{"id":11010,"date":"2025-09-12T23:22:39","date_gmt":"2025-09-13T02:22:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=11010"},"modified":"2025-09-12T23:23:25","modified_gmt":"2025-09-13T02:23:25","slug":"a-influencia-indigena-no-nordeste-foi-mais-marcante-que-a-africana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/09\/12\/a-influencia-indigena-no-nordeste-foi-mais-marcante-que-a-africana\/","title":{"rendered":"A INFLU\u00caNCIA IND\u00cdGENA NO NORDESTE FOI MAIS MARCANTE QUE A AFRICANA"},"content":{"rendered":"<p>Quando falamos de mesti\u00e7agem sempre damos destaque para o negro, s\u00f3 que no interior do Nordeste, a influ\u00eancia ind\u00edgena, desde os tempos coloniais, foi mais presente e marcante, com a mistura de v\u00e1rias tribos que conviviam com os sertanejos nos aldeamentos.<\/p>\n<p>De acordo com antrop\u00f3logos, folcloristas e soci\u00f3logos, a mesti\u00e7agem do branco com o negro aconteceu em maior propor\u00e7\u00e3o no litoral. Ao longo da hist\u00f3ria, a impress\u00e3o que temos \u00e9 que os \u00edndios foram riscados do mapa, talvez porque foram praticamente extintos e exterminados.<\/p>\n<p>Em sua obra \u201cOs Cangaceiros\u201d, Luiz Bernardo Peric\u00e1s assinala que o termo \u201ccaboclo\u201d muitas vezes era popularmente usado como sin\u00f4nimo de \u00edndio ou de forma pejorativa. Muitos ind\u00edgenas eram tratados como negros. Numa carta do Padre N\u00f3brega, de 1551, o cl\u00e9rigo se referia \u00e0s mulheres ind\u00edgenas como negras.<\/p>\n<p>Descreve que em 1607, o Padre Luis Figueira designava na \u201cRela\u00e7\u00e3o do Maranh\u00e3o\u201d, de \u201cnegro\u201d Cobra Azul a B\u00f3ia obi, o morubixaba potiguara. \u201cA quantidade de escravos \u00edncolas no Nordeste, nos dois primeiros s\u00e9culos do per\u00edodo colonial, era volumosa, explicando por si s\u00f3 tanto o uso dessa terminologia como a forma\u00e7\u00e3o \u00e9tnica da regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Houve um grande n\u00famero de nativos escravizados no Nordeste porque o n\u00famero de silv\u00edcolas era bem maior, bem como o pre\u00e7o do cativo negro. Existem relatos de que bandeirante Sebasti\u00e3o Raposo levou consigo para o Piau\u00ed 250 escravos ind\u00edgenas carij\u00f3s onde construiria uma fazenda de gado.<\/p>\n<p>Foram levados para o Nordeste, pelos paulistas (mesti\u00e7os mamelucos que se consideram brancos), 170 mil ind\u00edgenas, s\u00f3 para trabalhar na produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar. Entre final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do XX, os ind\u00edgenas viviam num acelerado processo de acultura\u00e7\u00e3o e dissolu\u00e7\u00e3o tribal. No come\u00e7o do s\u00e9culo XX, os ind\u00edgenas nordestinos viviam em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, em fase de assimila\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os membros de algumas aldeias ainda existentes apresentavam tra\u00e7os fenot\u00edpicos negroides ou caucasoides. Eles conviviam com os sertanejos de povoados vizinhos e recebiam em seus territ\u00f3rios mascates, tropeiros, padres e todos que quisessem com eles se relacionar. Muitos esqueceram at\u00e9 seus idiomas. Seus vestu\u00e1rios e constru\u00e7\u00f5es eram similares aos dos sertanejos.<\/p>\n<p>Cita Luiz Peric\u00e1s, que a aldeia Cimbres, antes chamada de Ororub\u00e1, onde viviam \u00edndios xucurus, \u201cbrancos\u201d e mesti\u00e7os, que em 1855, possu\u00eda 861 habitantes, em 1861, tinha em torno de 789 moradores. Em 1897, o governo decidiu extinguir a aldeia. Os nativos ficaram sem seu territ\u00f3rio. Um s\u00e9culo mais tarde, viviam aldeados na serra do Orurub\u00e1.<\/p>\n<p>Os Pankararus, no sert\u00e3o pernambucano, tamb\u00e9m s\u00e3o um caso sintom\u00e1tico. Eles remontam do s\u00e9culo XVII, quando foi criada a vila Tacaratu. Em meados do s\u00e9culo XIX havia apenas 580 ind\u00edgenas. Em 1861, esse n\u00famero diminuiu para 270 habitantes. Havia grande quantidade de posseiros \u201cbrancos\u201d na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX ocorreu uma grande dispers\u00e3o de uma diversidade de tribos ind\u00edgenas no sert\u00e3o de Pernambuco. Ao longo do tempo, as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas foram desaparecendo e tratadas como caboclos sertanejos.<\/p>\n<p>Algumas tribos procuraram manter suas culturas, como os fulni\u00f4s (carij\u00f3s) pernambucanos que preservaram sua l\u00edngua iat\u00ea e continuaram realizando suas cerim\u00f4nias de culto ao Juazeiro Sagrado na caatinga. Mesmo assim, foram sendo tragados pelos sertanejos que compravam seus lotes de terras.<\/p>\n<p>Em 1861 o governo imperial extinguiu a aldeia devido aos conflitos entre \u00edndios e \u201cbrancos\u201d locais. Somente em 1877 as terras nativas foram demarcadas.\u00a0 No entanto, a partir de 1916 a rela\u00e7\u00e3o entre eles se tornou insustent\u00e1vel. Muitos dos habitantes origin\u00e1rios foram expulsos.<\/p>\n<p>Outros \u00edndios que tiveram destaque na forma\u00e7\u00e3o da mesti\u00e7agem nordestina foram os cariris, tapuaias (Cear\u00e1, Para\u00edba), os tupinamb\u00e1s, Patax\u00f3s, aymor\u00e9s e outros, na Bahia. Segundo Peric\u00e1s, \u00e9 compreens\u00edvel que os cangaceiros, portanto, fossem produto de seu meio e tivessem em suas fileiras a mesma forma\u00e7\u00e3o \u00e9tica da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O Cabeleira, o bandido pernambucano do s\u00e9culo XVIII era apresentado por alguns escritores como \u201cbrancoso\u201d, de cabelos longos encaracolados. Outros o descreviam como mameluco e mesti\u00e7o. Nesse ambiente de intensa mesti\u00e7agem, onde muitos bandoleiros eram caboclos ou cafuzos, existia l\u00e1 dentro o preconceito contra o homem de cor.<\/p>\n<p>Os Calangros, chamados de cabras, famosos bandidos potiguares, formavam uma grande fam\u00edlia de mesti\u00e7os, produtos do cruzamento do \u00edndio e do africano. O cabra era pior do que o caboclo e o negro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando falamos de mesti\u00e7agem sempre damos destaque para o negro, s\u00f3 que no interior do Nordeste, a influ\u00eancia ind\u00edgena, desde os tempos coloniais, foi mais presente e marcante, com a mistura de v\u00e1rias tribos que conviviam com os sertanejos nos aldeamentos. 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