{"id":11144,"date":"2025-10-16T23:42:44","date_gmt":"2025-10-17T02:42:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11144"},"modified":"2025-10-16T23:51:01","modified_gmt":"2025-10-17T02:51:01","slug":"um-brasil-falsificado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/10\/16\/um-brasil-falsificado\/","title":{"rendered":"UM BRASIL FALSIFICADO"},"content":{"rendered":"<p>Como se diz no jarg\u00e3o jornal\u00edstico, vou pegar aqui um \u201cgancho\u201d, ou no popular mesmo, uma \u201cponga\u201d do meu colega Chico Ribeiro Neto, com suas ex\u00edmias cr\u00f4nicas, com quem tive o privil\u00e9gio de trabalhar na reda\u00e7\u00e3o do jornal A Tarde, l\u00e1 em Salvador, por muitos anos, para falar um pouco desse nosso Brasil falsificado e misturado.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, a gente costumava tomar umas pingas nuns botecos cavernosos depois das mat\u00e9rias, mesmo sabendo que se tratava de cacha\u00e7a \u201cbatizada\u201d. Muita doideira depois de um dia de estresse correndo atr\u00e1s do fato! No outro dia era aquela ressaca danada e batia aquela enxaqueca.<\/p>\n<p>&#8211; Fala s\u00e9rio, meu caro e cara, d\u00e1 para confiar nos produtos brasileiros, no que voc\u00ea come e bebe, principalmente nos dias quadrilheiros de hoje? Poderia fazer aqui uma lista de itens falsificados que atravessaria o Oceano Atl\u00e2ntico at\u00e9 a Europa, inclusive rem\u00e9dios. Nem vamos falar da gasolina!<\/p>\n<p>Quando se adquire um objeto imprest\u00e1vel que dura poucos dias, sempre quem leva a fama \u00e9 o nosso pa\u00eds vizinho, aqui bem do nosso lado. \u201cIsso aqui \u00e9 paraguaio, meu irm\u00e3o\u201d! Quem mistura e falsifica mais? Pode dar empate &#8211; respondeu de l\u00e1, o meu camarada.<\/p>\n<p>Quando era rep\u00f3rter da Editoria de Economia, l\u00e1 pelos anos 70 e 80, uma vez dei um \u201cfuro\u201d de reportagem sobre exportadores baianos de sisal que colocavam baga\u00e7os e at\u00e9 pedras nos fardos para pesar mais. Isso causou um esc\u00e2ndalo no exterior e muitos pa\u00edses deixaram de importar o nosso sisal. O mesmo se fazia com o algod\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa coisa de falsifica\u00e7\u00e3o e misturada vem desde 1500 quando Cabral aqui chegou e trouxe de Portugal presentes falsificados, de quinta categoria, para conquistar a curiosidade e a \u201cconfian\u00e7a\u201d dos \u00edndios. Com a chegada da Fam\u00edlia Real, em 1808, a coisa piorou mais ainda.<\/p>\n<p>Com a abertura dos portos para os ingleses, boa parte das compras era feita em ouro que foi logo se desvalorizando. Depois veio a prata que tamb\u00e9m sofreu uma queda dr\u00e1stica. Partiram, ent\u00e3o, para as moedas de cobre. Com elas surgiu a macuta ou xenx\u00e9m, que era o cobre falsificado.<\/p>\n<p>Quando esse metal come\u00e7ou a faltar, a\u00ed entrou uma enxurrada de cobre falso no mercado interno. Em 1832, mais de 40% das moedas em circula\u00e7\u00e3o no pa\u00eds eram falsas. At\u00e9 os governos pagavam os sal\u00e1rios dos seus empregados com dinheiro falsificado e a coisa rolava de m\u00e3o em m\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos dias atuais estamos acompanhando a\u00ed os estragos do metanol nos destilados, com v\u00e1rias mortes e sequelas graves de cegueira. Nem o \u201csanto\u201d est\u00e1 querendo mais aquela \u201cpinguinha\u201d que o b\u00eabado joga ao lado do balc\u00e3o antes de dar aquela golada do copo.<\/p>\n<p>Dizem por a\u00ed a fora que at\u00e9 o \u201csuicida\u201d est\u00e1 hoje desconfiado do veneno para se matar. Pode ser uma subst\u00e2ncia qualquer sem o efeito desejado. Por um lado, isso \u00e9 at\u00e9 bom porque o indiv\u00edduo pode ter a chance de repensar sobre o lado prazeroso de se viver, mesmo diante de tantas falsifica\u00e7\u00f5es e golpes.<\/p>\n<p>Por falar em metanol, muita gente se esqueceu e tamb\u00e9m a pr\u00f3pria m\u00eddia, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mortes ocorridas em Igua\u00ed, ou Ibicu\u00ed, aqui na Bahia, se n\u00e3o me engano, no final dos anos 90 e in\u00edcio de 2000. Ainda atuava na Sucursal do A Tarde, em Vit\u00f3ria da Conquista.<\/p>\n<p>No in\u00edcio era um mist\u00e9rio, mas depois se descobriu que muita gente estava tomando cacha\u00e7a misturada com metanol vindo de tambores que foram utilizados no transporte do l\u00edquido perigoso. Ningu\u00e9m se atentou para este caso de repercuss\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>A humanidade se deteriorou ao ponto, em termos de maldade, tudo com a inten\u00e7\u00e3o de se obter lucros il\u00edcitos, que n\u00e3o d\u00e1 mais para se confiar em ningu\u00e9m. Qualquer \u201cbobeira\u201d e voc\u00ea leva aquele tombo! Eu mesmo fui v\u00edtima de um recentemente.<\/p>\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o sabe ao certo hoje se o amigo ao seu lado numa mesa de bar \u00e9 verdadeiro ou falsificado. Tem aquele olhar, aquele aperto de m\u00e3o e aquele abra\u00e7o falso com apar\u00eancia de ser leal. Imagina pol\u00edtico em \u00e9poca de elei\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p>A pessoa hoje tem que treinar e aprender a dormir com um olho fechado e o outro aberto, e n\u00e3o pode piscar. Algu\u00e9m por a\u00ed pode at\u00e9 achar isso um exagero, mas n\u00e3o \u00e9, meu amigo, confie desconfiando. \u201c\u00c9, mas temos que confiar nas pessoas\u201d \u2013 diz o positivista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como se diz no jarg\u00e3o jornal\u00edstico, vou pegar aqui um \u201cgancho\u201d, ou no popular mesmo, uma \u201cponga\u201d do meu colega Chico Ribeiro Neto, com suas ex\u00edmias cr\u00f4nicas, com quem tive o privil\u00e9gio de trabalhar na reda\u00e7\u00e3o do jornal A Tarde, l\u00e1 em Salvador, por muitos anos, para falar um pouco desse nosso Brasil falsificado e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11144"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11144"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11144\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11147,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11144\/revisions\/11147"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11144"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11144"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11144"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}