{"id":11040,"date":"2025-09-19T00:16:55","date_gmt":"2025-09-19T03:16:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11040"},"modified":"2025-09-19T00:17:05","modified_gmt":"2025-09-19T03:17:05","slug":"cara-toda-melada-de-manga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/09\/19\/cara-toda-melada-de-manga\/","title":{"rendered":"CARA TODA MELADA DE MANGA"},"content":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto)<\/p>\n<p>Tenho saudade do ing\u00e1, comprado na feira de Ipia\u00fa, Bahia. Era barato, aquela vagem onde a gente tirava a polpa branca do caro\u00e7o. Pouca coisa, mas dava sabor e alegria.<\/p>\n<p>Ma\u00e7\u00e3, uva e pera s\u00f3 quando ficava doente.<\/p>\n<p>Melancia. Minha primeira bab\u00e1, Agostinha, fazia bonecos com a casca da melancia utilizando apenas uma faquinha. Em segundos fazia logo a cabe\u00e7a, os bra\u00e7os e as pernas e depois vinham os detalhes.<\/p>\n<p>Ainda no interior, chupar cana no quintal, no fim da tarde, e jogar conversa fora.<\/p>\n<p>Quando chegou o liquidificador, a novidade era vitamina de banana com Nescau. Hoje n\u00e3o aguento nem ver.<\/p>\n<p>Chupar umbu at\u00e9 os dentes ficarem trincando. E o delicioso caju? \u201cCuidado, menino, pra n\u00e3o pingar na camisa. Isso deixa uma n\u00f3doa que ningu\u00e9m tira\u201d. Alceu Valen\u00e7a foi perfeito ao dizer que a \u201cpele macia\u201d da Morena Tropicana \u201c\u00e9 carne de caju\u201d. Alguns meninos faziam tatuagem com o leite da castanha do caju.<\/p>\n<p>J\u00e1 em Salvador, os mam\u00f5es, jacas e mangas roubados nos quintais das mans\u00f5es da Vit\u00f3ria, onde a gente entrava pela praia. A mordida na manga rosa ou espada. O sumo escorrendo pelo queixo e molhando a camisa.<\/p>\n<p>Comendo com casca e tudo. Com a cara amarela de tanta manga (a gente chupava duas ou tr\u00eas facinho, facinho) e o caro\u00e7o seco na m\u00e3o, mergulhava no mar do Unh\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao voltar da praia do Unh\u00e3o a gente arrancava do meio do mato, nas encostas que hoje sustentam a Avenida Contorno, os cachos de mel\u00e3o de S\u00e3o Caetano. Chupava aquela pelezinha vermelha que cobre as sementes. Quase n\u00e3o tinha o que comer, era aquela l\u00e3zinha.<\/p>\n<p>Hoje vejo na Internet: \u201cO mel\u00e3o de S\u00e3o Caetano serve \u00a0como um rem\u00e9dio popular para v\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es, incluindo o aux\u00edlio no controle da glicemia e no tratamento da diabetes, al\u00e9m de possuir propriedades anti-inflamat\u00f3rias,\u00a0 antioxidantes e laxativas\u201d. \u00c9 consumido principalmente na forma de ch\u00e1, suco ou em c\u00e1psulas.<\/p>\n<p>A goiaba a gente comia com bichinho e tudo. Madurinha e cheirosa. Vai deixar, \u00e9?<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 70, na Pra\u00e7a da S\u00e9, havia vendedores que usavam uma maquininha pra descascar a laranja. Era um neg\u00f3cio parecido com um espremedor de batata. Ele colocava a laranja ali, ia girando uma manivela e num instante a laranja estava descascada e perfeita, sem ferimento, como se diz.<\/p>\n<p>Mam\u00e3e Cleonice adorava sapoti. Sempre foi dif\u00edcil de achar e, quando encontrava um vendedor na Avenida Sete, comprava logo uns seis pra ela.<\/p>\n<p>As enormes pilhas de abacaxi e melancia na Rampa do Mercado, durante a festa da Concei\u00e7\u00e3o da Praia em 8 de dezembro, em Salvador. Nunca vi abacaxi combinar t\u00e3o bem com cerveja!<\/p>\n<p>Na minha cabe\u00e7a pulam cores, cheiros e sabores. Ah, que vontade de chupar aquela manga rosa, abrir um mam\u00e3o com a m\u00e3o e dar um mergulho no Unh\u00e3o.<\/p>\n<p>(Veja cr\u00f4nicas anteriores em leiamaisba.com)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Chico Ribeiro Neto) Tenho saudade do ing\u00e1, comprado na feira de Ipia\u00fa, Bahia. Era barato, aquela vagem onde a gente tirava a polpa branca do caro\u00e7o. Pouca coisa, mas dava sabor e alegria. Ma\u00e7\u00e3, uva e pera s\u00f3 quando ficava doente. Melancia. 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