{"id":11523,"date":"2026-01-23T21:53:10","date_gmt":"2026-01-24T00:53:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11523"},"modified":"2026-01-23T21:53:21","modified_gmt":"2026-01-24T00:53:21","slug":"como-padim-cico-armou-lampiao-e-seu-bando-no-auge-do-cangaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/01\/23\/como-padim-cico-armou-lampiao-e-seu-bando-no-auge-do-cangaco\/","title":{"rendered":"COMO &#8220;PADIM CI\u00c7O&#8221; ARMOU LAMPI\u00c3O E SEU BANDO NO AUGE DO CANGA\u00c7O"},"content":{"rendered":"<p>Com a psicose de combater a Coluna Prestes, atrav\u00e9s dos \u201dBatalh\u00f5es Patri\u00f3ticos\u201d, o padre C\u00edcero, ou \u201cPadim Ci\u00e7o\u201d, como era chamado no Nordeste, convocou Lampi\u00e3o e seu bando, em mar\u00e7o de 1926, para se juntar \u00e0s for\u00e7as das volantes contra o comunismo.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, ele e o deputado baiano Floro Bartolomeu armaram um esquema fajuto e deram a Lampi\u00e3o uma falsa patente de capit\u00e3o al\u00e9m de armas \u201cmodernas\u201d do ex\u00e9rcito, distribu\u00eddas a todos seus comparsas, mais de 100 homens, e isso com o aval do Governo de Arthur Bernardes.<\/p>\n<p>Lampi\u00e3o e seus bandoleiros foram recebidos com honras em Juazeiro do Norte, num encontro ou num circo onde o povo se aglomerava em frente \u00e0 casa de \u201cPadim Ci\u00e7o\u201d para ver o \u201crei do canga\u00e7o\u201d. Todos queriam apertar suas m\u00e3os.<\/p>\n<p>O sacerdote acreditava convencer Lampi\u00e3o a deixar o canga\u00e7o, mas o cangaceiro, que era cabra esperto, aproveitou a oportunidade para se armar e viveu o seu auge naquele ano, com saques e mortes, deixando um rastro de terra arrasada no sert\u00e3o. Ao se sentir fortalecido, at\u00e9 se atreveu atacar Mossor\u00f3, em 1927, s\u00f3 que se estrepou e a\u00ed sofreu suas piores baixas entre 1927\/28.<\/p>\n<p>Em suas narrativas sobre as mem\u00f3rias do seu pai Manuel Flor, combatente do canga\u00e7o, a professora e escritora Marilourdes Ferraz, em sua obra \u201cO Canto do Acau\u00e3\u201d, conta que depois de assassinar Jos\u00e9 Nogueira, um de seus maiores inimigos, Lampi\u00e3o chegou a Juazeiro, no Cear\u00e1, em mar\u00e7o de 1926, convidado por pessoas de prest\u00edgio na regi\u00e3o do Cariri e pelo seu l\u00edder carism\u00e1tico padre Cicero.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, Juazeiro formava o quartel-general do \u201cBatalh\u00e3o Patri\u00f3tico\u201d, constru\u00eddo para combater a Coluna Prestes. O prop\u00f3sito era fustigar os \u201crevoltosos\u201d. Lampi\u00e3o e o bando, em meio \u00e0s festan\u00e7as, receberam armamentos do ex\u00e9rcito e abundante muni\u00e7\u00e3o, \u201cato validado por uma farsa de promo\u00e7\u00e3o: Um funcion\u00e1rio federal, o inspetor agr\u00edcola Pedro de Albuquerque Uchoa outorgou as \u201cpatentes\u201d de capit\u00e3o a Virgulino Ferreira; de primeiro-tenente a Ant\u00f4nio Ferreira, seu irm\u00e3o e a de segundo-tenente a Sabino Gomes de G\u00f3is\u201d.<\/p>\n<p>A escritora afirma que essa fantasiosa pretens\u00e3o de legalidade deu impulso \u00e0 vida de Lampi\u00e3o como bandoleiro que se encontrava em baixa. Anteriormente seu grupo atingia um n\u00famero de quinze a vinte homens, raramente cinquenta a sessenta. Logo no cerco a Nazar\u00e9, lan\u00e7ou noventa combatentes. Em pouco tempo alcan\u00e7ou cento e trinta homens bem armados com Mausers autom\u00e1ticas e uma profus\u00e3o de muni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Planejaram combater a Coluna Prestes. De in\u00edcio, Virgulino empreendeu marcha com essa finalidade e para causar boa impress\u00e3o. \u201cQuero ver se esse Prestes, presta mesmo\u201d. Do Cear\u00e1, entretanto, retornou a Pernambuco e penetrou em Cabrob\u00f3, onde a popula\u00e7\u00e3o lhe entregou dinheiro e objetos para evitar problemas.<\/p>\n<p>Saindo de Cabrob\u00f3, seguiu ao longo do Rio S\u00e3o Francisco rumo \u00e0 cidade de Bel\u00e9m do S\u00e3o Francisco. Precavido, nas proximidades, incumbiu um mensageiro de avisar \u00e0s autoridades locais que Lampi\u00e3o, na qualidade de \u201ccapit\u00e3o\u201d, iria entrar na cidade.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, o coronel Jo\u00e3o Nunes, que organizava a defesa regional, com o objetivo de repelir a Coluna Prestes, respondeu: Diga a Lampi\u00e3o que n\u00e3o o conhe\u00e7o como capit\u00e3o e que, se vier, eu o recebo a bala. Deu meia volta e foi a Salgueiro e dali seguiu \u00e0 sua zona de prefer\u00eancia de atividades, em torno da vila de S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Em 1926, o problema atingia o ponto cr\u00edtico e a impress\u00e3o que se tinha era que, no sert\u00e3o, n\u00e3o havia lugar para se exercer outras atividades que n\u00e3o de cangaceiro, miliciano das volantes, bem como informante de uma ou outra fac\u00e7\u00e3o. Os agricultores abandonaram o trato do campo e dos animais.<\/p>\n<p>Naquela ocasi\u00e3o cantavam: \u201cMinha m\u00e3e, me d\u00ea dinheiro\/ pra compr\u00e1 um cintur\u00e3o\/ pra viver de cartucheira\/ no grupo de Lampi\u00e3o. Minha m\u00e3e me d\u00ea dinheiro\/ pra compr\u00e1 um cintur\u00e3o\/ que a vida melh\u00f3 do mundo\/ \u00e9 ainda mais Lampi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>As viol\u00eancias cometidas no sert\u00e3o de Pernambuco estenderam-se ao sert\u00e3o alagoano, principalmente nos munic\u00edpios de Mata Grande, \u00c1gua Branca e Santana. Um comerciante de Nazar\u00e9 chegou a dizer que no per\u00edodo de 1926 ao princ\u00edpio de 1927 lembrava dos dias amargos que atravessaram as pessoas do distrito, hoje Carqueja (Floresta).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a psicose de combater a Coluna Prestes, atrav\u00e9s dos \u201dBatalh\u00f5es Patri\u00f3ticos\u201d, o padre C\u00edcero, ou \u201cPadim Ci\u00e7o\u201d, como era chamado no Nordeste, convocou Lampi\u00e3o e seu bando, em mar\u00e7o de 1926, para se juntar \u00e0s for\u00e7as das volantes contra o comunismo. 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