{"id":11177,"date":"2025-10-24T23:37:16","date_gmt":"2025-10-25T02:37:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11177"},"modified":"2025-10-24T23:37:35","modified_gmt":"2025-10-25T02:37:35","slug":"fatos-curiosos-do-nordeste-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/10\/24\/fatos-curiosos-do-nordeste-ii\/","title":{"rendered":"FATOS CURIOSOS DO NORDESTE II"},"content":{"rendered":"<p>OS CANGACEIROS SE ENTREGARAM<\/p>\n<p>Depois do assassinato de Lampi\u00e3o, em 1938, um grande grupo de cangaceiros entregou as armas. Em 19 de setembro de 38, Pancada, sua mulher Maria Juvenina e outros cinco bandoleiros, Vila Nova, Santa Cruz, Cobra Verde, Vinte e Cinco e Peitica se entregaram \u00e0 policia de Alagoas e Sergipe. No come\u00e7o de 1939 foi a vez de Francelino Jos\u00e9 Nunes, o Portugu\u00eas, sua mulher Quit\u00e9ria, Velocidade, Pedra Roxa e Barra de A\u00e7o.<\/p>\n<p>ORA\u00c7\u00d5ES<\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores Ilda Ribeiro de Souza e Israel Ara\u00fajo Orrico, os sertanejos e cangaceiros faziam dezenas de ora\u00e7\u00f5es, como a ora\u00e7\u00e3o preciosa, ora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Jorge, ora\u00e7\u00e3o do Anjo Cust\u00f3dio, ora\u00e7\u00e3o das Doze Palavras Ditas e Retornadas, ora\u00e7\u00e3o Reservada, ora\u00e7\u00e3o de Santa Catarina, ora\u00e7\u00e3o Poderosa, o Creio em Cruz, a For\u00e7a do Credo, o Credo \u00e0s Avessas, a ora\u00e7\u00e3o do Sonho de Santa Helena, ora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Silvestre, de S\u00e3o Bento, ora\u00e7\u00e3o das 34 Almas, das Nove Almas, do Salvador do Mundo, de Santo Agostinho, a ora\u00e7\u00e3o de Nosso Senhor Jesus Cristo e tantas outras. Em sua algibeira, Lampi\u00e3o levava consigo ros\u00e1rios e ora\u00e7\u00f5es de S\u00e3o Gabriel, de S\u00e3o Jorge e de S\u00e3o Pedro. Tamb\u00e9m carregava o livro \u201cA Vida de Jesus\u201d.<\/p>\n<p>NO PIAU\u00cd<\/p>\n<p>Segundo historiadores, ainda que seja mais dif\u00edcil encontrar ind\u00edcios de cangaceirismo no Piau\u00ed, houve casos de banditismo rural naquele estado. O chefe de pol\u00edcia do Cear\u00e1 recebia ordens do presidente da prov\u00edncia para que suas tropas de Ipu e S\u00e3o Jo\u00e3o do Pr\u00edncipe mantivessem liga\u00e7\u00f5es constantes com autoridades policiais no Piau\u00ed, para saber a dire\u00e7\u00e3o tomada pelos bandidos que atravessavam a divisa.<\/p>\n<p>O SEBASTIANISMO<\/p>\n<p>O Rei de Portugal, D. Sebasti\u00e3o (s\u00e9culo XVI) estava convencido de que teria que intervir na sucess\u00e3o dos governantes da \u00c1frica. Sem apoio popular, resolveu invadir Marrocos. Ele desapareceu na batalha de Alc\u00e1cer-Quibir, em 1578. Desde, ent\u00e3o, criou-se uma lenda de que algum dia ele retornaria. Essa hist\u00f3ria atravessou o Atl\u00e2ntico e chegou at\u00e9 o sert\u00e3o nordestino, cujo povo via em D. Sebasti\u00e3o uma figura divina que voltaria para salvar a todos e trazer justi\u00e7a para os pobres.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p>Silvestre Jos\u00e9 dos Santos, chamado de Profeta, tornou-se um peregrino asceta, viajando por Alagoas e Pernambuco at\u00e9 se radicar, em 1817, na Serra do Rodeador. Ali criou o vilarejo denominado Para\u00edso Terrestre, com 400 moradores. Ele acreditava que havia uma cruz dentro de uma rocha e que de l\u00e1 sairia D. Sebasti\u00e3o e seus soldados. Se o povo da vila fosse atacado, o rei portugu\u00eas o tornaria invis\u00edvel. Mesmo assim, a comunidade andava armada. Em outubro de 1820 foram atacados e destru\u00eddos por ordens do presidente da prov\u00edncia de Pernambuco. O \u201cprofeta\u201d fugiu.