{"id":10919,"date":"2025-08-26T00:25:25","date_gmt":"2025-08-26T03:25:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=10919"},"modified":"2025-08-26T00:25:36","modified_gmt":"2025-08-26T03:25:36","slug":"o-cangaco-e-suas-origens-abriu-os-trabalhos-do-sarau-a-estrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2025\/08\/26\/o-cangaco-e-suas-origens-abriu-os-trabalhos-do-sarau-a-estrada\/","title":{"rendered":"O &#8220;CANGA\u00c7O E SUAS ORIGENS&#8221; ABRIU OS TRABALHOS DO SARAU A ESTRADA"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0003.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10920\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0003.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0003.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0003-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em nova casa e com a participa\u00e7\u00e3o de cerca de 40 pessoas entre artistas, professores, jovens estudantes, novos convidados e interessados pela cultura, o tema \u201cCanga\u00e7o e suas Origens\u201d abriu os trabalhos do Sarau A Estrada. Foi mais uma noite memor\u00e1vel onde todos se sentiram \u00e0 vontade para expressar seus pensamentos e ideias.<\/p>\n<p>O evento foi realizado no Espa\u00e7o Cultural do mesmo nome, na Avenida S\u00e9rgio Vieira de Melo, no \u00faltimo s\u00e1bado (dia 23\/08\/2025), num clima de muita confraterniza\u00e7\u00e3o e troca de conhecimento que sempre norteou o sarau nesses 15 anos de exist\u00eancia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0004.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-10921\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0004-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0004-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0004.jpg 550w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Sob a organiza\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o formada por Cleu Flor, Alex Baducha, Dal Farias e Eduardo Moraes, o cantor, compositor, m\u00fasico e poeta Dorinho Chaves abriu as cantorias com melodias relacionadas ao assunto, intercaladas com a declama\u00e7\u00e3o de poemas, em sua grande maioria autorais, e conta\u00e7\u00e3o de causos.<\/p>\n<p>Foi uma noite de violada tamb\u00e9m com Manno Di Souza, Baducha, Vamberto e outros artistas que soltaram suas vozes no ritmo da m\u00fasica popular brasileira, sobretudo nordestinas. Foi uma noite reservada para o nosso Nordeste, rico em tradi\u00e7\u00f5es e mist\u00e9rios.<\/p>\n<p>Num ambiente de descontra\u00e7\u00e3o e amizade, a cultura foi o ponto central das discuss\u00f5es na troca de ideias durante o sarau que varou madrugada a dentro, depois de um certo tempo parado devido a mudan\u00e7a do seu espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Apesar de ainda adolescente, o sarau colaborativo, onde os participantes contribuem com petiscos e bebidas, sem contar com um fundo criado para sua manuten\u00e7\u00e3o, tem vida longa e percorreu obst\u00e1culos para sobreviver.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0005.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-10922\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0005-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0005-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0005.jpg 550w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Durante esse per\u00edodo (come\u00e7ou como Vinho Vinil), o sarau j\u00e1 produziu uma s\u00e9rie de trabalhos, como CDs, DVDs, v\u00eddeos de textos po\u00e9ticos, apresenta\u00e7\u00e3o em p\u00fablico no Teatro Carlos Jheovah e foi homenageado com o trof\u00e9u Glauber Rocha, indica\u00e7\u00e3o do Conselho Municipal de Cultura, com entrega solene pela C\u00e2mara de Vereadores.<\/p>\n<p>Em sua nova etapa, agora est\u00e1 sendo registrado oficialmente em cart\u00f3rio como entidade de direito, com condi\u00e7\u00f5es de criar parcerias com outros \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e privados visando ampliar seus horizontes.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de uma festa cultural fechada, tanto que o sarau est\u00e1 com o prop\u00f3sito de abrir suas portas para estudantes de escolas para engaj\u00e1-los no universo da cultura como atores de debates diversos. O mais longevo de Vit\u00f3ria da Conquista, ao longo desses anos, o Sarau a Estrada vem fazendo cultura e marcando sua presen\u00e7a na sociedade.