{"id":11467,"date":"2026-01-09T00:03:00","date_gmt":"2026-01-09T03:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11467"},"modified":"2026-01-09T00:03:09","modified_gmt":"2026-01-09T03:03:09","slug":"fazer-o-que-ne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2026\/01\/09\/fazer-o-que-ne\/","title":{"rendered":"&#8220;FAZER O QU\u00ca, N\u00c9&#8221;!"},"content":{"rendered":"<p>As pessoas hoje se entregaram, como se nada mais pudesse ser feito para mudar a situa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o como rob\u00f4s comandados pelas ordens dos mandat\u00e1rios no poder, e se sentem ref\u00e9ns dos acontecimentos ruins que prejudicam nossas vidas.<\/p>\n<p>\u00c9 como se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos mais direitos de reivindicar e protestar contra os desmandos e arbitrariedades. Como se n\u00e3o fossemos donos de n\u00f3s mesmos. Somos objetos inocentes \u00fateis dos deveres.<\/p>\n<p>Quantas vezes j\u00e1 ouvimos esta express\u00e3o \u201cfazer o qu\u00ea, n\u00e9\u201d quando as administra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas aumentam o valor dos transportes p\u00fablicos, as empresas elevam os custos da energia e da \u00e1gua, os combust\u00edveis sobem, projetos de lei s\u00e3o absurdos e a viol\u00eancia brutal bate em nossas portas ceifando vidas que pouco valem.<\/p>\n<p>Quando fen\u00f4menos anormais da natureza provocam trag\u00e9dias, o pobre tem cinco ou seis filhos, as coisas n\u00e3o ocorrem como se queria e at\u00e9 as injusti\u00e7as sociais atingem os mais fracos, sempre ouvimos que \u201cfoi Deus que assim quis\u201d, como se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos mais op\u00e7\u00f5es de decidir nossos caminhos.<\/p>\n<p>\u201cQueremos justi\u00e7a\u201d, que nunca chega, ou quando se alcan\u00e7a \u00e9 tardia e n\u00e3o \u00e9 justa na medida do crime cometido pelo agressor. \u00c9 outra frase comum quando algum amigo, parente, ente querido da fam\u00edlia \u00e9 atingido por uma bala perdida ou pela trucul\u00eancia da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos fazer nada\u201d \u00e9 outro termo irm\u00e3o do \u201cfazer o qu\u00ea, n\u00e9\u201d! \u201c\u00c9 assim que a banda toca, meu amigo\u201d, e n\u00e3o \u00e9 com seu clamor e revolta que vai mudar o mundo. \u00cata vidinha acomodada e submissa que se perdeu na desilus\u00e3o de que as coisas n\u00e3o podem mais mudar! N\u00e3o adianta espernear! \u201c\u00c9 perda de tempo\u201d!<\/p>\n<p>Chegamos ao fundo do po\u00e7o (ainda tem mais fundo) do comodismo, do individualismo, da indiferen\u00e7a e da falta de indigna\u00e7\u00e3o onde cada um no mundo de hoje s\u00f3 pensa em si e acha que lutar pelo coletivo basta dar uma doa\u00e7\u00e3o para uma campanha (sai uma e entra outra) de brinquedos ou alimentos em final de ano (Natal), ou para socorrer v\u00edtimas de cat\u00e1strofes. Temos consci\u00eancia pol\u00edtica beirando a zero.<\/p>\n<p>Nos tempos que n\u00e3o existiam internet e celular, nem redes sociais de milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es e seguidores de besteir\u00f3is, multid\u00f5es marchavam nas ruas, pra\u00e7as e avenidas na busca pelos seus direitos humanos e era \u201cum por todos e todos por um\u201d. Isto tudo se acabou e nem existem mais amigos de verdade, como antigamente, do tipo \u201ccerto nas horas incertas\u201d.<\/p>\n<p>Sentimos atualmente um vazio no peito quando observamos que as pessoas se entregaram \u00e0 pr\u00f3pria sorte, se isolaram e perderam a esperan\u00e7a de que sonhar juntos pode mudar os fatos ao nosso favor. O grito de \u201cUnidos, venceremos\u201d ficou apenas nas palavras!<\/p>\n<p>Mais do que nos prim\u00f3rdios das civiliza\u00e7\u00f5es, o ego\u00edsmo de hoje \u00e9 mais vis\u00edvel, e o outro \u00e9 como se fosse o seu inimigo. Vizinho n\u00e3o conhece mais vizinho. Fa\u00e7a um teste e pergunte os nomes de seus vizinhos. Que solidariedade \u00e9 essa de que tanto se fala e se propaga por a\u00ed?<\/p>\n<p>As comunidades rurais, os moradores de vilas e povoados ainda cultivam a cultura do companheirismo, da camaradagem, do mutir\u00e3o, do adjut\u00f3rio e do querer mudar para melhorar, mas nas cidades predominam o isolamento humano e a falta de respeito para com o outro.<\/p>\n<p>\u201cFazer o qu\u00ea, n\u00e9\u201d, se o sistema \u00e9 assim e temos que obedecer, sem questionar! Ali\u00e1s, quem reclama e questiona demais \u00e9 visto como um chato que vive a se lamentar da vida. \u201cOlha l\u00e1, l\u00e1 vai aquela mala que quer mudar as coisas e o mundo\u201d \u2013 aponta com o dedo em riste o \u201cfazer o qu\u00ea, n\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9, meus camaradas, os tempos mudaram, muito mais para pior, e n\u00e3o estou sendo pessimista. \u00a0\u201cCala-te boca, nojento\u201d! Mas, falar da vida alheia e fazer fofocas, nisso todo mundo \u00e9 craque e especialista. Julgar os atos dos outros, tem de mont\u00e3o. Mesmo cheio de pecados, atira pedras. \u00c9 a vida, meu amigo, \u201cfazer o qu\u00ea, n\u00e9\u201d! \u201cS\u00f3 sei que \u00e9 assim\u201d!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As pessoas hoje se entregaram, como se nada mais pudesse ser feito para mudar a situa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o como rob\u00f4s comandados pelas ordens dos mandat\u00e1rios no poder, e se sentem ref\u00e9ns dos acontecimentos ruins que prejudicam nossas vidas. \u00c9 como se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos mais direitos de reivindicar e protestar contra os desmandos e arbitrariedades. 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