{"id":11427,"date":"2025-12-29T22:04:11","date_gmt":"2025-12-30T01:04:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11427"},"modified":"2025-12-29T22:05:56","modified_gmt":"2025-12-30T01:05:56","slug":"quanto-menos-pensar-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/12\/29\/quanto-menos-pensar-melhor\/","title":{"rendered":"QUANTO MENOS PENSAR, MELHOR!"},"content":{"rendered":"<p>Est\u00e1 dif\u00edcil conviver hoje com as pessoas. Vivemos \u00e9pocas cavernosas. A impress\u00e3o que temos \u00e9 que a humanidade aos poucos est\u00e1 voltando aos tempos das cavernas. Pode at\u00e9 ser pessimismo da minha parte. Muitos dizem que as coisas v\u00e3o melhorar, mas n\u00e3o consigo acreditar nisso.<\/p>\n<p>A velha gera\u00e7\u00e3o das letras de conte\u00fado, de in\u00edcio, meio e fim, est\u00e1 se acabando, partindo para o al\u00e9m, e a nova faz quest\u00e3o do quanto menos pensar, melhor. Muitos colocam a culpa ao mundo da internet, das redes sociais de frase curtas e portugu\u00eas errado, das abrevia\u00e7\u00f5es das palavras e do besteirol, mas ser\u00e1 que n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 atr\u00e1s quando come\u00e7aram a definhar a educa\u00e7\u00e3o? O conhecimento e o saber est\u00e3o raqu\u00edticos!<\/p>\n<p>Neste final de semana estava ouvindo uns vinis de Geraldo Vandr\u00e9 (Disparada, Pra que n\u00e3o dizer que falei das flores), Paulo Diniz (\u201cE Agora, Jos\u00e9\u201d \u2013 Drummond), Z\u00e9 Ramalho, com Av\u00f4ha!, Caetano (Alegria, Alegria), Gilberto Gil (Domingo no Parque), Edu Lobo (Ponteio), Milton Nascimento (Travessia) e outros cl\u00e1ssicos eternos dos saudosos festivais, de longas letras (muitas s\u00e3o aulas de hist\u00f3ria) que nos fazem refletir e t\u00eam sentido.<\/p>\n<p>Naqueles tempos, muitos de hoje dir\u00e3o se tratar de saudosismo, coisa de velho, as letras eram t\u00e3o importantes, ou at\u00e9 mais, que as melodias musicais. Hoje, as m\u00fasicas, se \u00e9 que se pode chamar isso de m\u00fasicas, s\u00e3o ritmos barulhentos, de letras de uma s\u00f3 estrofe, repetida v\u00e1rias vezes, com mulheres e homens rebolando no palco, e o artista \u00e9 ovacionado por uma massa hist\u00e9rica que imita as coreografias e faz o papel de papagaio.<\/p>\n<p>Existem letras de uma s\u00f3 frase e algumas com apenas duas palavras fazendo o maior sucesso em shows de multid\u00f5es, e ainda chamam isso de festivais. A grande maioria n\u00e3o quer mais saber de letras longas, e at\u00e9 os artistas de conte\u00fado entraram nessa onda e rejeitam porque sabem que o p\u00fablico em geral n\u00e3o escuta mais o que se fala.<\/p>\n<p>Tem gente hoje que sai do nada e de repente, de uma hora para outra, est\u00e1 nas paradas de sucesso, como um tal Jo\u00e3o Gomes e tantos outros. As duplas \u201csertanejas\u201d s\u00e3o verdadeiras pragas daninhas, com letras curtas de sofr\u00eancia e amor barato. Arrastam galeras jovens sem nenhum senso cr\u00edtico.<\/p>\n<p>As redes de televis\u00e3o abra\u00e7am porque d\u00e1 audi\u00eancia e mais patroc\u00ednios, e na internet s\u00e3o milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es. \u00c9 um esquema bruto de jab\u00e1s que se paga alto pelas divulga\u00e7\u00f5es. Com o baixo n\u00edvel cultural, onde a juventude cai dentro e se afoga nas merdas, est\u00e1 bem mais f\u00e1cil fazer sucesso e ganhar dinheiro.