{"id":11306,"date":"2025-12-01T22:02:47","date_gmt":"2025-12-02T01:02:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11306"},"modified":"2025-12-01T22:03:06","modified_gmt":"2025-12-02T01:03:06","slug":"a-bola-esta-quadrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/12\/01\/a-bola-esta-quadrada\/","title":{"rendered":"A BOLA EST\u00c1 QUADRADA"},"content":{"rendered":"<p>Resolvi escrever um pouco sobre futebol brasileiro porque \u00e9 a modalidade que mais aprecio, ou apreciava, e por ter sido jogador na \u00e9poca de jovem. Por pouco n\u00e3o me profissionalizei. Ainda continuo tricolor das Laranjeiras, mais comedido, cabreiro e desconfiado.<\/p>\n<p>Saudades daqueles tempos quando se via lances e dribles desconcertantes nos campos, que entortavam defesas advers\u00e1rias, como Garrincha, Pel\u00e9, Didi, Tost\u00e3o, Reinaldo, Jairzinho, Rivelino, Ronaldo, Dirceu, Ronaldinho Ga\u00facho, o bruxo, Rom\u00e1rio e tantos outros que podiam ser chamados de craques.<\/p>\n<p>Dava gosto de se ir a um est\u00e1dio para assistir um verdadeiro espet\u00e1culo. Eram todos juntos com camisas de cores diferentes.\u00a0 Nos \u00faltimos anos, s\u00f3 pernas de paus, porradas, rasteiras e chutes onde a bola vai parar no meio das torcidas. Os gols s\u00e3o de cabe\u00e7a naqueles ajuntamentos brutais de agarra-agarras e empurr\u00f5es nos escanteios e faltas fora da pequena \u00e1rea.<\/p>\n<p>Por falar em bola, nos \u00faltimos dias a vejo quadrada como os negativistas da terra plana. Pode ser ilus\u00e3o de \u00f3tica ou problema de vista. Para mim, n\u00e3o \u00e9 mais redonda como antes que rolava serena nos gramados, sem ser maltratada. Ela at\u00e9 agradecia o trato carinhoso.<\/p>\n<p>Perdi a conta do tempo sem mais aquele craque brasileiro que era ovacionado quando pegava na bola e at\u00e9 decidia partidas perdidas e virava o placar. A equipe confiava nele e jogava com amor \u00e0 camisa que vestia. Demorava anos no clube do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje s\u00e3o todos medianos que usam mais a for\u00e7a f\u00edsica, simulam faltas e rolam nos campos, no cai-cai. Lembram do Neymar, o \u00faltimo moicano com seu futebol empolgante, mas preferiu as farras e agora est\u00e1 com as pernas podres.<\/p>\n<p>No futebol de hoje, ganha mais campeonatos quem tem mais dinheiro. Forma o melhor elenco quem possui mais grana no caixa, e o t\u00e9cnico sempre sobressai como o melhor. Assim \u00e9 f\u00e1cil ser treinador. As \u00fanicas coisas que ainda continuam s\u00e3o as roubalheiras dos cartolas. Perdeu-se a gra\u00e7a, mas os torcedores v\u00e3o \u00e0s raias da loucura. Ficam hipnotizados! S\u00e3o suas v\u00e1lvulas de escape para descarregar suas raivas.<\/p>\n<p>Muitos clubes foram vendidos para empres\u00e1rios e empresas do exterior. Acabou-se a brasilidade, o sentido de pertencimento. Quando um menino da base se destaca um pouco dos outros, \u00e9 logo vendido para Europa e aqui ficamos com os \u201cvira-latas\u201d.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, todos os grandes times est\u00e3o enxertados com gringos da Am\u00e9rica do Sul e at\u00e9 de outros pa\u00edses. A maioria, de jogadores de sele\u00e7\u00f5es estrangeiras. Os t\u00e9cnicos s\u00e3o de fora, inclusive o italiano da sele\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Nas entrevistas de jogadores e treinadores, s\u00f3 se houve o espanhol e at\u00e9 o ingl\u00eas, sem contar os portugueses de l\u00edngua embolada. L\u00e1 se foi o nosso futebol alegria, mas o torcedor \u00e9 bicho fan\u00e1tico. A maioria ainda abre a boca para dizer que seu time \u00e9 sua vida.<\/p>\n<p>Como b\u00e1rbaros, matam uns aos outros em brigas fraticidas de garrafas e cacetes, como primitivos da Idade da Pedra.\u00a0 \u00c9 o vazio humano, desumano, prova da aliena\u00e7\u00e3o nacional. Est\u00e1dios lotados de hist\u00e9ricos gritos e alaridos, mais de gente pobre, que troca um ingresso por uma d\u00edvida, ou um alimento para a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A m\u00eddia esportiva, principalmente a Rede Globo, que monopoliza todos os campeonatos, vende um quadro falso de um futebol original, mas decadente. Ela se gloria que nos \u00faltimos anos os campe\u00f5es das Libertadores ficaram no Brasil.<\/p>\n<p>O torcedor fica euf\u00f3rico e cego. Essa m\u00eddia n\u00e3o explica que tudo isso come\u00e7ou quando os times passaram a comprar mais e mais jogadores caros de fora. Vale quem tem mais \u201cdindim\u201d, mais bufunfa para investir.<\/p>\n<p>Para comprovar isso, basta observar a \u00faltima final entre o Flamengo e o Palmeiras. Que jogo feio da peste! De cada lado, cheio de gringos que d\u00e1 um time. Nenhum atleta not\u00e1vel brasileiro. Gol de cabe\u00e7a de bola cruzada pelo alto. No mais, foi chute pra l\u00e1 e chute pra c\u00e1, sem contar as pernadas e pancadas, sem mais respeito ao colega.<\/p>\n<p>Cad\u00ea o meu futebol da bola redonda, cheio de poesia e plasticidade que atraia multid\u00f5es? Cad\u00ea a nossa sele\u00e7\u00e3o de craques com aquele gingado brasileiro que encantava o mundo? O gato comeu, meu amigo! Os deuses do futebol nos abandonaram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resolvi escrever um pouco sobre futebol brasileiro porque \u00e9 a modalidade que mais aprecio, ou apreciava, e por ter sido jogador na \u00e9poca de jovem. Por pouco n\u00e3o me profissionalizei. 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