{"id":11077,"date":"2025-09-29T22:04:57","date_gmt":"2025-09-30T01:04:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11077"},"modified":"2025-09-29T22:05:04","modified_gmt":"2025-09-30T01:05:04","slug":"pouco-se-fala-da-discriminacao-social-violenta-contra-o-pobre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/09\/29\/pouco-se-fala-da-discriminacao-social-violenta-contra-o-pobre\/","title":{"rendered":"POUCO SE FALA DA DISCRIMINA\u00c7\u00c3O SOCIAL VIOLENTA CONTRA O POBRE"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 fato que o negro brasileiro ainda sofre na pele o preconceito racial abomin\u00e1vel de cor e exclus\u00e3o social. Ele \u00e9 visto pelo sistema de seguran\u00e7a policial como um todo, em qualquer lugar, como um potencial criminoso e assim \u00e9 tratado como tal, mas pouco se tem falado da discrimina\u00e7\u00e3o social tamb\u00e9m violenta contra o pobre, n\u00e3o importando a sua etnia, se branca, parda, mameluca ou cabocla.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o todos, mas tenho ouvido muitos discursos de raiva e rancor de alguns movimentos negros e de pessoas isoladas, sempre citando a vergonhosa escravid\u00e3o cruel e brutal de 350 anos, mas se esquece da discrimina\u00e7\u00e3o e das injusti\u00e7as sociais de 525 contra os pobres em geral.<\/p>\n<p>Temos no Brasil o negro pobre e o negro rico, que \u00e9 mais aceito e visto de outra maneira por essa nossa sociedade hip\u00f3crita e falsa. No entanto, o pobre, seja qual for sua ra\u00e7a, \u00e9 sempre pobre e exclu\u00eddo por causa da sua posi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica debilitada. Em nosso pa\u00eds, o pardo, o chamado \u201cmoreno\u201d, ou o mameluco \u00edndio \u00e9 considerado como classe branca no conceito popular.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente neste aspecto que as estat\u00edsticas pecam quando incluem todos no mesmo rol e n\u00e3o levam em conta a forte mesti\u00e7agem do povo brasileiro. Em Salvador, por exemplo, mais de 90% s\u00e3o negros ou pardos e estes apareceram nos dados nos \u00faltimos anos. A etnia branca \u00e9 composta de uma minoria.<\/p>\n<p>A na\u00e7\u00e3o nordestina, e aqui falo do interior e n\u00e3o do litoral, a grande maioria \u00e9 formada de mesti\u00e7os pobres explorados e at\u00e9 escravizados, ao lado dos negros por s\u00e9culos pelos senhores de engenhos, fazendeiros latifundi\u00e1rios, poderosos pol\u00edticos, caudilhos e os \u201ccoron\u00e9is\u201d.\u00a0 No entanto, os discursos de repara\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o se referem apenas aos negros.<\/p>\n<p>Em meu entendimento, \u00e9 preciso que as falas sejam unificadas e n\u00e3o separadas, de que somente os negros s\u00e3o injusti\u00e7ados. Entre os pr\u00f3prios brancos, a maioria vive em estado de pobreza. Os pobres de um modo geral foram e ainda s\u00e3o violentados em seus direitos constitucionais durante esses 525 anos de profunda desigualdade social e econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Tanto os crimes de racismo pela cor da pele quanto os crimes de discrimina\u00e7\u00e3o do pobre branco mesti\u00e7o s\u00e3o repugnantes e ferem as almas humanas. O racismo contra o negro traumatiza e \u00e9 revoltante. A pobreza em geral aniquila lentamente o indiv\u00edduo. Ser\u00e1 que n\u00e3o existe \u201cbranco\u201d pobre?<\/p>\n<p>No IBGE me declarei como pardo porque \u00e9 assim que me vejo, nem branco e nem negro. Sou um mesti\u00e7o. Por ter nascido pobre na ro\u00e7a, filho de lavradores, sei muito bem o quanto sofri de discrimina\u00e7\u00e3o social e na forma de bullying, considerado matuto lenhado.<\/p>\n<p>Quando conclui meu prim\u00e1rio em Piritiba durante final dos anos 50, constru\u00edram o primeiro gin\u00e1sio na pequena cidade, com vagas limitadas. Me atrevi a fazer a admiss\u00e3o, mesmo sendo avisado de que eu n\u00e3o passaria nos testes porque as cadeiras j\u00e1 estavam reservadas para os filhos dos ricos e dos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Nem \u00e9 preciso responder que fui sumariamente \u201celiminado\u201d e ainda fui achincalhado. Meu pai, que n\u00e3o tinha a no\u00e7\u00e3o dessa brutal discrimina\u00e7\u00e3o social, esbravejou duramente comigo. Um ano ou dois depois fui para o Semin\u00e1rio Nossa Senhora do Bom Conselho, em Amargosa, um ensino bem mais puxado, fiz a admiss\u00e3o e passei.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 t\u00e3o somente um exemplo da minha pessoa h\u00e1 quase 70 anos, mas epis\u00f3dios dessa natureza continuam a existir pelo Brasil aos montes e n\u00e3o \u00e9 somente contra os negros. Claro que eles s\u00e3o mais atingidos. A pior viola\u00e7\u00e3o, a mais criminosa e assassina, \u00e9 a discrimina\u00e7\u00e3o no campo social e essa nem \u00e9 punida com multa, indeniza\u00e7\u00e3o e cadeia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 fato que o negro brasileiro ainda sofre na pele o preconceito racial abomin\u00e1vel de cor e exclus\u00e3o social. 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