<\/p>\n<p>Antigamente, aquela velha gera\u00e7\u00e3o que me referi l\u00e1 em cima, dava um duro danado, ralava e comia o p\u00e3o que o diabo amassou, para ser reconhecido pelo p\u00fablico como grande artista. Passava um bom tempo de viola nos ombros virando a noite, de barzinho em barzinho, recebendo um cach\u00ea minguado.<\/p>\n<p>Os nordestinos, hoje famosos, l\u00e1 atr\u00e1s, sem estrutura de mercado em suas capitais, iam para o Rio de Janeiro disputar na tora e na ra\u00e7a uma grava\u00e7\u00e3o nas grandes gravadoras, a maioria norte-americanas. Era tanta procura que tinha gente que pagava para gravar uma m\u00fasica. Lutavam bravamente por um espa\u00e7o para divulgar suas obras.<\/p>\n<p>A m\u00fasica, por ser mais atrativa, \u00e9 apenas um exemplo de arte que sofreu essa decad\u00eancia, mas as outras tamb\u00e9m padecem do mesmo \u201cmal de si\u00e8cle\u201d do cada vez se pensar menos. Na literatura, s\u00e3o poucos os que se dedicam \u00e0 leitura. A desculpa \u00e9 que n\u00e3o t\u00eam tempo. Claro, o celular se tornou no deus mais idolatrado. A humanidade ficou mais imbecil.<\/p>\n<p>Na maioria, os novos autores procuram fazer textos curtos, e os livros n\u00e3o passam de 150 p\u00e1ginas, no m\u00e1ximo, porque quase ningu\u00e9m se debru\u00e7a numa obra de 200 ou mais folhas. At\u00e9 os livros did\u00e1ticos s\u00e3o chochos. De poucas narrativas e muitos cortes.<\/p>\n<p>Nas outras artes, a quest\u00e3o \u00e9 semelhante, com poucos teatros, poucas dan\u00e7as, raras casas de espet\u00e1culos (em Vit\u00f3ria da Conquista est\u00e3o fechadas) e n\u00e3o existem mais aquelas galerias e sal\u00f5es de artes pl\u00e1sticas, com algumas exce\u00e7\u00f5es em determinadas capitais. Os jovens preferem os shows de cantores, m\u00fasicos e compositores que s\u00f3 parem lixo.<\/p>\n<p>Diante de todo esse quadro de decad\u00eancia cultural, de uma arte sem conte\u00fado que n\u00e3o \u00e9 mais a mesma, como ter esperan\u00e7a de que as coisas v\u00e3o melhorar? Muitos procuram pensar positivo, s\u00f3 porque ser negativo \u00e9 pior e passa uma imagem de derrotismo.<\/p>\n<p>\u00c9 aquele neg\u00f3cio do faz de conta que tudo vai mudar para melhor. \u201dQue nada, cara, vamos pensar positivo\u201d! Confesso que n\u00e3o consigo enganar a mim mesmo. Prefiro me comportar como um anormal, um est\u00fapido ou bruto, fora desse eixo social maquiado, mesmo recebendo fortes cr\u00edticas.<\/p>\n<p>Estou nessa idade e n\u00e3o mais me incomodo com elas. Dentro das minhas condi\u00e7\u00f5es, fa\u00e7o o poss\u00edvel para virar o jogo, mas j\u00e1 entramos no segundo tempo tomando de goleada. Necessitamos de muitos craques l\u00e1 na frente para fazer gols, s\u00f3 que essa safra tamb\u00e9m est\u00e1 escassa. O t\u00e9cnico j\u00e1 fez de tudo e est\u00e1 rouco de tanto gritar! S\u00f3 temos pernas de paus!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 dif\u00edcil conviver hoje com as pessoas. Vivemos \u00e9pocas cavernosas. 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