<\/p>\n<p>Como carro-chefe, sempre abrimos os trabalhos com o tema nas \u00e1reas da cultura, da educa\u00e7\u00e3o, social e tamb\u00e9m da pol\u00edtica, tanto que n\u00e3o seja de cunho partid\u00e1rio. J\u00e1 discutimos sobre literatura, hist\u00f3ria da m\u00fasica brasileira, os movimentos de 1968, Graciliano Ramos, Castro Alves, Escravid\u00e3o, cinema, imp\u00e9rio romano, a civiliza\u00e7\u00e3o dos sum\u00e9rios, a pen\u00ednsula ib\u00e9rica, forr\u00f3, escritores nordestinos e tantos outros.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0002.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10923\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0002.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0002.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0002-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cO CANGA\u00c7O E SUAS ORIGENS\u201d<\/p>\n<p>Dessa vez, colocamos na mesa a discuss\u00e3o sobre \u201cO Canga\u00e7o e suas Origens\u201d, assunto este desenvolvido pelo jornalista e escritor Jeremias Mac\u00e1rio. Existe uma vasta literatura sobre esse fen\u00f4meno que nasceu no Nordeste miser\u00e1vel a partir de meados do s\u00e9culo XIX, como \u201cOs Cangaceiros\u201d, do acad\u00eamico Luiz Bernardo Peric\u00e1s, \u201cO Cangaceiro, o Homem, o Mito\u201d, de S\u00e9rgio Augusto de Souza Dantas, \u201cGuerreiros do Sol\u201d, de Frederico Pernambucano de Mello, \u201cLampi\u00e3o, Senhor do Sert\u00e3o\u201d, de \u00c9lise Grunspan-Jasmin, \u201cO Mundo Estranho dos Cangaceiros\u201d, de Est\u00e1cio de Lima, dentre tantos outros.<\/p>\n<p>Na introdu\u00e7\u00e3o, Mac\u00e1rio deu uma vis\u00e3o geral sobre o Nordeste do meado do s\u00e9culo XIX, quando nasceu o movimento do canga\u00e7o, e primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, destacando os aspectos sociais, econ\u00f4micos e pol\u00edtico da \u00e9poca.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0017.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10924\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0017.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0017.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0017-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Era uma regi\u00e3o pobre e bem mais miser\u00e1vel onde era dominada pelos coron\u00e9is, senhores de engenhos, fazendeiros e pol\u00edticos poderosos. Era uma terra de ningu\u00e9m onde a justi\u00e7a e a lei eram as armas. Quem tinha mais posses e dinheiro mandava.<\/p>\n<p>Em resumo, o canga\u00e7o nasceu daquele sistema cruel onde o homem pobre era escravo do seu patr\u00e3o, espoliado como se fosse uma mercadoria qualquer. Por vingan\u00e7a de assassinato de um familiar, revolta das condi\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria, falta de justi\u00e7a aos menos favorecidos, brigas por terras, a op\u00e7\u00e3o era o canga\u00e7o, que vem de canga de carros-de- bois, utens\u00edlios velhos e apetrechos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0022.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10925\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0022.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0022.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0022-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Com o tempo, o canga\u00e7o tornou-se uma esp\u00e9cie de empreendimento para seus l\u00edderes, como Ant\u00f4nio Silvino (1897-1914), Sinh\u00f4 Pereira, Ant\u00f4nio Brilhante, Lampi\u00e3o, Corisco, Jos\u00e9 Bahiano e tantos outros, que se aliavam aos coron\u00e9is amigos, pol\u00edticos, comerciantes ricos e poderosos para praticar a vindita contra opositores e realizar seus saques em povoados e cidades do Nordeste.<\/p>\n<p>Her\u00f3is, bandidos ou justiceiros? Estavam mais para bandidos marginais, mas n\u00e3o gostavam de assim serem chamados. Na falta da justi\u00e7a, faziam justi\u00e7a ao seu modo, protegendo uns e matando outros. No entanto, mesmo diante de tantas perversidades, o povo miser\u00e1vel e ignorante tinha fasc\u00ednio pelos cangaceiros que percorriam v\u00e1rios estados nordestinos e eram perseguidos pelas mil\u00edcias ou volantes, ainda mais violentos com a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0006.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10926\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0006.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0006.