{"id":11860,"date":"2026-04-21T22:28:34","date_gmt":"2026-04-22T01:28:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11860"},"modified":"2026-04-21T22:29:04","modified_gmt":"2026-04-22T01:29:04","slug":"acabaram-com-o-sao-joao-de-conquista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/04\/21\/acabaram-com-o-sao-joao-de-conquista\/","title":{"rendered":"ACABARAM COM O S\u00c3O JO\u00c3O DE CONQUISTA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Enquanto estiver vivo vou levantar minha voz; soltar o meu desabafo da garganta; e espalhar o meu clamor contra a descaracteriza\u00e7\u00e3o do nosso S\u00e3o Jo\u00e3o, ou o forrobod\u00f3, s\u00edmbolo maior da nossa cultura nordestina, que tanto j\u00e1 nos deu alegrias, conhecimento e saber popular.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sei que sou uma voz no deserto, mas n\u00e3o me cansarei de gritar. Fico triste porque sempre foi minha festa predileta desde aquelas festas na ro\u00e7a, com todas suas tradi\u00e7\u00f5es de pular fogueira onde as pessoas se tornavam compadres; comer milho assado, canjica, pamonha e derivados da mandioca.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o me importa qual seja o partido, prefeito ou prefeita, secret\u00e1rio ou secret\u00e1ria estejam no poder, l\u00e1 estarei para contestar e protestar contra aqueles que transformaram nossas festas juninas num palco de proselitismo pol\u00edtico, principalmente em tempos eleitorais, tudo para atrair as massas cada vez mais alienadas, que deveriam ser instru\u00eddas para n\u00e3o deixar morrer a nossa mem\u00f3ria de pertencimento cultural.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nos \u00faltimos anos, os nossos dirigentes tiveram a proeza de definhar e acabar, aos poucos, com o S\u00e3o Jo\u00e3o aut\u00eantico, tipo P\u00e9 de Serra, de Vit\u00f3ria da Conquista. Agora s\u00e3o shows pirot\u00e9cnicos de megas bandas de outros ritmos, ao peso de altos cach\u00eas, como Safad\u00e3o, Thierry, Calipso, da cantora Joelma, e tantas outras que nada t\u00eam a ver com o nosso forr\u00f3.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O pior \u00e9 que o nosso S\u00e3o Jo\u00e3o foi privatizado, mas o dinheiro continua sendo o nosso. Os ricos nos camarotes e a plebe l\u00e1 embaixo. Tornou-se uma festa excludente, mesmo de port\u00f5es abertos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Para tapear e iludir os menos esclarecidos, no meio das festan\u00e7as extravagantes, colocam alguns cantores e bandas que ainda representam a nossa identidade, mas, o maior peso s\u00e3o os shows dos milh\u00f5es. Na verdade, os forrozeiros aut\u00eanticos foram transformados de personagens protagonistas para simples coadjuvantes.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Estou falando de Vit\u00f3ria da Conquista porque se trata da minha aldeia onde a cultura est\u00e1 sendo jogada no lixo e nossos artistas locais, incluindo todas as linguagens em geral, est\u00e3o sendo tratados como coisas de menor valor. O cach\u00ea de uma Joelma, por exemplo, daria para contratar mais de 50 bandas da regi\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o sei quantos milh\u00f5es v\u00e3o custar o nosso S\u00e3o Jo\u00e3o, e ouvi dizer que tem recursos do Governo do Estado, mas isso n\u00e3o importa porque a fonte desse dinheiro pertence ao contribuinte. Enquanto isso, permanecem fechados, sendo destru\u00eddos pela poeira do tempo, os nossos valiosos equipamentos culturais, como Teatro Carlos Jheovah, Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha. Agora temos a Carreta da Cultura, mas nunca vai substituir nossos centros.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Conquista j\u00e1 teve fama de cidade cultural, isto pelos idos dos anos 50,60 e 70, e n\u00e3o adianta aqui citar nomes que foram \u00edcones nacionais e internacionais, porque temos que viver a realidade dos nossos tempos e encarar que perdeu esta sua pluralidade cultural.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Voltando \u00e0 vaca fria, como diz o matuto tabar\u00e9u, nos \u00faltimos anos, na \u00e9poca das festas juninas, passou a existir uma disputa acirrada entre as maiores cidades nordestinas, para ver quem contrata as bandas de arrocha, sertanejas, de pagodes, lambadas, de ax\u00e9s e sofr\u00eancias mais caras do pa\u00eds, somente para competir quem atrai mais p\u00fablico e ganha mais votos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m dos altos custos, quando a maioria das cidades est\u00e1 destru\u00edda pelas fortes chuvas (passei em v\u00e1rias delas e vi a situa\u00e7\u00e3o), muitos prefeitos e prefeitas superfaturam e desperdi\u00e7am nosso suado dinheiro dos impostos. Al\u00f4 Minist\u00e9rio P\u00fablico, tribunais de contas e outros \u00f3rg\u00e3os fiscalizadores!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Para completar esta bagaceira anticultura, aparece a m\u00eddia televisada, falada e escrita que tamb\u00e9m leva uma boa grana como anunciantes, para divulgar as festas e apelar ao povo que compare\u00e7a aos shows porque s\u00e3o gr\u00e1tis.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Isto \u00e9 uma grande fake news e um desservi\u00e7o \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablico. Nada que vem dos governos \u00e9 de gra\u00e7a. \u00c9 mais uma disputa entre quem mais mente na propaganda. Mesmo que tenha um patrocinador, aqui ou acol\u00e1, l\u00e1 est\u00e1 o nosso dinheiro para pagar os famosos ricos, enquanto nossos artistas locais estendem suas cuias em pequenas apresenta\u00e7\u00f5es em bares e restaurantes.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Deveria ter uma lei federal r\u00edgida, onde em festa junina, s\u00f3 forrozeiro, comprovadamente aut\u00eantico com anos de estrada, poderia tocar sua sanfona, seu zabumba e seu tri\u00e2ngulo. Houve v\u00e1rios movimentos neste sentido, mas a for\u00e7a pol\u00edtica interesseira desprezou e engavetou os apelos incessantes dos artistas.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto estiver vivo vou levantar minha voz; soltar o meu desabafo da garganta; e espalhar o meu clamor contra a descaracteriza\u00e7\u00e3o do nosso S\u00e3o Jo\u00e3o, ou o forrobod\u00f3, s\u00edmbolo maior da nossa cultura nordestina, que tanto j\u00e1 nos deu alegrias, conhecimento e saber popular. 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