{"id":11803,"date":"2026-04-07T22:48:04","date_gmt":"2026-04-08T01:48:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11803"},"modified":"2026-04-07T22:48:33","modified_gmt":"2026-04-08T01:48:33","slug":"tempos-dificeis-para-jornalistas-na-comemoracao-do-sete-de-abril","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/04\/07\/tempos-dificeis-para-jornalistas-na-comemoracao-do-sete-de-abril\/","title":{"rendered":"TEMPOS DIF\u00cdCEIS PARA JORNALISTAS NA COMEMORA\u00c7\u00c3O DO SETE DE ABRIL"},"content":{"rendered":"<p>Lembro quando comecei a dar os primeiros passos na profiss\u00e3o como revisor, no in\u00edcio de 1973, ano da minha gradua\u00e7\u00e3o como bacharel em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Eram tempos dif\u00edceis em pleno cerco da ditadura civil-militar, anos de chumbo contra a liberdade de express\u00e3o quando os homens da farda faziam o papel de c\u00e3o de guarda para censurar os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, especialmente o jornal impresso.<\/p>\n<p>Em Vit\u00f3ria da Conquista, quando vim assumir a chefia da Sucursal do Jornal A Tarde, em 1991, era o \u00fanico jornalista diplomado e hoje sou o decano dos jornalistas. Estou completando 53 anos de profiss\u00e3o, com muito orgulho, mas tenho minhas cr\u00edticas. Ali\u00e1s, acima de tudo, jornalista tem que ser um cr\u00edtico.<\/p>\n<p>Apesar de toda morda\u00e7a, os jornalistas eram mais combativos e participativos. Tudo faziam para driblar a opress\u00e3o dos generais. Os sindicatos, a Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e as associa\u00e7\u00f5es brasileiras de jornalismo (ABIs) eram mais fortes e unidas.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, nem se falava de \u201cfake news\u201d, que passaram a brotar com a chegada da internet e, consequentemente, das redes sociais, o chamado jornalismo virtual. Grande parte da atividade foi banalizada e a maioria perdeu a responsabilidade maior de informar.<\/p>\n<p>Nada contra a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica onde a not\u00edcia \u00e9 mais veloz que uma bala e pode ser mortal se for infundada. Passados mais de 50 anos, onde cada um se acha jornalista (n\u00e3o precisa ser diplomado), o neoliberalismo de mercado estreitou os espa\u00e7os da profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Poucos que optaram pela \u00e1rea e passaram a frequentar as escolas seguiram a carreira. Caiu o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o e aumentou o notici\u00e1rio de mat\u00e9rias infundadas, mal apuradas pela falta de uma maior investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Conquista, cheguei a assumir a diretoria regional do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) e fui vice-presidente da entidade. Continuo escrevendo porque \u00e9 o alimento da minha alma e, se tivesse que recome\u00e7ar, seria novamente jornalista.<\/p>\n<p>DIA DO JORNALISTA<\/p>\n<p>Nesse 7 de abril, Dia do Jornalista (ter\u00e7a-feira), infelizmente, pouco se tem a comemorar. Mesmo no per\u00edodo duro do regime militar, existia mais uni\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o com aqueles memor\u00e1veis encontros, dos quais muito ajudei a realizar. \u00c9 dia de reflex\u00e3o e luta por mais espa\u00e7o e reconhecimento do diploma, bem como contra a viol\u00eancia aos profissionais, da qual fui v\u00edtima.<\/p>\n<p>O Dia do Jornalista e pouco lembrado pela pr\u00f3pria classe (casa de ferreiro, espeto de pau). A data foi criada pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa (ABI) e foi estabelecido por alguns motivos, como numa reuni\u00e3o de coletiva de imprensa.<\/p>\n<p>Um deles \u00e9 que no dia 7 de abril de 1908, foi criada a pr\u00f3pria ABI. Idealizada pelo jornalista Gustavo Lacerda, a associa\u00e7\u00e3o situa-se no Rio de Janeiro, e \u00e9 um centro de a\u00e7\u00e3o que tem como objetivo assegurar os direitos \u00e0 classe.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no dia 16 de fevereiro foi comemorado o \u201cDia do Rep\u00f3rter\u201d, que est\u00e1 ligado a um epis\u00f3dio da nossa hist\u00f3ria do Brasil. A data foi designada em homenagem ao jornalista e m\u00e9dico Giovanni Battista L\u00edbero Badar\u00f3, morto no dia 22 de novembro de 1830.