{"id":1168,"date":"2015-10-02T23:28:14","date_gmt":"2015-10-03T02:28:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1168"},"modified":"2015-10-02T23:28:20","modified_gmt":"2015-10-03T02:28:20","slug":"a-midia-e-sua-crise-de-identidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2015\/10\/02\/a-midia-e-sua-crise-de-identidade\/","title":{"rendered":"A M\u00cdDIA E SUA CRISE DE IDENTIDADE"},"content":{"rendered":"<p>Hoje no pa\u00eds s\u00f3 se fala de crise econ\u00f4mica, pol\u00edtica e moral e se esquece de outros segmentos, institui\u00e7\u00f5es e at\u00e9 express\u00f5es art\u00edsticas da nossa sociedade que vivem no limite da decad\u00eancia. A educa\u00e7\u00e3o e a cultura n\u00e3o conseguem retomar o seu fio condutor de conte\u00fado e de qualidade que deram bons frutos no passado.<\/p>\n<p>Vive-se em tempo de banaliza\u00e7\u00e3o da est\u00e9tica do in\u00fatil e do f\u00fatil. Trocou-se a \u00e9tica pela invers\u00e3o de valores, e o que era anormal virou normal. As fam\u00edlias se desestruturaram e a disciplina foi banida do card\u00e1pio. O corpo aquece nas academias para se afinar, enquanto a mente se atrofia na aus\u00eancia do pensar e refletir. A l\u00f3gica racional cede espa\u00e7o para a desvaloriza\u00e7\u00e3o do ser humano.<\/p>\n<p>Bem, s\u00e3o temas que rendem boas discuss\u00f5es. No entanto, minha mat\u00e9ria-prima espec\u00edfica aqui \u00e9 sobre a crise de identidade que sofre a nossa m\u00eddia, seja a escrita, falada, televisada e a \u201cinternetada\u201d nas redes virtuais. Se me permitem fazer algumas classifica\u00e7\u00f5es adjetivadas, a imprensa atual est\u00e1 desbotada, desfigurada, amassada e perdeu o fio da meada.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m est\u00e1 atravessando momentos de crise ao se acomodar em ser mera repetidora de not\u00edcias, a maioria extra\u00edda do factual dos boletins oficiais de ocorr\u00eancias. Sem entrar na quest\u00e3o do monop\u00f3lio da informa\u00e7\u00e3o por alguns poucos grupos, n\u00e3o estou me referindo apenas da m\u00eddia de papel que se baratinou com o surgimento da internet. Esta tamb\u00e9m anda desandada e ainda atordoada.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da grande m\u00eddia, sem apontar os pequenos e alternativos ve\u00edculos que lutam para sobreviver com parcos recursos humanos e financeiros, de uns tempos para c\u00e1 foi-se esvaziando a principal fun\u00e7\u00e3o de ca\u00e7adora, apuradora e investigadora dos fatos para se acomodar como simples repassadora de not\u00edcias oficiais.<\/p>\n<p><!--more-->\u00a0Esquerdas e detentores do poder quando s\u00e3o ligados aos esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o costumam taxar a imprensa de elitista, fascista e perseguidora. Se esse poder fosse mais competente e apurasse os acontecimentos com maior rigor, as maracutaias tomariam propor\u00e7\u00f5es maiores. Exemplo \u00e9 que pouco tem se cobrado sobre a cassa\u00e7\u00e3o do presidente da C\u00e2mara diante dessa enxurrada de den\u00fancias. Deveriam ficar calados, pois as feridas poderiam ser mais expostas.<\/p>\n<p>O que quero dizer \u00e9 que a nossa m\u00eddia perdeu o faro e ficou insossa, mon\u00f3tona e desmilinguida. Diante do espet\u00e1culo, banalizou-se e n\u00e3o teve cabe\u00e7a para segurar a fama como ocorre com muitos \u201cfamosos\u201d de sucesso de quinze segundos. Diria que o baixo n\u00edvel \u00e9 hoje o maior calcanhar de Aquiles da nossa m\u00eddia que deixa barrigadas e buracos por onde passa.<\/p>\n<p>At\u00e9 o caso do mensal\u00e3o a imprensa nos deu material substancioso adquirido atrav\u00e9s do seu tino investigativo. No impeachment de Fernando Collor publicou mat\u00e9rias in\u00e9ditas fora dos dossi\u00eas e das declara\u00e7\u00f5es aspeadas. J\u00e1 no caso da \u201cOpera\u00e7\u00e3o Lava Jato\u201d virou notici\u00e1rio digitalizado de boletins repetitivos de ocorr\u00eancias das dela\u00e7\u00f5es, n\u00e3o passando muito disso.