{"id":11474,"date":"2026-01-12T23:57:11","date_gmt":"2026-01-13T02:57:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11474"},"modified":"2026-01-12T23:57:24","modified_gmt":"2026-01-13T02:57:24","slug":"o-mundo-esta-melhor-ou-pior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/01\/12\/o-mundo-esta-melhor-ou-pior\/","title":{"rendered":"O MUNDO EST\u00c1 MELHOR, OU PIOR?"},"content":{"rendered":"<p>Esta quest\u00e3o sobre se a vida no mundo est\u00e1 melhor, ou pior sempre rola em roda de conversas com v\u00e1rios pontos de vista. Desta vez prefiro n\u00e3o emitir minha posi\u00e7\u00e3o. \u00a0Algu\u00e9m pode at\u00e9 considerar estranho e achar que n\u00e3o esteja sendo correto ficando fora dessa.<\/p>\n<p>Cada um deve fazer sua reflex\u00e3o e colocar sua imagina\u00e7\u00e3o para voar nas asas da filosofia, da sociologia e da hist\u00f3ria. Temos aqui uma cr\u00f4nica sobre as coisas da vida, um tempo que muda e segue sem parar, cada vez mais apressado e corrido no tropel do cavalo com seu cavaleiro.<\/p>\n<p>Vou apenas colocar algumas situa\u00e7\u00f5es comparativas sobre a vida nos tempos passados, o presente da era tecnol\u00f3gico e o futuro que nos aguarda. Sei que existem os pros e os contras sobre este tema que me atrevo a escrever. Nesse burburinho da vida atual, poucos param para fazer esta an\u00e1lise. S\u00f3 a gera\u00e7\u00e3o mais antiga, que tudo viu e observa, pode fazer est\u00e1 avalia\u00e7\u00e3o. Como ficar\u00e1 o p\u00eandulo da balan\u00e7a? Para que lado vai mais inclinar?<\/p>\n<p>L\u00e1 atr\u00e1s, pelos anos 40, 50 e at\u00e9 os 60, mais gente vivia no campo do que nas cidades que come\u00e7avam a se desenvolver nas \u00e1reas industrial, econ\u00f4mico e social. Mais de 70% eram rurais, sem energia (o fog\u00e3o era a lenha), sem \u00e1gua em torneiras, sem moedores el\u00e9tricos (tudo era pisado no pil\u00e3o), ainda existiam as mulheres rendeiras, as costureiras, os alfaiates, as lavadeiras, os sapateiros (hoje s\u00e3o raros) e os utens\u00edlios das casas eram todos manuais. Era a \u00e9poca do fif\u00f3.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o era bastante prec\u00e1ria, com poucas escolas, cujos professores e professoras eram leigos. As crian\u00e7as trabalhavam na ro\u00e7a e brincavam nos terreiros de p\u00e9s descal\u00e7os. O \u00edndice de analfabetismo era alto, sem bem que 90% hoje s\u00e3o analfabetos funcionais.<\/p>\n<p>Os mais pobres e os pequenos propriet\u00e1rios viviam sob o jugo dos latifundi\u00e1rios. Os governantes n\u00e3o davam nenhuma assist\u00eancia ao sertanejo do interior (ainda \u00e9 insuficiente), principalmente no que diz respeito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 sa\u00fade, mas havia um maior sentimento de solidariedade e companheirismo, com mutir\u00f5es, adjut\u00f3rios e outros meios de ajuda. Eram todos por um e um por todos.<\/p>\n<p>Sem assist\u00eancia social, secas intensas e alternativas de melhorias, sobretudo, para o futuro das crian\u00e7as e dos jovens, o quadro foi se invertendo e, com o passar dos anos, o campo foi se esvaziando. Levas e mais levas de gente foram para as pequenas, m\u00e9dias e grandes cidades. Da popula\u00e7\u00e3o brasileira atual, mais de 70% est\u00e3o nos centros urbanos.<\/p>\n<p>Sem especializa\u00e7\u00e3o e conhecimento para um emprego qualificado, a grande maioria de pobres se instalou nas periferias, em morros e favelas. As cidades incharam e n\u00e3o deram conta da demanda por saneamento b\u00e1sico e outros setores. Muitas daquelas crian\u00e7as passaram a perambular pelas ruas e aumentou o n\u00famero de pedintes, apesar das escolas p\u00fablicas terem um ensino de qualidade que foi caindo de n\u00edvel no decorrer da ditadura e com a redemocratiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas cidades, a pobreza cresceu e aprofundaram as desigualdades sociais, mesmo com o ensino sendo universal para todos, com mais escolas. Cresceu a quantidade e piorou a qualidade. Com o SUS, a sa\u00fade \u00e9 para todos, mas o servi\u00e7o \u00e9 ineficiente e muitos morrem nos corredores dos hospitais por falta de atendimento m\u00e9dico.