{"id":11422,"date":"2025-12-26T23:30:31","date_gmt":"2025-12-27T02:30:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11422"},"modified":"2025-12-26T23:33:24","modified_gmt":"2025-12-27T02:33:24","slug":"o-velho-e-o-novo-de-bracos-dados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/12\/26\/o-velho-e-o-novo-de-bracos-dados\/","title":{"rendered":"O &#8220;VELHO&#8221; E O &#8220;NOVO&#8221; DE BRA\u00c7OS DADOS"},"content":{"rendered":"<p>Com todo respeito \u00e0s crendices, supersti\u00e7\u00f5es e ao sincretismo religioso, vou de branco, de azul, vermelho, amarelo, roxo ou preto, comer lentilhas, frango, carne de porco, pato, peru, ema ou ganso, para receber o \u201cnovo\u201d, de bra\u00e7os dados com o \u201cvelho\u201d. N\u00e3o importa a cor ou a comida, se religioso ou profano.<\/p>\n<p>Quando chegamos \u00e0s v\u00e9speras do \u00faltimo dia do ano, festejamos essa passagem com o nome pomposo de \u201cR\u00e9veillon\u201d (\u00cata que adoramos mesmo estrangeirar e copiar a cultura alheia, ou alien\u00edgena), dizendo que estamos enterrando o velho, tanto que nos abra\u00e7amos e nos beijamos desejando um \u201cFeliz e Pr\u00f3spero Ano Novo\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 um ritual ancestral que j\u00e1 fazemos de forma maquinal, sem ao menos refletirmos que o velho, mesmo com seu palet\u00f3 surrado, segue com o novo, que j\u00e1 nasce velho, porque no \u00e2mbito geral das formas pol\u00edtica e social estabelecidas e do sistema vigente em que j\u00e1 vivemos, nada muda, a n\u00e3o ser fatos e acontecimentos novos que j\u00e1 fazem parte do nosso cotidiano. \u201cNada se cria, tudo se copia\u201d.<\/p>\n<p>No outro dia do primeiro do ano, como nos outros dias comuns do \u201cvelho\u201d, os notici\u00e1rios trazem fatos \u201cnovos\u201d que acontecem no andar da carruagem da vida e muitos outros que j\u00e1 s\u00e3o velhos conhecidos da sociedade. Portanto, os dois continuam entrela\u00e7ados entre si como fios de corda no sentido latu sensus.<\/p>\n<p>Isso de enterrar o \u201cvelho\u201d, dele passar o bast\u00e3o para o \u201cnovo\u201d, s\u00f3 existe no nosso imagin\u00e1rio psicol\u00f3gico e \u00e9 uma express\u00e3o que j\u00e1 sai automaticamente do nosso subconsciente. Sabemos que sem o velho ancestral, com suas aprendizagens, com seus erros e acertos, n\u00e3o nos renovamos para construir o novo.<\/p>\n<p>Por sua vez, nem pensamos que cada ano que \u201centerramos\u201d, ficamos mais velhos junto com a nossa data de anivers\u00e1rio. Um est\u00e1 atado ao outro. O \u201cvelho\u201d leva muita coisa para o \u201cnovo\u201d e o \u201cnovo\u201d n\u00e3o vive sem o \u201cvelho\u201d. Sem o \u201cvelho\u201d n\u00e3o fazemos nossos planos, nossas metas e nossos sonhos, muitas deles n\u00e3o cumpridos que se tornam caducos durante o \u201cnovo\u201d, que nada tem de novo.<\/p>\n<p>Bastam de tantos firulas e trocadilhos de filosofia barata. A realidade \u00e9 que sempre, de uma maneira ou de outra, estamos sempre condenando o \u201cvelho\u201d quando afirmamos que queremos um \u201cnovo\u201d melhor. Isso \u00e9 natural porque o ser humano nunca est\u00e1 satisfeito com o que tem ou com o que recebeu e teve l\u00e1 atr\u00e1s. \u00c9 por assim dizer, um ingrato das gra\u00e7as. Claro que no meio existiram desgra\u00e7as.<\/p>\n<p>Todos os anos temos cat\u00e1strofes e trag\u00e9dias humanas e da natureza, com suas tormentas, temporais, raios, vendavais, ciclones e tornados (cada vez mais crescentes devido ao aquecimento global); desmandos dos pol\u00edticos corruptos e tiranos; guerras de bombas voadoras destruidoras; campanhas de doa\u00e7\u00f5es; gestos de maldades e generosidades; crimes hediondos e a\u00e7\u00f5es que ainda alimentam nossa esperan\u00e7a e f\u00e9.<\/p>\n<p>Tudo isso est\u00e1 no card\u00e1pio que o \u201cvelho\u201d passa para o \u201cnovo\u201d. As mudan\u00e7as nos ingredientes e temperos para que a comida fique menos ou mais saborosa s\u00f3 dependem de n\u00f3s. N\u00e3o adianta lamentar porque o tempo continua se arrastando tinhoso e nem se atreva pedir para parar. Ele \u00e9 o dono dos nossos destinos.<\/p>\n<p>Mas, \u201cvamos em frente que atr\u00e1s vem gente\u201d, meu amigo e, como dizia nosso cancioneiro, o Bob Dylan do Nordeste, ainda vivo (outros acham que \u00e9 o Z\u00e9 Ramalho), Geraldo Vandr\u00e9, vamos embora que esperar n\u00e3o \u00e9 saber\/ quem sabe faz a hora, n\u00e3o espera acontecer. Felicita\u00e7\u00f5es ao \u201cvelho\u201d e um forte abra\u00e7o ao \u201cnovo\u201d, uma inc\u00f3gnita, que n\u00e3o seja aquele tipo amigo da on\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com todo respeito \u00e0s crendices, supersti\u00e7\u00f5es e ao sincretismo religioso, vou de branco, de azul, vermelho, amarelo, roxo ou preto, comer lentilhas, frango, carne de porco, pato, peru, ema ou ganso, para receber o \u201cnovo\u201d, de bra\u00e7os dados com o \u201cvelho\u201d. N\u00e3o importa a cor ou a comida, se religioso ou profano. 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