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0006-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Quando se fala em canga\u00e7o, as pessoas logo lembram de Lampi\u00e3o, o mais estudado e pesquisado pelos escritores &#8211; disse Jeremias, ao acrescentar que ele foi muito mistificado e divulgado pela imprensa, como se tivesse sido o \u00fanico governador do sert\u00e3o.<\/p>\n<p>Existiram outros que marcaram \u00e9poca, como o pr\u00f3prio Ant\u00f4nio Silvino, antecessor de Lampi\u00e3o, talvez mais cruel que, ferido de morte pelas volantes, se entregou em 1914 e ficou preso por mais de 20 anos na Casa de Deten\u00e7\u00e3o de Recife. Morreu num casebre de Campina Grande em desgra\u00e7a.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio Silvino serviu de inspira\u00e7\u00e3o a Lampi\u00e3o que brincava de cangaceiro quando ainda era menino e se tornou o s\u00edmbolo maior do canga\u00e7o, que teve seu auge na primeira d\u00e9cada dos anos 1900 e terminou em 1940, ap\u00f3s a morte de Virgulino Ferreira da Silva, em 1938, na Gruta do Angico, em Sergipe.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0015.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10927\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0015.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0015.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0015-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os cangaceiros detestavam os soldados, chamados por eles de \u201cmacacos\u201d, mas em seus grupos mantinham regimes parecidos. Descreve o estudioso Luiz Bernardo Peric\u00e1s, em sua obra \u201cOs Cangaceiros\u201d, que o \u201chomem\u201d constituiu v\u00e1rios locais de \u201crecrutamento\u201d, entre os quais a fazenda Paus Pretos, do \u201ccoronel\u201d Petrolino, para receber com seguran\u00e7a os foragidos e perseguidos da pol\u00edcia. A fazenda Tr\u00eas Barras foi transformada em \u201cescola de guerra\u201d e campo de treinamento militar.<\/p>\n<p>Era comum, segundo Peric\u00e1s, o uso dos nomes de guerra por diferentes cangaceiros. Para confundir a pol\u00edcia e homenagear os marginais tombados em combate havia dois cangaceiros com o nome Esperan\u00e7a; tr\u00eas Sabi\u00e1s; quatro Beija-Flor; dois Pitombeiras; tr\u00eas Asa Branca; dois Cocadas; Tr\u00eas Pai Velho; dois Moita Braba; tr\u00eas Marceca; quatro Ponto Fino, e assim por diante.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0023.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10928\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0023.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0023.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0023-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No per\u00edodo lampi\u00f4nico, os cangaceiros desenvolveram um sistema de alarme parecido com o utilizado por Lucas de Feira, o \u201cdem\u00f4nio negro\u201d, na primeira metade do s\u00e9culo XIX, na Bahia. Na \u00e9poca, Lucas montava uma rede feita de cip\u00f3 com um chocalho na ponta, pr\u00f3xima do seu esconderijo. Servia como aviso de aproxima\u00e7\u00e3o de inimigos.<\/p>\n<p>Lampi\u00e3o, que aperfei\u00e7oou o canga\u00e7o, come\u00e7ou a dividir seu bando em \u201csubgrupos\u201d, em \u201cpelot\u00f5es\u201d semiindependentes, que agiam por conta pr\u00f3pria, mas que se uniam ao n\u00facleo principal quando eram requisitados. Chegou a possuir de seis a dez falanges de criminosos.<\/p>\n<p>Para esconder as marcas de pegadas, os cangaceiros sempre andavam em filas indianas, com Lampi\u00e3o sempre \u00e0 frente. Em per\u00edodos de chuva, andavam sobre pedras, dentro de riachos ou pulavam de um lado para o outro nos caminhos de terra seca. Em alguns momentos, eles usavam alpercatas \u201creviradas\u201d, com o calcanhar em posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria. Eram verdadeiros curupiras. Essa t\u00e1tica havia sido utilizada por Jo\u00e3o de Souza Calango, no final do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0007.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10929\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0007.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0007.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0007-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Suas indument\u00e1rias se assemelhavam aos dos vaqueiros, com trajes mais elaborados, que mantinham sua funcionalidade militar, mas se destacavam pela quantidade de ornamentos, como medalhas e moedas. O chap\u00e9u de couro j\u00e1 era usado em \u00e9pocas anteriores. Duas cartucheiras se cruzavam no peito dos salteadores, levando cerca de 129 balas de fuzil. Carregavam um rev\u00f3lver ou pistola, punhais e dois a quatro bornais. O peso completo das roupas, do dinheiro roubado e dos equipamentos em geral chegavam a cerca de 30 quilos. As armas eram modernas, fabricadas nos Estados Unidos, na Alemanha e na B\u00e9lgica.