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p>Sebastianista convicto, o beato Jo\u00e3o Ferreira, l\u00edder da comunidade de Pedra Bonita, Pernambuco, acreditava que D. Sebasti\u00e3o retornaria se fossem realizados sacrif\u00edcios humanos. O epis\u00f3dio do Reino Encantado de Vila Bela, em 1830, representou o sacrif\u00edcio de dezenas de pessoas, que foram decapitadas ou esmagadas contra as pedras. O povo acreditava que os mulatos e negros seriam transformados em brancos, e os pobres em ricos. Os fan\u00e1ticos cantavam hinos religiosos e conclamavam o retorno do seu rei.<\/p>\n<p>LUN\u00c1RIO PERP\u00c9TUO<\/p>\n<p>A primeira edi\u00e7\u00e3o do Lun\u00e1rio Perp\u00e9tuo, publicado em Portugal \u00e9 de 1703. Tinha como t\u00edtulo O non plus ultra do lun\u00e1rio e progn\u00f3stico perp\u00e9tuo geral e particular para todos os reinos e prov\u00edncias, composto por Jer\u00f4nimo Cortez. Valenciano fez emendas conforme o expurgat\u00f3rio da Santa Inquisi\u00e7\u00e3o, e traduziu em portugu\u00eas. A edi\u00e7\u00e3o de 1921, conforme C\u00e2mara Cascudo, tinha 350 p\u00e1ginas e inclu\u00eda astrologia, mitologia, horoscopo, receitas, calend\u00e1rios, biografias de santos e de papas, temas da agricultura, ensinamentos de como construir um rel\u00f3gio de sol, formas de aprender como ver as horas pelas estrelas, veterin\u00e1ria e outros temas. Era o livro mais popular do sert\u00e3o.<\/p>\n<p>V\u00cdTIMAS DAS SECAS<\/p>\n<p>Sem contar a terr\u00edvel seca de 1877\/78, a pior de todas, que levou levas de famintos para Fortaleza (Cear\u00e1), houve muitas outras que provocaram saques e viol\u00eancias. Ocorreu o epis\u00f3dio do ataque do cangaceiro rom\u00e2ntico Jesu\u00edno Brilhante contra o carregamento de alimentos do governo, para distribu\u00ed-los \u00e0s v\u00edtimas da seca de 1877, mas essa n\u00e3o era uma regra geral a partir do per\u00edodo lampi\u00f4nico. \u00a0Aconteceram v\u00e1rios casos de flagelados e saques no Nordeste entre 1979 e 1982. Em abril de 79, cinquenta mil flagelados no Cear\u00e1 fizeram o governo decretar emerg\u00eancia. Na ocasi\u00e3o, 300 flagelados invadiram a cidade de Momba\u00e7a, no Rio Grande do Norte, 100 invadiram S\u00e3o Jos\u00e9 da Penha, em abril de 1980. Ocorreram saques \u00e0s feiras e com\u00e9rcio de Garrotes, Itapuranga e Itapero\u00e1, na Para\u00edba, enquanto 1.600 flagelados\u00a0 se reuniram nas ruas de Irau\u00e7uba, Cear\u00e1, para pedir trabalho e comida.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 PENICO FLORAL DE LOU\u00c7A AZUL<\/p>\n<p>O historiador Jos\u00e9 Anderson Nascimento narra a entrada de Lampi\u00e3o em uma fazenda, em 1927, onde havia um penico de lou\u00e7a azul e branco, com decora\u00e7\u00e3o floral, em cujo fundo se lia Made in England. Na casa encontrou ainda an\u00e9is, brincos, pulseiras, escravas de ouro, gargantilhas, broche de platina e brilhantes, um barrete de diamantes, um rico colar de esmeraldas e outras joias caras, um len\u00e7o de seda chinesa, 15 libras esterlinas e dois rel\u00f3gios de bolso da marca Parek.<\/p>\n<p>Do livro \u201cOS CANGACEIROS\u201d, do historiador Luiz Bernardo Peric\u00e1s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OS CANGACEIROS SE ENTREGARAM Depois do assassinato de Lampi\u00e3o, em 1938, um grande grupo de cangaceiros entregou as armas. Em 19 de setembro de 38, Pancada, sua mulher Maria Juvenina e outros cinco bandoleiros, Vila Nova, Santa Cruz, Cobra Verde, Vinte e Cinco e Peitica se entregaram \u00e0 policia de Alagoas e Sergipe. 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