<\/p>\n<p>As cidades hoje viraram um amontado de gente, uns morando numa selva de concreto em apartamentos ou apertamentos e muitos em casebres e casas modestas em \u00e1reas irregulares perigosas, numa \u201cguerra\u201d desenfreada pela sobreviv\u00eancia para pagar suas d\u00edvidas. No embalo do consumismo compulsivo, as pessoas hoje vivem endividadas e poluindo mais o planeta.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia se espalhou por todos os cantos e muitos jovens, sem op\u00e7\u00f5es e car\u00eancias, nela se embarcaram; a corrup\u00e7\u00e3o mais que duplicou em todos os n\u00edveis; e n\u00e3o se confia mais nas pessoas como antigamente.\u00a0 O senso coletivo \u2013 n\u00e3o estou aqui falando de doa\u00e7\u00f5es e campanhas de alimentos \u2013 deu lugar para o individualismo, do tipo cada um por si e os outros que se lasquem. Prevalece a lei da vantagem e a do mais forte. N\u00e3o se respeita mais os outros.<\/p>\n<p>Nessa linha de racioc\u00ednio, o progresso teve seu lado bom, mas outro perverso e triturador do ser humano. Na gan\u00e2ncia pelo deus dinheiro, depredaram e destru\u00edram o meio ambiente ao ponto de j\u00e1 estarmos em pleno aquecimento global, com tormentas e trag\u00e9dias. Vivemos numa turbulenta decad\u00eancia da humanidade, com ideias e comportamentos medievais, apesar do avan\u00e7o das tecnologias sofisticadas e modernas.<\/p>\n<p>Por falar nisso, hoje voc\u00ea tem uma m\u00e1quina potente de lavar (antes batia roupa em tanques e lajedos), utens\u00edlios dom\u00e9sticos autom\u00e1ticos de primeira gera\u00e7\u00e3o que logo d\u00e3o defeitos para fazer a economia rodar, casas com intelig\u00eancia artificial (tudo \u00e9 mais f\u00e1cil, sem esfor\u00e7o), celular para se comunicar com maior rapidez (nada de cartas e telefones antigos), redes sociais cheias de fofocas e besteirol, com textos curtos e portugu\u00eas errado, pagamentos r\u00e1pidos pelo pix e outro mont\u00e3o de facilidades tecnol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Em contrapartida, as doen\u00e7as aumentaram e muitas delas desconhecidas e ex\u00f3ticas; mais v\u00edrus se espalharam pelo mundo, mas a medicina e a ci\u00eancia se modernizaram. Inventaram curas e tratamento com vacinas e medicamentos, embora poucos t\u00eam acesso. N\u00e3o entro aqui no cen\u00e1rio das guerras, atrocidades e tiranias porque elas sempre existiram desde os prim\u00f3rdios das civiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ter\u00edamos aqui uma vasta lista de fatos, de mudan\u00e7as, acontecimentos e epis\u00f3dios para colocarmos num cesto e realizar nossas escolas. Creio que muitos seriam chamados de saudosistas e estes taxariam os atuais de alienados, apenas pe\u00e7as de uma engrenagem de triturar humanos. A pol\u00eamica n\u00e3o teria fim. Seria uma discuss\u00e3o do fim do mundo.<\/p>\n<p>Sem mais delongas, para n\u00e3o me alongar (poucos s\u00e3o os leitores e a nossa cultura est\u00e1 em baixa), com todas essas vantagens e desvantagens entre o passado e o presente, voc\u00ea hoje vive mais feliz com todo esse avan\u00e7o tecnol\u00f3gico na m\u00e3o?<\/p>\n<p>O mundo de hoje est\u00e1 melhor, ou pior? Voc\u00ea vislumbra um futuro mais promissor e mais humanista, sem muitas matan\u00e7as, \u00f3dio e intoler\u00e2ncia? Voc\u00ea decide e, como j\u00e1 falei l\u00e1 em cima, n\u00e3o vou aqui revelar a minha opini\u00e3o. \u00a0Um abra\u00e7o a todos os navegantes desse barco chamado de terra, ou nessa nau de sensatos e insensatos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta quest\u00e3o sobre se a vida no mundo est\u00e1 melhor, ou pior sempre rola em roda de conversas com v\u00e1rios pontos de vista. Desta vez prefiro n\u00e3o emitir minha posi\u00e7\u00e3o. \u00a0Algu\u00e9m pode at\u00e9 considerar estranho e achar que n\u00e3o esteja sendo correto ficando fora dessa. 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