{"id":11127,"date":"2025-10-10T23:32:54","date_gmt":"2025-10-11T02:32:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11127"},"modified":"2025-10-10T23:34:55","modified_gmt":"2025-10-11T02:34:55","slug":"o-fim-do-cangaco-e-seus-motivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/10\/10\/o-fim-do-cangaco-e-seus-motivos\/","title":{"rendered":"O FIM DO CANGA\u00c7O E SEUS MOTIVOS"},"content":{"rendered":"<p>Desde Jesu\u00edno Brilhante, passando por Ant\u00f4nio Silvino a Lampi\u00e3o e Corisco, entre o final do s\u00e9culo XIX at\u00e9 as quatro primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, o canga\u00e7o durou mais de 50 anos e viveu seu auge a partir dos anos 1920. Alguns historiadores e pesquisadores falam do \u201carcaico\u201d ao moderno e outros que houve o pr\u00e9-canga\u00e7o e o canga\u00e7o, que vigorou at\u00e9 1940.<\/p>\n<p>Para entender melhor os motivos que levaram ao fim do canga\u00e7o no Nordeste temos que recuar um pouco no tempo quando nas primeiras d\u00e9cadas as for\u00e7as volantes eram deficientes, despreparadas, mais violentas com a popula\u00e7\u00e3o, corruptas e os chamados \u201cmacacos\u201d n\u00e3o podiam atravessar as fronteiras de outro estado em persegui\u00e7\u00e3o aos bandoleiros.<\/p>\n<p>At\u00e9 por volta de 1930, os v\u00ednculos dos cangaceiros com os coron\u00e9is, donos de engenhos, fazendeiros e os pr\u00f3prios pol\u00edticos eram mais fortes e muitos contavam com os servi\u00e7os deles para resolver encrencas com seus advers\u00e1rios. Isto tudo come\u00e7ou a ser desmantelado no Governo de Get\u00falio Vargas, com o fim dos \u201ccoron\u00e9is de patentes\u201d que representavam a Guarda Nacional criada a partir de 1831.<\/p>\n<p>Por outro lado, os estados nordestinos, em sua maioria, fizeram um pacto ou acordo de ajuntamento das for\u00e7as para combater o canga\u00e7o, abolindo a proibi\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a de uma prov\u00edncia entrar na outra para lutar contra o banditismo. Esta medida contribuiu em muito para enfraquecer o movimento.<\/p>\n<p>O autor da obra \u201cOs Cangaceiros\u201d, Luiz Bernardo Peric\u00e1s, destaca que a quantidade de foras da lei no Sert\u00e3o e Agreste nordestinos no final do s\u00e9culo XIX e nas quatro primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX causou grande impacto econ\u00f4mico e cultural na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O pesquisador cita que teriam lutado, somente ao lado de Lampi\u00e3o, durante os anos em que esteve em atividade, mais de quinhentos bandoleiros. H\u00e1 estimativas que tenha havido mais de mil baixas de ambos os lados, ou seja, pol\u00edcia e criminosos. Optato Gueiros chega a afirmar que s\u00f3 em Pernambuco, onde o canga\u00e7o foi mais atuante, foram presos ou assassinados mais de mil cangaceiros.<\/p>\n<p>Peric\u00e1s aponta que os aspectos tecnol\u00f3gicos, log\u00edsticos, humanos e pol\u00edticos tiveram grande contribui\u00e7\u00e3o para p\u00f4r fim ao canga\u00e7o. Ap\u00f3s o assassinato de Lampi\u00e3o, o \u00fanico \u201cgrande \u201c cangaceiro que restou foi Corisco, que n\u00e3o tinha as mesmas habilidades e qualidades do companheiro. Como a maioria se rendeu, o n\u00famero de asseclas que poderia segu\u00ed-lo se reduziu em muito.<\/p>\n<p>\u201cUma atua\u00e7\u00e3o maior da pol\u00edcia, ofertas e garantias de vida para os que se entregassem, aperto ao cerco contra os bandidos, utiliza\u00e7\u00e3o de armas pesadas e modernas por parte das tropas, aumento de verbas federais para o combate aos quadrilheiros, a vontade pol\u00edtica de Vargas para acabar com o banditismo que manchava a imagem do Brasil l\u00e1 fora, a perda da for\u00e7a dos \u201ccoron\u00e9is\u201d, a persegui\u00e7\u00e3o aos coiteiros, a presen\u00e7a da Uni\u00e3o nos assuntos do Sert\u00e3o, foram alguns dos motivos para o t\u00e9rmino do cangaceirismo\u201d.<\/p>\n<p>A filmagem de Virgulino por Benjamim Abrah\u00e3o Botto, mostrando ao mundo a exist\u00eancia de uma pa\u00eds supostamente \u201carcaico\u201d e atrasado, fora da lei, que afrontava e desrespeitava a ordem jur\u00eddica vigente no novo regime, foi a gota d\u00b4\u00e1gua para eliminar os cangaceiros.<\/p>\n<p>Luiz Peric\u00e1s assinala ainda ser importante lembrar que muitos \u201ccoron\u00e9is\u201d perderam seu prest\u00edgio e deixaram de apoiar os bandos. Muitos oficiais da pol\u00edcia corruptos, que forneciam armas para os grupos, resolveram parar de negociar e seguir as ordens das autoridades estaduais.<\/p>\n<p>A quantidade maior de soldados, todos dispostos e bem armados, dificultou a a\u00e7\u00e3o dos bandoleiros e fez com que muitos abandonassem o crime. Nos tempos passados, os \u201cmacacos\u201d e sertanejos contratados para o combate recebiam pequenos soldos atrasados e, \u00e0s vezes, at\u00e9 com dinheiro falso dos pr\u00f3prios governantes. N\u00e3o existiam motiva\u00e7\u00f5es por parte das volantes que eram mais violentas com o povo do que os pr\u00f3prios cangaceiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde Jesu\u00edno Brilhante, passando por Ant\u00f4nio Silvino a Lampi\u00e3o e Corisco, entre o final do s\u00e9culo XIX at\u00e9 as quatro primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, o canga\u00e7o durou mais de 50 anos e viveu seu auge a partir dos anos 1920. 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