{"id":1174,"date":"2015-10-04T23:45:26","date_gmt":"2015-10-05T02:45:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1174"},"modified":"2015-10-04T23:45:37","modified_gmt":"2015-10-05T02:45:37","slug":"educacao-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2015\/10\/04\/educacao-brasileira\/","title":{"rendered":"EDUCA\u00c7\u00c3O BRASILEIRA"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.academia.org.br\/academicos\/arnaldo-niskier\">Arnaldo Niskier<\/a><\/p>\n<p>Quando se pensa em reformar a estrutura da educa\u00e7\u00e3o brasileira, a quest\u00e3o mais delicada certamente envolve o seu confuso ensino m\u00e9dio. Os fundamentos da Lei 9394\/96, nesse aspecto, est\u00e3o inteiramente superados. Previu-se na LDB uma Base Nacional Comum para o curr\u00edculo. Quase 20 anos depois, somente agora o assunto ganhou a prioridade do MEC, com a valoriza\u00e7\u00e3o dos conceitos de interdisciplinaridade e regionaliza\u00e7\u00e3o, especialmente em Portugu\u00eas, Geografia, Hist\u00f3ria e Biologia.<\/p>\n<p>Est\u00e1 em curso o Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, com as 20 metas previstas. Mas j\u00e1 se tem a certeza de que muitas delas ficar\u00e3o pelo caminho, em virtude da absoluta falta de recursos financeiros, dada a crise econ\u00f4mica. Logo ap\u00f3s ser nomeado para o MEC, o fil\u00f3sofo Renato Janine Ribeiro foi \u201chomenageado\u201d com o corte de R$ 9,4 bilh\u00f5es do seu or\u00e7amento. Est\u00e1 em palpos de aranha.<\/p>\n<p>Enquanto isso o setor, como se fosse uma torre de babel, assiste estarrecido a uma s\u00e9rie de propostas alternativas lan\u00e7adas pela Secretaria de Assuntos Estrat\u00e9gicos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, como se tiv\u00e9ssemos tempo para esse exerc\u00edcio de redund\u00e2ncia criminosa.<\/p>\n<p>O atual ensino m\u00e9dio n\u00e3o agrada aos estudantes, nem serve ao povo, para repetirmos o que dizia o educador Louren\u00e7o Filho h\u00e1 muitos anos. Temos um esquema r\u00edgido, que provoca o afastamento dos jovens de 15 a 18 anos (cerca de metade deles encontra-se fora das escolas). As mat\u00e9rias do curr\u00edculo, numerosas e estanques, n\u00e3o conversam entre si, o que levou o especialista Roberto Boclin a defender a tese de que se deveria adotar o ensino t\u00e9cnico como mecanismo inclusivo. \u00c9 a melhor maneira de tirar os jovens da rua, do tr\u00e1fico, e facilitar o seu encontro com as possibilidades do emprego.<\/p>\n<p>O ensino m\u00e9dio deve oferecer habilidades e compet\u00eancias aos alunos segundo suas escolhas pessoais \u2014 e de acordo com as varia\u00e7\u00f5es do mercado. \u00c9 o que faz com sucesso o Sistema S desde a d\u00e9cada de 50, com a boa tradi\u00e7\u00e3o dos seus cursos profissionalizantes. O mesmo pode ser dito em rela\u00e7\u00e3o aos Cefets. N\u00e3o se entende por que esses modelos n\u00e3o foram generalizados, como aconteceu com sucesso em pa\u00edses como a Coreia do Sul, o Jap\u00e3o e a Alemanha. Aqui ainda existe uma resist\u00eancia incompreens\u00edvel.<\/p>\n<p>Temos 507 mil docentes no ensino m\u00e9dio. Sabe-se que 40% desse total poder\u00e3o se aposentar nos pr\u00f3ximos seis anos, agravando o tamanho da crise. Faltam professores de Matem\u00e1tica, F\u00edsica, Qu\u00edmica e Biologia. N\u00e3o h\u00e1 mestres formados em F\u00edsica para ensinar Rob\u00f3tica. A Resolu\u00e7\u00e3o 2\/2015, do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, procura corrigir as defici\u00eancias das licenciaturas, mas n\u00e3o prev\u00ea a forma\u00e7\u00e3o de professores para o ensino t\u00e9cnico, como se ele n\u00e3o existisse (ou n\u00e3o devesse existir). Isso faz sentido?<\/p>\n<p>Faltam investimentos na qualifica\u00e7\u00e3o de professores. Faltam tamb\u00e9m laborat\u00f3rios e bibliotecas. Diante disso, como oferecer aos nossos educandos a possibilidade de uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade? Como afirma a professora Terezinha Saraiva, \u201co ensino m\u00e9dio \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o nacional.\u201d<\/p>\n<p>O Globo, 25\/09\/2015<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arnaldo Niskier Quando se pensa em reformar a estrutura da educa\u00e7\u00e3o brasileira, a quest\u00e3o mais delicada certamente envolve o seu confuso ensino m\u00e9dio. Os fundamentos da Lei 9394\/96, nesse aspecto, est\u00e3o inteiramente superados. Previu-se na LDB uma Base Nacional Comum para o curr\u00edculo. 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