{"id":11148,"date":"2025-10-17T23:44:16","date_gmt":"2025-10-18T02:44:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11148"},"modified":"2025-10-17T23:44:28","modified_gmt":"2025-10-18T02:44:28","slug":"fatos-curiosos-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/10\/17\/fatos-curiosos-do-nordeste\/","title":{"rendered":"FATOS CURIOSOS DO NORDESTE"},"content":{"rendered":"<p>CANGA E CANGA\u00c7O<\/p>\n<p>Existem muitas controv\u00e9rsias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s origens do termo canga\u00e7o (cangalha). Para alguns estudiosos do assunto, sua origem vem de \u201ccanga\u201d e surgiu no s\u00e9culo XIV. Arruma\u00e7\u00e3o de madeira sobre telhados de palha, pe\u00e7a para prender junta de bois a carro ou arado. Pode ser instrumento de supl\u00edcio chin\u00eas, ganga, dom\u00ednio, opress\u00e3o. A origem poder ser ainda quicongo kanga de nhanga. Outros falam da origem tupi acanga. H\u00e1 quem diga que o termo canga\u00e7o \u00e9 de origem africana.<\/p>\n<p>GATO<\/p>\n<p>Quando j\u00e1 era membro do bando de Lampi\u00e3o, certa feita o cangaceiro Gato pediu permiss\u00e3o ao chefe para irt visitar seus parentes. Aproveitou a ocasi\u00e3o para massacrar toda fam\u00edlia. Como n\u00e3o tinha mais pais vivos, matou a av\u00f3, duas tias, quatro irm\u00e3s e dois primos. Adolfo Meia-Noite, de Afogados do Ingazeira, Pernambuco, foi espancado pelo tio para n\u00e3o cortejar sua filha. O cangaceiro se vingou e assassinou o agressor.<\/p>\n<p>CIVILIZA\u00c7\u00c3O DO COURO<\/p>\n<p>Para o pesquisador Jo\u00e3o Capistrano de Abreu, ao falar sobre a civiliza\u00e7\u00e3o do couro, dizia que essa pele era muito usado nas portas das cabanas, no rude leito aplicado ao ch\u00e3o duro, e mais tarde serviu de cama para partos; de couro todas as cordas, a borracha para carregar \u00e1gua, o moc\u00f3 ou alforge de levar comida, a maca para guardar roupa, a mochila para milhar cavalo, a peia para prend\u00ea-lo em viagem, ou para apurar sal; as broacas e surr\u00f5es, a roupa de entrar no mato; os bangu\u00eas para curtume.<\/p>\n<p>A CAATINGA E SUAS DIVIS\u00d5ES<\/p>\n<p>A caatinga \u00e9 o bioma predominantemente nordestino \u00fanico no mundo, mas tem suas subdivis\u00f5es. Dentro dela temos o Sert\u00e3o (sete milh\u00f5es de hectares), o Serid\u00f3, com 3,5 milh\u00f5es, o Agreste (seis milh\u00f5es de hectares, o Brejo e a Mata. Na caatinga, os solos podem ser rasos, de origem arqueana, como em Pernambuco. O Agreste do Piau\u00ed \u00e9 todo em forma\u00e7\u00e3o sedimentar, a topografia \u00e9 bem plana e o solo carece de corretivo. Entre a Mata, parte chuvosa e a Caatinga interior, est\u00e1 o Agreste.<\/p>\n<p>A ESTRADA DE FERRO<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador Robert Levine, a estrada de ferro n\u00e3o s\u00f3 possibilitou novas liga\u00e7\u00f5es com a costa, como implementou mudan\u00e7as no modo de vida do sertanejo. Numa regi\u00e3o onde os \u00fanicos eram padres mission\u00e1rios, chegavam agora imigrantes para trabalhar como engenheiros das ferrovias. Mil trabalhadores vieram da Sardenha e da It\u00e1lia, sendo a maioria de Turim, isto na segunda metade do s\u00e9culo XIX. Os mission\u00e1rios evang\u00e9licos n\u00e3o eram bem vistos pelos cat\u00f3licos. Conta que o escoc\u00eas David Law foi expulso de f\u00e1bricas de Recife por distribuir e divulgar livros religiosos para os oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>DE BEL\u00c9M PARA O NORDESTE<\/p>\n<p>Quando