{"id":11194,"date":"2025-10-31T01:07:43","date_gmt":"2025-10-31T04:07:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11194"},"modified":"2025-10-31T01:07:54","modified_gmt":"2025-10-31T04:07:54","slug":"poesia-e-coisa-desse-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/10\/31\/poesia-e-coisa-desse-mundo\/","title":{"rendered":"POESIA \u00c9 COISA DESSE MUNDO"},"content":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto)<\/p>\n<p>O que \u00e9 a poesia?<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 a descoberta das coisas que nunca vi\u201d. (Oswald de Andrade).<\/p>\n<p>\u201cNo fundo, a poesia \u00e9 isto: a eterniza\u00e7\u00e3o do momento\u201d. (M\u00e1rio Quintana).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o pensamento musical\u201d. (Thomas Carlyle).<\/p>\n<p>\u201cUma irm\u00e3 t\u00e3o incompreens\u00edvel da magia\u201d. (Guimar\u00e3es Rosa).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 a destila\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio\u201d. (Rafael Angullol).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o mais doce dos tormentos\u201d. (Alfred de Musset).<\/p>\n<p>Reproduzo a cr\u00f4nica \u201cO nome disso\u201d, de abril de 2022, que acho ter gosto de poesia e que est\u00e1 no meu livro \u201cMuseu do Chico\u201d:<\/p>\n<p>\u201cComo a manh\u00e3 tecida pelo sol nas \u00e1rvores, o brilho nos olhos dos netos e os mist\u00e9rios do mar.<\/p>\n<p>\u00c9 igual a amanhecer cantando depois de uma noite de amor, fazer um gol aos 45 do segundo tempo e sorver aquela cerveja bem gelada.<\/p>\n<p>Parece com a alegria dos vendedores da feira \u00e0s 5 da manh\u00e3, o caderno novo do primeiro dia de aula e a curva do rio com um velho tronco ca\u00eddo, de onde a gente saltava para a felicidade.<\/p>\n<p>\u00c9 como a voz dos filhos, o final de uma longa caminhada, um copo d\u00b4\u00e1gua bem gelada e aquela morena que passou na estrada.<\/p>\n<p>Parece com a felicidade da dan\u00e7a, o romper do novo dia e um Carnaval pegando fogo de alegria.<\/p>\n<p>S\u00e3o versos que nasceram agora, a boa lembran\u00e7a de quem foi embora e aquela coisa velha que a gente bota fora.<\/p>\n<p>\u00c9 igual a ver brotar o que voc\u00ea plantou, uma m\u00fasica que vem l\u00e1 do fundo, querer amar esse mundo, apesar de tudo dividido.<\/p>\n<p>Um bem-te-vi na janela, a cor da saia dela e uma rosa amarela. Uma estrela caindo, algu\u00e9m na esta\u00e7\u00e3o se despedindo e voc\u00ea chegando. Um bom sonho que esqueci, mas foi lindo.<\/p>\n<p>Parece com a multid\u00e3o de estudantes gritando \u201cfora Bolsonaro!\u201d, a alegria de um pequeno agricultor cujo filho passou na universidade p\u00fablica ou com o trabalhador que recebe a chave da casa pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>\u00c9 como a pureza de quem recebe a h\u00f3stia, a delicadeza da planta renda portuguesa e uma feliz surpresa. \u00c9 igual a uma mulher quando sai do banho. \u00c9 igual a uma alegria sem tamanho.<\/p>\n<p>Um ba\u00fa de fotos e cartas antigas, uma limonada gelada, um travesseiro alto, requeij\u00e3o no prato, ovo frito na manteiga e um gole de caf\u00e9 bem forte. A\u00ed a gente toma o norte.<\/p>\n<p>\u00c9 como lavadeira cantando na beira do rio, cavalo branco pastando sem sela e um porquinho rec\u00e9m-nascido.<\/p>\n<p>Parece com a av\u00f3 ensinando a neta a bordar, \u00e9 igual a sair do hospital, entrar na padaria de manh\u00e3 ou dar uma volta no arraial.<\/p>\n<p>Parece com noite de S\u00e3o Jo\u00e3o, ceia de Natal e com ver o mar pela primeira vez.<\/p>\n<p>\u00c9 igual a bolas de gude contra o sol, uma coceira no ded\u00e3o, a saudade do caminh\u00e3o, um prato de feij\u00e3o, outro de pir\u00e3o, charque com ab\u00f3bora, a m\u00e3o da m\u00e3e ou o carinho do pai e um bom passo na dan\u00e7a.<\/p>\n<p>O nome disso \u00e9 esperan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>(Veja cr\u00f4nicas anteriores em leiamaisba.com.br)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto) O que \u00e9 a poesia? \u201c\u00c9 a descoberta das coisas que nunca vi\u201d. 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