<\/p>\n<p>O formato pouco muda nos jornais, revistas, r\u00e1dios e emissoras de televis\u00e3o, incluindo sites e blogs, com raras exce\u00e7\u00f5es. N\u00e3o incluo aqui as redes sociais, cujas fofocas, boatos e notas infundadas n\u00e3o podem ser considerados como jornalismo. Mesmo com todo avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, observo que nosso jornalismo definhou. Falta profissionalismo.<\/p>\n<p>Por falar nisso, com conte\u00fado e qualidade que deixam a desejar, as reportagens jornal\u00edsticas s\u00e3o incompletas em termos de dados e refer\u00eancias e, consequentemente, pouco atrativas. A impress\u00e3o que passa \u00e9 que foram feitas \u00e0s pressas e dentro das reda\u00e7\u00f5es fechadas e frias diante da tela de um computador. N\u00e3o passam intelig\u00eancia e emo\u00e7\u00e3o para o leitor, ouvinte ou telespectador.<\/p>\n<p>Outro ponto \u00e9 a quest\u00e3o da su\u00edte, ou seja, o seguimento do desenrolar da mat\u00e9ria. Cada um faz seu espet\u00e1culo no intuito de angariar audi\u00eancia ou espa\u00e7o e depois segue o sil\u00eancio. O assunto cai no esquecimento, sem contar a falta de aprofundamento. At\u00e9 mesmo um leigo percebe que a mat\u00e9ria n\u00e3o foi bem trabalhada como devia e manda o bom jornalismo.<\/p>\n<p>No Brasil, por exemplo, a \u201cOpera\u00e7\u00e3o Zelotes\u201d que descobriu fraudes de bilh\u00f5es no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Receita Federal n\u00e3o recebeu o devido acompanhamento da m\u00eddia. Ningu\u00e9m fala mais nisso. Por sua vez, a morte tem hierarquia na grade dos grandes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o. A morte de duas ou tr\u00eas pessoas nos Estados Unidos, v\u00edtimas de atentado terrorista, tem mais repercuss\u00e3o que um massacre de 100 pessoas no Paquist\u00e3o, ou mil no Bangladesch.<\/p>\n<p>N\u00e3o poderia deixar de abordar tamb\u00e9m o aspecto da liberdade de express\u00e3o t\u00e3o reivindicada pela m\u00eddia, mas mal usada. Sempre digo que o direito \u00e0 liberdade de imprensa acaba quando n\u00e3o se tem \u00e9tica e responsabilidade. Quando o rep\u00f3rter, apresentador, locutor ou coisa que seja ultrapassa as linhas dessas fronteiras, cessa sua liberdade.<\/p>\n<p>Lembra daquela cena dos refugiados na Hungria quando uma cinegrafista passa uma rasteira num senhor com uma crian\u00e7a nos bra\u00e7os? Pois \u00e9, aqui temos muitos \u201cprofissionais\u201d passando rasteiras, n\u00e3o fisicamente, quando em programas de televis\u00e3o ou nas r\u00e1dios apoiam, aos berros, a\u00e7\u00f5es policiais truculentas, dizendo em viva voz que tem que dar porrada e matar mesmo.<\/p>\n<p>N\u00e3o interessa se \u00e9 bandido, ou n\u00e3o. Quem faz isso n\u00e3o merece liberdade de express\u00e3o e n\u00e3o passa de um prot\u00f3tipo falsificado de jornalista. O pior \u00e9 que parte da sociedade desinformada e inculta apoia o imbecil e diz que o cara \u00e9 um \u201cretado\u201d e corajoso. Tanto nas emissoras abertas como fechadas por assinaturas, os programas em geral est\u00e3o abaixo do n\u00edvel. Nem com o controle remoto se salva da p\u00e9ssima qualidade.<\/p>\n<p>S\u00f3 para terminar meu modesto coment\u00e1rio, entendo que a m\u00eddia regional do interior n\u00e3o soube aproveitar o desenvolvimento tecnol\u00f3gico e trope\u00e7a nos mesmos v\u00edcios quando proliferavam por toda parte os impressos, ou jornais de pap\u00e9is.<\/p>\n<p>Talvez os erros maiores estejam nas empresas que se arvoram em dar not\u00edcias de fora que a internet e outros ve\u00edculos grandes j\u00e1 divulgaram, ao inv\u00e9s de priorizar os fatos locais. Tem mat\u00e9rias que s\u00e3o bolorentas de t\u00e3o desatualizadas. O que incomoda n\u00e3o \u00e9 tanto a omiss\u00e3o, mas divulgar um fato capenga cheio de buracos por todo lado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje no pa\u00eds s\u00f3 se fala de crise econ\u00f4mica, pol\u00edtica e moral e se esquece de outros segmentos, institui\u00e7\u00f5es e at\u00e9 express\u00f5es art\u00edsticas da nossa sociedade que vivem no limite da decad\u00eancia. A educa\u00e7\u00e3o e a cultura n\u00e3o conseguem retomar o seu fio condutor de conte\u00fado e de qualidade que deram bons frutos no passado. 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