{"id":11173,"date":"2025-10-24T00:07:37","date_gmt":"2025-10-24T03:07:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11173"},"modified":"2025-10-24T00:07:52","modified_gmt":"2025-10-24T03:07:52","slug":"pacotes-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/10\/24\/pacotes-da-vida\/","title":{"rendered":"PACOTES DA VIDA"},"content":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto)<\/p>\n<p>Antes de nascer, a gente j\u00e1 \u00e9 empacotado na bolsa amni\u00f3tica e vai lidar com embalagens durante toda a vida.<\/p>\n<p>Acho que foi minha primeira ideia de infinito: no r\u00f3tulo da lata de aveia \u00a0havia uma mulher segurando uma lata daquela aveia, em cujo r\u00f3tulo tinha uma mulher segurando uma lata&#8230;e por a\u00ed ia minha imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quem compra um sandu\u00edche ganha uma coroa. A crian\u00e7a pega a coroa e larga o sandu\u00edche. Hoje o pessoal embala at\u00e9 carro zero, que vem coberto por um la\u00e7o vermelho.<\/p>\n<p>Muitas lojas hoje n\u00e3o embrulham pra presente. Algumas d\u00e3o o papel pra voc\u00ea embrulhar em casa. Outras, nem isso. Quem viveu nas d\u00e9cadas de 70\/80 lembra das lojas Mesbla e Sandiz. Tinham um balc\u00e3o especial de embaladores. As vitrines de Natal eram fant\u00e1sticas e a Prefeitura de Salvador promovia um Concurso de Vitrines.<\/p>\n<p>Uma vez, a Mesbla da Avenida Sete, em Salvador, colocou uma mulher de mai\u00f4 na vitrine. Era uma multid\u00e3o, a maioria homens, apinhada diante da vitrine. Uns dizendo leros e outros fazendo sinais com as m\u00e3os diante da acuada manequim viva.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria das embalagens revela que h\u00e1 10 mil anos se usava cascas de coco, conchas e folhas de \u00e1rvores para guardar e transportar alimentos. Muitos s\u00e9culos depois viriam os barris de madeira, os barros para potes e<\/p>\n<p>cestos de fibras vegetais. Com a revolu\u00e7\u00e3o industrial, vieram a folha de flandres (para latas) e o papel em escala industrial.<\/p>\n<p>Na feira de Ipia\u00fa cada um levava sua cesta ou ent\u00e3o pagava um carrinho guiado por meninos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas de 50\/60 a carne do a\u00e7ougue era embrulhada em jornal. As compras no armaz\u00e9m eram enroladas naquele papel grosso, cinza, e passavam o barbante. Meu pai Waldemar tinha a Padaria Minerva, em Ipia\u00fa, e convocava meu irm\u00e3o Luiz, toda sexta \u00e0 noite, para fazer os pacotes de 250 gramas de feij\u00e3o, arroz, caf\u00e9 e a\u00e7\u00facar, porque s\u00e1bado era dia de feira. Antigamente, se vendia meio quilo ou duzentos-e-cinquenta de v\u00e1rios produtos. Isso devia voltar. Quem mora sozinho n\u00e3o precisa comprar, por exemplo, um quilo de sal nem de a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>A embalagem com papel bolha \u00e9 boa pra pocar as bolhas, uma por uma. Ningu\u00e9m resiste. A caixa de sapatos era um trambolho, mas mam\u00e3e Cleonice usava pra guardar as bolas da \u00e1rvore de Natal.<\/p>\n<p>Depois que morre, a gente \u00e9 empacotado.<\/p>\n<p>(Veja cr\u00f4nicas anteriores em leiamaisba.com.br)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto) Antes de nascer, a gente j\u00e1 \u00e9 empacotado na bolsa amni\u00f3tica e vai lidar com embalagens durante toda a vida. Acho que foi minha primeira ideia de infinito: no r\u00f3tulo da lata de aveia \u00a0havia uma mulher segurando uma lata daquela aveia, em cujo r\u00f3tulo tinha uma mulher segurando uma lata&#8230;e por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11173"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11173"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11173\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11174,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11173\/revisions\/11174"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11173"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11173"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}