma vegeta\u00e7\u00e3o retorcida, nodosa de pequena altura, pr\u00f3pria da terra quente e seca. Predominam \u00e1rvores de pequeno porte, com variedade de cactos, como o facheiro ou mandacaru.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 Os primeiros portugueses n\u00e3o se estabeleceram no sert\u00e3o, mas nas zonas \u00famidas do litoral ao longo da costa at\u00e9 Natal (Rio Grande do Norte). Durante o s\u00e9culo XVI surgiu uma sociedade agr\u00edcola, baseada na cana-de-a\u00e7\u00facar. Os \u00edndios foram aculturados e, na maioria, exterminados. O escravo chegou a ser a maior for\u00e7a de trabalho.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Dominava a col\u00f4nia, uma elite aristocrata, branca e arrogante situada nas \u00e1reas f\u00e9rteis (Salvador e Olinda). A produ\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros aliment\u00edcios foi renegada, surgindo da\u00ed o interesse pelo interior, com boas terras para a cria\u00e7\u00e3o do gado e agricultura em geral.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Os sert\u00f5es, ent\u00e3o, come\u00e7aram a ser desbravados a partir do s\u00e9culo XVIII at\u00e9 em regi\u00f5es long\u00ednquas. No litoral predominavam as sociedades racistas. Grandes extens\u00f5es de terras foram entregues pelos oficiais da col\u00f4nia, nascendo assim os latif\u00fandios. Os fazendeiros eram potentados do sert\u00e3o, iguais aos senhores de engenho. Governavam seus dependentes com m\u00e3o de ferro, delegando poderes.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Como as riquezas eram escassas, Portugal praticamente n\u00e3o exercia dom\u00ednio. Desde sua origem, conforme an\u00e1lise de Billy, a sociedade dos sert\u00f5es foi deixada ao discernimento. A independ\u00eancia do Brasil, passando pelo Imp\u00e9rio (1822-1889) e depois a Rep\u00fablica Velha (1889-1930), pouco alteraram os fatos.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 A maioria do povo vivia em completa pen\u00faria de vida. Mesmo assim, desbravou a regi\u00e3o. Foi dessa classe que sa\u00edram os cangaceiros, como Lampi\u00e3o. Alguns eram vaqueiros e outros combatiam os \u00edndios, incluindo uma pequena parte de escravos negros e mulatos.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Devido a miscigena\u00e7\u00e3o, brancos, negros, mulatos e \u00edndios formaram uma categoria de pobres submissos. No in\u00edcio da conquista, os \u00edndios sofreram grandes baixas. Existiam pessoas livres, de descend\u00eancia mista, que eram os senhores vindos da costa. Muitos ancestrais pobres chegaram a ser donos da terra.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Com o tempo, as grandes propriedades se fragmentaram, divididas entre herdeiros. Essa divis\u00e3o causou o empobrecimento de muitos. As adversidades das secas tamb\u00e9m ajudaram a dizimar rebanhos e outros recursos dos fazendeiros.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0\u00a0 No entanto, com o casamento de conveni\u00eancias, muitos conseguiram deter a desintegra\u00e7\u00e3o e reconstruir suas fortunas. O latif\u00fandio ainda persistia, apesar das circunst\u00e2ncias nas pessoas dos coron\u00e9is e dos chefes pol\u00edticos.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 A principal atividade era a pecu\u00e1ria que abastecia as capitais litor\u00e2neas. O agregado procurava tirar da terra sua magra subsist\u00eancia atrav\u00e9s da agricultura, muita parte destinada \u00e0 popula\u00e7\u00e3o litor\u00e2nea.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Esta situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 come\u00e7ou a mudar no s\u00e9culo XVIII com o cultivo do algod\u00e3o, se bem que os lucros n\u00e3o compensavam devido a falta de estradas e a flutua\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os no mercado internacional.