<\/p>\n<p>Ele participou de diversas lutas a favor da Independ\u00eancia do Brasil. Era propriet\u00e1rio do jornal \u201cObservador Constitucional\u201d e um dos principais motivadores da liberdade de imprensa, hoje t\u00e3o vilipendiada.<\/p>\n<p>Badar\u00f3 teve uma morte misteriosa, mas, segundo a hist\u00f3ria, inimigos pol\u00edticos atentaram contra a sua vida. O falecimento dele causou descontentamento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e culminou na abdica\u00e7\u00e3o do trono de\u00a0Dom Pedro I, justamente no 7 de abril de 1831. <strong>\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>S\u00f3 para reportar a hist\u00f3ria, a primeira faculdade de Jornalismo foi criada em 1912, na Universidade de Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos. A faculdade foi fundada por meio da doa\u00e7\u00e3o de dinheiro do jornalista Joseph Pulitzer, que ajudou a tornar a imprensa conhecida como o quarto poder e que d\u00e1 nome ao principal pr\u00eamio concedido a jornalistas premiados.<\/p>\n<p>No Brasil, a primeira escola de jornalismo foi criada em 1947. Atualmente, a institui\u00e7\u00e3o chama-se Faculdade G\u00e1sper Liber\u00f3 e localiza-se no pr\u00e9dio da antiga Gazeta, na Avenida Paulista.<\/p>\n<p>TEORIA E PR\u00c1TICA<\/p>\n<p>Quando adentrei na reda\u00e7\u00e3o era um dos poucos graduados pela Faculdade de Jornalismo da Ufba. Existiam os antigos jornalistas provisionados no Minist\u00e9rio do Trabalho. Na d\u00e9cada de 70, o diploma passou a ser exigido e isso criou uma animosidade entre os chamados velhos e novos.<\/p>\n<p>Dizia-se que jornalismo era uma voca\u00e7\u00e3o, uma forma de dom que se aprendia no dia a dia da not\u00edcia, o que n\u00e3o deixava de ser uma verdade, mas a forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica com a pr\u00e1tica fortalece mais a profiss\u00e3o e dar mais credibilidade.<\/p>\n<p>A briga gerou uma disputa de a\u00e7\u00f5es na justi\u00e7a para derrubar a obrigatoriedade do diploma, isso, se n\u00e3o me engano, entre as d\u00e9cadas de 80 e 90. A a\u00e7\u00e3o caiu nas m\u00e3os do Supremo Tribuna Federal, em 2009. Recordo que um dos ministros, contr\u00e1rio ao diploma, fez uma leviana compara\u00e7\u00e3o entre a culin\u00e1ria e o jornalismo, dizendo que a pessoa para cozinhar n\u00e3o precisava ter diploma. Aquilo foi de uma insanidade sem tamanho.<\/p>\n<p>As faculdades continuaram emitindo os atestados profissionais, como a pr\u00f3pria Facom, da Ufba, a Uesb que come\u00e7ou seu curso em 1998 (fui um dos incentivadores e ajudei na sua estrutura\u00e7\u00e3o) e tantas outras particulares. Mesmo com a n\u00e3o obrigatoriedade do diploma, vejo que as empresas d\u00e3o mais prefer\u00eancia aos formados, valorizando a forma\u00e7\u00e3o escolar e o conhecimento.<\/p>\n<p>Para marcar a data, a Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os sindicatos dos jornalistas do Brasil e profissionais da \u00e1rea costumam fazer reflex\u00f5es importantes sobre a carreira, o mercado de trabalho, os sal\u00e1rios e o futuro da profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>O curso de Jornalismo \u00e9 ministrado nas principais universidades do pa\u00eds durante quatro anos ou oito per\u00edodos. Os estudantes t\u00eam aulas te\u00f3ricas, como teoria da comunica\u00e7\u00e3o, hist\u00f3ria da imprensa, \u00e9tica e legisla\u00e7\u00e3o, hist\u00f3ria da arte, pr\u00e1ticas, como telejornalismo, jornalismo impresso e webjornalismo.<strong> \u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O jornalista \u00e9 o profissional que tem o papel de informar os fatos \u00e0 sociedade, um contador de hist\u00f3rias, com responsabilidade perante a opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>Ele pode atuar em\u00a0meios de comunica\u00e7\u00e3o, como r\u00e1dio, TV, jornal, revista e internet. Tamb\u00e9m \u00e9 comum que jornalistas trabalhem como assessores de comunica\u00e7\u00e3o e imprensa e, mais recentemente, em m\u00eddias digitais, tais como redes sociais e blogs.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lembro quando comecei a dar os primeiros passos na profiss\u00e3o como revisor, no in\u00edcio de 1973, ano da minha gradua\u00e7\u00e3o como bacharel em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). 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