<\/p>\n<p>De acordo com Peric\u00e1s, um dos motivos para a longevidade da \u201cboa\u201d recorda\u00e7\u00e3o dos cangaceiros seria sua contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0s volantes dos governos que praticavam roubos, espancamentos e assassinatos como os cangaceiros. Como transgrediam as leis, ficavam com uma apar\u00eancia negativa perante \u00e0s comunidades sertanejas. A popula\u00e7\u00e3o via nos cangaceiros o oposto das volantes, aqueles que lutavam pela ordem.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0024.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10930\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0024.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0024.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0024-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Dos amigos de inf\u00e2ncia de Virgulino, os meninos que brincavam de guerrilha, alguns o seguiram e outros se tornaram advers\u00e1rios. Uns viraram \u201cbandidos\u201d e outros \u201cmacacos\u201d. O mais ferrenho inimigo de Lampi\u00e3o foi Jos\u00e9 Saturnino, companheiro de meninice, no Vale do Paje\u00fa, membro da fam\u00edlia Nogueira que, com outras fam\u00edlias, como os Feraz, se incompatibilizaram com os Ferreiras. Diz um jornalista que se Virgulino fosse chefe de uma volante, os Ferraz, apelidado de Flor (Manuel Flor) formariam um bando de cangaceiros. O cl\u00e3 dos Flor foi um dos mais aguerridos \u201cca\u00e7adores\u201d de cangaceiros. Jos\u00e9 Flor, compadre de Lampi\u00e3o, fazia parte da For\u00e7a Volante. No sert\u00e3o haviam dois \u201cpartidos, o do canga\u00e7o e o da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Como foi dito acima, o tema \u00e9 vasto e carece de mais estudos e pesquisas porque existem muitos mitos e lendas que precisam ser esclarecidos no campo da verdade. Alguns escrevem sob o manto dos boatos do povo, sem se aprofundar nas pesquisas investigativas.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso que se entenda que o Nordeste n\u00e3o \u00e9 somente fome, mis\u00e9ria e canga\u00e7o. A regi\u00e3o \u00e9 rica com suas diversidades culturais \u00fanicas no Brasil, inclusive com escritores, poetas e artistas de renome nacional e internacional, sem contar sua for\u00e7a na economia, na ind\u00fastria e no com\u00e9rcio.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0026.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10931\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0026.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0026.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0026-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Tudo isso e muito mais foi o nosso sarau do \u00faltimo s\u00e1bado, dia 23 de agosto de 2025, onde muitos ensinaram e tamb\u00e9m aprenderam na troca do saber. Debates, cantorias, declama\u00e7\u00e3o de poemas, acompanhados de comidas, umas geladas e vinho, nos levaram por uma viagem ao mundo m\u00e1gico da cultura.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0023-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10932\" src=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0023-1.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0023-1.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/DSC_0023-1-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em nova casa e com a participa\u00e7\u00e3o de cerca de 40 pessoas entre artistas, professores, jovens estudantes, novos convidados e interessados pela cultura, o tema \u201cCanga\u00e7o e suas Origens\u201d abriu os trabalhos do Sarau A Estrada. Foi mais uma noite memor\u00e1vel onde todos se sentiram \u00e0 vontade para expressar seus pensamentos e ideias. O evento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10919"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10919"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10919\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10933,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10919\/revisions\/10933"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10919"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10919"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10919"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}