o imperador D. Pedro II visitou lugares sagrados no territ\u00f3rio da Palestina, em 1887, conversou com autoridades locais que conseguiram recursos na Fran\u00e7a e enviaram grupos de Bel\u00e9m para o Nordeste. Essas pessoas, em sua maioria, foram morar no Cear\u00e1 e no Piau\u00ed, mas n\u00e3o suportaram as duras condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e nem se adaptaram \u00e0 cultura local. No entanto, em 1930, os \u00e1rabes, sobretudo de origem palestina, controlavam o com\u00e9rcio atacadista de Recife.<\/p>\n<p>ESTRANGEIRAS<\/p>\n<p>As empresas estrangeiras, especialmente as ferrovi\u00e1rias, n\u00e3o eram bem vistas pelos cangaceiros porque serviam para transportar as for\u00e7as volantes e transmitir informa\u00e7\u00f5es. Lampi\u00e3o chegou a capturar representantes de vendas da Standart Oil e da Souza Cruz no sert\u00e3o. Servidores que atuavam em empresas nacionais e estrangeiras levavam muitas not\u00edcias para aquelas \u00e1reas. Em Mossor\u00f3, no Rio Grande do Norte, entre 1872 e 1874, pelo menos dezoito firmas estrangeiras se registraram na cidade.<\/p>\n<p>MINORIA DE ESCRAVOS<\/p>\n<p>Na segunda metade do s\u00e9culo XIX, os escravos existentes no sert\u00e3o nordestino eram minoria e de interesse econ\u00f4mico menor do que os trabalhadores livres. No casso espec\u00edfico do cangaceiro rom\u00e2ntico Jesu\u00edno Brilhante, podia-se dizer que ele n\u00e3o fazia parte dos mais pobres. Era origin\u00e1rio de uma fam\u00edlia de posses.<\/p>\n<p>RASO DA CATARINA<\/p>\n<p>Os historiadores, de uma forma em geral, descrevem o Raso da Catarina (seis mil quil\u00f4metros quadrados), entre Paulo Afonso Gl\u00f3ria) e Jeremoabo, na Bahia, como uma regi\u00e3o in\u00f3spita e muito seca, de dif\u00edcil acesso. Lampi\u00e3o e v\u00e1rios grupos de cangaceiros sempre utilizaram esse deserto dentro da caatinga como esconderijo, pois as volantes evitavam entrar ali, temerosas de enfrentarem as agressividades e a inclem\u00eancia do clima.<\/p>\n<p>SUBORNO DE POLICIAIS<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do canga\u00e7o, na segunda metade do s\u00e9culo XIX, a maioria dos policiais era subornada pelos cangaceiros que requisitava dinheiro dos vilarejos para pagar os chamados \u201cmacacos\u201d. Uma pequena parte dos roubos era distribu\u00edda entre os pobres, como fazia Ant\u00f4nio Silvino. Foi assim que ele chegou a conseguir apoio popular. As extors\u00f5es n\u00e3o tinham como principal objetivo redistribuir renda, mas assegurar quantias necess\u00e1rias para si e para seus homens. Uma pequena por\u00e7\u00e3o do coletado era para os pobres.<\/p>\n<p>GUERRA DO PARAGUAI<\/p>\n<p>O historiador Ulysses Lins de Albuquerque narra que o \u201ccoronel\u201d Tom\u00e1s de Aquino Cavalcante, em 1866, como diretor dos \u00edndios carnij\u00f3s, convocou todos eles para uma reuni\u00e3o em frente da Cadeia P\u00fablica de \u00c1guas Belas. Mandou a rapaziada entrar no sal\u00e3o e ent\u00e3o anunciou que o pessoal teria que ir lutar na Guerra do Paraguai. Os ind\u00edgenas foram algemados e enviados para Recife e, em seguida, para o combate.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CANGA E CANGA\u00c7O Existem muitas controv\u00e9rsias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s origens do termo canga\u00e7o (cangalha). Para alguns estudiosos do assunto, sua origem vem de \u201ccanga\u201d e surgiu no s\u00e9culo XIV. 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