{"id":11402,"date":"2025-12-22T23:03:49","date_gmt":"2025-12-23T02:03:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11402"},"modified":"2025-12-22T23:03:59","modified_gmt":"2025-12-23T02:03:59","slug":"como-seria-o-brasil-de-hoje-sem-o-golpe-civil-militar-de-1964","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/12\/22\/como-seria-o-brasil-de-hoje-sem-o-golpe-civil-militar-de-1964\/","title":{"rendered":"COMO SERIA O BRASIL DE HOJE SEM O GOLPE CIVIL- MILITAR DE 1964?"},"content":{"rendered":"<p>V\u00e1rias vezes me pego imaginando como seria o Brasil de hoje se n\u00e3o tivesse ocorrido o golpe civil-militar de 1964. Muitas pessoas j\u00e1 devem tamb\u00e9m ter feito essa suposi\u00e7\u00e3o. O assunto renderia um livro ou um filme imagin\u00e1rio de fic\u00e7\u00e3o dentro do realismo-fant\u00e1stico a partir da exist\u00eancia de um contragolpe. Neste final de semana, meu amigo Dal Farias levantou esta quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Dif\u00edcil de responder porque muitas coisas poderiam ter acontecido no decorrer do processo de implanta\u00e7\u00e3o das reformas de base propostas pelo ent\u00e3o presidente Jo\u00e3o Goulart no in\u00edcio dos anos 60 com a ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros, em agosto de 1961. S\u00e3o mais de 61 anos e de l\u00e1 para c\u00e1, a desigualdade, a pobreza e a exclus\u00e3o s\u00f3 aumentaram, talvez em maior propor\u00e7\u00e3o ao crescimento populacional.<\/p>\n<p>Quando fazemos esta pergunta temos que nos reportar aos anos de 1954 quando Get\u00falio Vargas se suicidou e os milicos ensaiaram o primeiro golpe naquele imbr\u00f3glio de Caf\u00e9 Filho, mas foi impedido pelo general Lott que optou em se posicionar ao lado da legalidade.<\/p>\n<p>Tentaram at\u00e9 n\u00e3o dar posse ao eleito Juscelino Kubistchek, mas tiveram que se recolher em suas casernas, apesar de n\u00e3o terem desistido da ideia. A mesma coisa ocorreu com Jango, em 1961, impedidos pela campanha da legalidade de Leonel Brizola. A frustra\u00e7\u00e3o deles serviu para alimentar mais ainda a vingan\u00e7a, concretizada em 1964.<\/p>\n<p>Bem, a indaga\u00e7\u00e3o \u00e9 como seria o Brasil de hoje se n\u00e3o tivesse existido o golpe de 64. Em minha modesta opini\u00e3o de observador, tenho certeza que ter\u00edamos um pais bem melhor, mais igualit\u00e1rio, mais educado, de maior conscientiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e mais conhecimento e saber, tanto nas zonas urbana como rural, inclusive com a implementa\u00e7\u00e3o da reforma agr\u00e1ria, que nunca foi feita.<\/p>\n<p>Pelos meados dos anos 50 e at\u00e9 in\u00edcio dos 60 est\u00e1vamos no caminho certo da educa\u00e7\u00e3o e se respirava cultura, principalmente entre aquela nova gera\u00e7\u00e3o, inspirada nos movimentos socialistas da R\u00fassia, China e Cuba. Creio, no entanto, que n\u00e3o ser\u00edamos um pa\u00eds comunista na Am\u00e9rica Latina, como propagava o Ocidente atrav\u00e9s do Estados Unidos.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca da guerra fria, o pior inimigo era o comunismo da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (at\u00e9 hoje ainda \u00e9 visto como vil\u00e3o pela extrema), mas o Brasil n\u00e3o era um marxista convicto. Boa ala das for\u00e7as armadas, inclusive soldados e oficiais, como nos movimentos tenentistas da d\u00e9cada de 20, aderiam \u00e0s reformas de base e \u00e0s mudan\u00e7as sociais propostas, mas n\u00e3o eram comunistas marxista-leninistas, com raras exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O BRASIL \u00c9 MAIS DE DIREITA OU DE ESQUERDA?