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>A Abertura de estradas de ferro, no final do s\u00e9culo XIX e come\u00e7o do s\u00e9culo XX, estimulou a cultura de g\u00eaneros aliment\u00edcios de exporta\u00e7\u00e3o, mas tudo isto foi anulado pelos grandes propriet\u00e1rios que come\u00e7aram a exigir uma parte pela terra alugada. Houve o surgimento do algod\u00e3o, mas teve pouca dura\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>As \u00e1reas agricult\u00e1veis se tornaram superlotadas, resultando na fragmenta\u00e7\u00e3o das propriedades atrav\u00e9s das heran\u00e7as. O grupo econ\u00f4mico que mais lucrou com a comercializa\u00e7\u00e3o dos produtos foi o do intermedi\u00e1rio que era o fazendeiro empreendedor. O resultado foi o decl\u00ednio econ\u00f4mico das popula\u00e7\u00f5es dos sert\u00f5es, com o empobrecimento.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 \u00a0Com o fim da Guerra Civil na Am\u00e9rica do Norte, em 1865, cessou a procura pelo algod\u00e3o e afetou tamb\u00e9m o mercado a\u00e7ucareiro. Logo depois veio o fim do ciclo da borracha, no Amazonas, na segunda e terceira d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX.\u00a0<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Dizem que este conjunto de fatores gerou o canga\u00e7o, mas houve outras influ\u00eancias, como a fragilidade das institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis pela lei, ordem e justi\u00e7a, implantadas desde a coloniza\u00e7\u00e3o, quando as autoridades entregaram a regi\u00e3o aos potentados.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0\u00a0 No imp\u00e9rio tentou-se reverter a situa\u00e7\u00e3o, confiando a ordem aos chefes de pol\u00edcia, mas n\u00e3o funcionou por causa da pol\u00edtica entre os dois partidos que sempre nomeavam seus aliados. O sistema de j\u00fari tamb\u00e9m fracassou porque o jurado votava de conformidade com o coronel ou do chefe pol\u00edtico. Partidos pol\u00edticos antag\u00f4nicos incentivaram os conflitos, bem como as guerras entre fam\u00edlias.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 A Rep\u00fablica, em 1889, criou o federalismo delegando poderes aos estados, que estimularam o desenvolvimento das m\u00e1quinas pol\u00edticas, assegurando que o coronel votasse a seu favor. Em troca, os coron\u00e9is mantinham seu dom\u00ednio. A for\u00e7a da pol\u00edcia apoiava os coron\u00e9is, mas, aos poucos, foram perdendo poder.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Com o enfraquecimento das institui\u00e7\u00f5es do estado, que sempre estavam a favor da fac\u00e7\u00e3o local vigente no momento, criou-se um clima de desordem, sem justi\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o aos desfavorecidos. Sem garantia de prote\u00e7\u00e3o nem do patr\u00e3o, nem do estado, povoa\u00e7\u00f5es do sert\u00e3o se transformaram em verdadeiras selvas onde imperavam a ilegalidade e a desordem.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u201cParece, portanto, certo que o aparecimento do canga\u00e7o esteja intimamente ligado a este estado de desorganiza\u00e7\u00e3o social\u201d \u2013 aponta o escritor Billy Chandler, mas ele acrescenta tamb\u00e9m as secas calamitosas que se repetiram naqueles anos, entre final do s\u00e9culo XIX e nas primeiras d\u00e9cadas de 1900.<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>\u00a0 Billy ainda cita o messianismo e o fanatismo religioso que desagregaram a sociedade, s\u00f3 que estes fen\u00f4menos ocorreram paralelamente ao canga\u00e7o. No entanto, em sua vis\u00e3o, as estiagens prolongadas contribu\u00edram para aumentar a viol\u00eancia. \u201cCom a seca de 1919, o canga\u00e7o atingiu seu ponto m\u00e1ximo\u201d. \u201cTanto o banditismo como o messianismo s\u00e3o produtos do mesmo complexo de condi\u00e7\u00f5es\u201d \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0 A literatura sobre o canga\u00e7o, Lampi\u00e3o e outros cangaceiros, \u00e9 muito vasta. Para falar do assunto, todos autores procuram abrir seus trabalhos descrevendo sobre como era o Nordeste do s\u00e9culo XVII at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XX. 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