<\/p>\n<p>Isso responde a uma outra pergunta: O Brasil \u00e9 mais de direita ou de esquerda? Mais uma vez, no meu entendimento, o p\u00eandulo sempre esteve mais para o lado da direita e centro. Pela sua tradi\u00e7\u00e3o cultural, inclusive religiosa cat\u00f3lica e mais ainda evang\u00e9lica, a fam\u00edlia brasileira sempre foi conservadora moderada, n\u00e3o tanto extremista de direita como atualmente.<\/p>\n<p>Interessante que foi a Igreja Cat\u00f3lica, naqueles anos, que despertou nos jovens e trabalhadores em geral, principalmente, a participa\u00e7\u00e3o nos movimentos sociais atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de grupos de a\u00e7\u00f5es populares, como JEC, JUC, JOC, JAC e tantos outros, inclusive no meio rural com os camponeses.<\/p>\n<p>Aquela gera\u00e7\u00e3o se engajou na defesa social visando conscientizar politicamente o povo do seu direito \u00e0 justi\u00e7a e \u00e0 dignidade humana, com vistas a combater as desigualdades e contra a explora\u00e7\u00e3o do capital, especialmente das multinacionais. No fundo pregava-se a luta de classe e o povo no poder. Durante a ditadura, a bandeira principal era a volta da democracia.<\/p>\n<p>Foi esta mesma Igreja, \u00e1vida por mudan\u00e7as e na defesa dos pobres, a classe m\u00e9dia dita burguesa e as elites oligarcas, que nunca aceitaram a distribui\u00e7\u00e3o de renda, que juntas se uniram para apoiar o golpe-civil-militar de 1964, sob o argumento de que o pa\u00eds estava \u00e0 beira de uma ditadura comunista. Essa ideia foi amplamente bem trabalhada e divulgada pela CIA (Servi\u00e7o de Intelig\u00eancia) dos Estados Unidos, com a integra\u00e7\u00e3o dos conservadores.<\/p>\n<p>Sem contar a incoer\u00eancia da Igreja Cat\u00f3lica, que recuou e abriu m\u00e3o de suas mobiliza\u00e7\u00f5es sociais, a base da nossa forma\u00e7\u00e3o familiar sempre foi de direita, tanto que tivemos aquelas megas manifesta\u00e7\u00f5es de ruas, com os slogans de fam\u00edlia, p\u00e1tria e tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esses personagens, inclusive a imprensa, pediam tamb\u00e9m uma interven\u00e7\u00e3o militar porque temiam que as reformas de base fariam do Brasil um pa\u00eds comunista. A hist\u00f3ria se repete e de forma mais aguda e agressiva, sem bem que os autores s\u00e3o diferentes. S\u00e3o esqueletos que h\u00e1 muito tempo estavam mofando nos arm\u00e1rios.<\/p>\n<p>O golpe de 1964 poderia ter sido evitado, n\u00e3o fossem as d\u00favidas, o medo ou covardia de Jango, que teve a possibilidade de abortar por ar a opera\u00e7\u00e3o desastrada do general Ol\u00edmpio Mour\u00e3o, em 31 de mar\u00e7o. Por sua vez, deveria ter permanecido em Bras\u00edlia mobilizando comandantes que se colocaram a ser servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Muito contribuiu tamb\u00e9m nesse processo de rendi\u00e7\u00e3o, a falta de organiza\u00e7\u00e3o das esquerdas entre moderados e radicais, que pressionaram o presidente, at\u00e9 com ultimatos. Outros fatores entraram em cena, mas acredito que se o roteiro fosse outro, hoje o Brasil seria bem melhor, e n\u00e3o essa bandalheira de bandidos corruptos, fascistas extremistas e um Congresso Nacional que \u00e9 o pior de toda hist\u00f3ria brasileira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V\u00e1rias vezes me pego imaginando como seria o Brasil de hoje se n\u00e3o tivesse ocorrido o golpe civil-militar de 1964. Muitas pessoas j\u00e1 devem tamb\u00e9m ter feito essa suposi\u00e7\u00e3o. O assunto renderia um livro ou um filme imagin\u00e1rio de fic\u00e7\u00e3o dentro do realismo-fant\u00e1stico a partir da exist\u00eancia de um contragolpe. 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